A maior chuva deste mês até ontem transformou o horário de pico da tarde em um tormento para muita gente em Bauru. O temporal de pouco mais de 30 minutos provocou queda de energia, apagando semáforos das avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves, duas das principais artérias viárias que cortam o Centro.
Em poucos minutos, a avenida Nações Unidas alagou debaixo do viaduto da linha férrea, próximo ao Terminal Rodoviário, impossibilitando a circulação de veículos e pedestres.
De acordo com a Polícia Militar (PM), galhos desabaram sobre um alimentador de energia na rua Azarias Leite, esquina com a praça Dom Pedro, a uma quadra da avenida Rodrigues Alves. A CPFL Paulista acusou o desligamento de uma das correntes elétricas como fator para a falta de energia.
Por conta dos semáforos desligados, os motoristas gastaram muito tempo percorrendo pequenas distâncias. O advogado Marcos Aurélio Silvestre frisa que não avistou agenstes de trânsito para mediar a circulação de veículos na região central.
Em situação normal, ele comenta que demora cerca de cinco minutos para ir do trabalho até a escola onde estuda seu filho. Ontem, saiu às 18h e só conseguiu chegar 30 minutos após na escola, percorrendo cerca de 10 quadras. “Isso só para atravessar a Duque”, frisa.
“Caos”
Diariamente, Silvestre sai do escritório, na rua 15 de Novembro, segue pela Virgílio Malta e desce pela Agenor Meira até entrar na Duque de Caxias, sentido Higienópolis/Cruzeiro do Sul. “Virou um caos para atravessar a Duque. É perigoso porque as pessoas acabam cometendo atos de imprudência. Eu não vi nenhum acidente, mas acho a situação bem perigosa”, alerta.
Enquanto Silvestre tentava cruzar a Duque, a sessão ordinária da Câmara Municipal de Bauru foi interrompida com a falta de energia. Conforme a repórter da editoria de Política do JC, Lígia Ligabue, os vereadores discutiam a moção de apelo do Executivo municipal para a criação de uma regional.
A jornalista acompanhava o encontro semanal do Legislativo quando percebeu duas oscilações de energia seguidas do blecaute no prédio, na praça Dom Pedro, região central de Bauru. A jornalista comenta que eram 18h07 quando houve o “apagão” e a sessão foi retomada uma hora depois com o retorno do fornecimento de energia, por volta das 19h10.
Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, comenta que ruas de terra apresentaram início de erosão, mas não houve feridos e nem desabrigados. Ele comenta que alguns motoristas tiveram problemas, principalmente de pane elétrica, ao tentar vencer os alagamentos.
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Flagrantes
A reportagem do Jornal da Cidade acompanhou vários flagrantes e o sufoco de quem precisou transitar a pé ou de carro durante a chuva no final da tarde de ontem. Na avenida Nações Unidas, uma moça foi persuadida a desistir de passar debaixo do viaduto férreo, alagado pelas águas pluviais - numa cena bastante comum para a cidade.
A quadra 21 da rua Vereador Joaquim da Silva Martha, na Vila Universitária, foi interditada no início da noite após uma parte do calçamento ceder, depois das 17h30.
O coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, comenta que o engenheiro de uma empresa responsável por uma obra próximo ao local fez uma avaliação preliminar e, posteriormente, engenheiros da Prefeitura de Bauru estiveram no endereço, por volta das 20h.
Brito esclarece que debaixo da rua passa uma galeria antiga e seria necessário abrir a via para saber a exata extensão de um eventual dano à tubulação. “Há uma trinca no asfalto. A gente não sabe se é uma coisa antiga ou foi causada por isso (chuva) agora”, explica.
A quadra 21 da via permaneceria sinalizada com tochas, à noite e nesta madrugada, e a circulação de veículos seria permitida apenas para moradores do quarteirão, entre as ruas São Gonçalo e Joaquim Fidélis, até que o problema no local seja resolvido.
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Maior chuva do mês: 21,3 milímetros
Em pouco mais de 30 minutos, choveu 21,3 milímetros (mm) em Bauru ontem, quantidade que supera a que era a maior marca deste mês, de 16,3mm, registrada no último dia 5. Contudo, ambas ficaram abaixo dos 61,7 milímetros de chuva registrados no dia 3 abril último, maior volume de chuva em um único dia até ontem aferido pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Diferente da maior marca deste ano, ontem choveu bastante em um curto espaço de tempo. O meteorologista do IPMet Fernando de Almeida Tavares explica que a chuva de ontem teve maior intensidade entre 17h15 e 17h45.
Ele comenta que a tempestade foi provocada por uma frente fria que permanece sobre o Estado de São Paulo. O meteorologista diz que a previsão até quinta-feira é de tempo parcialmente nublado na cidade com pancadas de chuva, típicas para a atual estação do ano.
Hoje, a temperatura mínima será de 20 graus, enquanto a máxima chegará aos 31 graus, segundo o IPMet. Amanhã, a mínima será de 18 graus e a máxima 30. A projeção para quinta-feira é de mínima de 21 graus e máxima de 30 graus em Bauru.