Muitas privatizações ocorreram nos últimos dez anos. Sabemos que privatizar é uma das estratégias dos governos para descentralizar atividades ou mesmo para negócios.
No Brasil percebo que as privatizações ocorreram mais para negócios e quem está levando mais vantagem em termos de negócios são os atuais controladores, que além de sairem ganhando no próprio negócio em si, porque as empresas foram vendidas por valores simbólicos, ganham também por não cumprirem os acordos que foram celebrados na negociação da privatização. Acordos não cumpridos como: assumir o passivo trabalhista das empresas, o regulamento do pessoal...
Na negociação o governo, em sua análise, vende a parte boa da estatal, o governo dá uma robustecida no ativo, deixando as demais obrigações por conta do novo grupo controlador e o governo não fiscaliza se está sendo cumprido ou não.
É sabido que os banespianos lutaram muito para evitar a venda do maior banco estadual e o mais importante fomentador de setores produtivos que o Brasil já teve, mesmo com inúmeras manifestações e pedidos para que o banco não fosse privatizado infelizmente sua venda foi culminada através do leilão que ocorreu na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 20.11.2000.
Particularmente, não sou contra a toda e qualquer privatização necessária desde que os acordos celebrados na ocasião da negociação sejam cumpridos. No caso do Banespa, como já citei acima, o acordo que envolve a parte prejudicada não está sendo cumprido, então podemos concluir que foi uma privatização mal feita, assim como ocorreram com outras estatais, por exemplo: Telesp, CPFL, Cesp, etc.
Vejo que é um momento de reflexão sobre as consequências de privatizações em caso em que elas não são bem realizadas. Acredito que é possível sanar a parte prejudicada. Não é possível que milhares de pessoas trabalhadoras sofram injustiça pela falta do cumprimento de um acordo para favorecer a realização de outros interesses.
Necessário lembrar que o acordo é composto por um fundo financeiro para saldar obrigações dos aposentados , é um dinheiro dos aposentados, não é um dinheiro da empresa sucessora.
É importante o conhecimento sobre o que grupos estrangeiros e como atuam em nosso país, que para ver aumentarem seus ativos e lucros exorbitantes não medem atitudes. Vejam por exemplo nos últimos noticiários os números de lucros, inclusive do grupo sucessor do Banespa. É bom lembrar que nas operações não se considera a taxa de juros legais, e que é cobrado muito mais que isso de seus clientes, o que vem justificar esse altíssimo lucro. Portanto, levando-se em conta o não cumprimento do acordo e operando com taxas não legais, questiono se o lucro apresentado é um lucro legítimo?
E, voltando para o assunto das privatizações, para relembrar a luta e denunciar aqueles que entregaram o patrimônio do Estado de São Paulo aos espanhóis, aconteceu na última sexta-feira, 19.11, em frente à Torre Banespa, um ato de protesto pelos 10 anos de privatização do Banespa.
José Carlos Jordan