Sempre gosto de receber perguntas interessantes e respondê-las nesta coluna, para que outros possam ter acesso às mesmas informações. Semana passada, recebi duas boas perguntas e passo a respondê-las abaixo. Nosso amigo leitor Aníbal Oliveira, daqui de Bauru, pergunta sobre “as diferenças entre o etanol comum e o aditivado. Quais os ganhos (benefícios, economia) em abastecer com etanol aditivado, pois aqui em Bauru já tem posto oferecendo este novo produto ao custo de R$ 0,10 maior em relação ao etanol comum.”
Podemos fazer uma analogia perfeita do etanol e gasolina entre comum e aditivado. Os aditivos incorporados ao etanol, assim como à gasolina são em sua maioria detergentes que limpam internamente todo o sistema de injeção de combustível, desobstruindo bicos e limpando dutos. Eles não têm a função de aumentar o poder antidetonante do combustível, portanto a potência será a mesma. O Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, realizou testes em veículos flex que mostraram capacidade de limpeza 46% maior em relação ao etanol comum.
Quem desenvolveu este etanol aditivado foi a Shell na Europa e de acordo com ela, o novo combustível possui outros aditivos além dos detergentes, como o FMT (Friction Modification Technology ou Tecnologia de Modificação do Atrito), que dá uma maior proteção das partes internas do motor que entram em contato com o combustível. Reduz o atrito entre as partes móveis, lubrifica e protege contra corrosão. Portanto, as vantagens são claras a longo prazo, como a manutenção da regulagem dos bicos e da limpeza interna, mas não necessariamente maior economia de combustível. Esta economia poderá ocorrer ao longo do tempo em função do motor estar constantemente regulado.
Agora, fique esperto com o posto que esteja fornecendo o etanol aditivado. Até agora apenas a Shell detém esta tecnologia, chamada comercialmente de V-Power Etanol e começaram comercializando apenas na Capital. Desde a semana passada este etanol aditivado chegou a Bauru a alguns postos credenciados de bandeira Shell. Se postos de outras bandeiras estiverem comercializando o “aditivado”, procure ter certeza da procedência, pois pode ser picaretagem. Às vezes é só artimanha para aumentar o preço, como se contivesse realmente os aditivos mencionados, porém sem ter nada de diferente. Em São Paulo a diferença média de preço encontrada entre o etanol comum e o V-Power chega a R$ 0,20 e se aqui ficar nos R$ 0,10 como você afirma, está ótimo. Em breve outras bandeiras fortes também o terão.
A outra dúvida vem de nosso amigo leitor Antonio Magnani, também de Bauru. Ele diz que tem “um Corolla XEI 09 e não tem nenhuma restrição quanto ao seu desempenho, mas (sempre há um mas) ao ligá-lo de manhã ou após algum tempo parado é impossível aguentar o forte cheiro de mofo. Tenho que abrir os vidros para que com ventilação externa o mau cheiro amenize. Por orientação dos técnicos da Toyota Bauru já troquei os filtros duas vezes e fiz três higienizações. Nada melhorou. Meu carro tem só 25 mil km. Agora, fui orientado a desligar o ar algum tempo antes de estacioná-lo (em minha garagem, por ex.) e, com o carro parado, deixar o ar quente ligado por alguns minutos para secar a umidade provocada pelo equipamento. Não acha um absurdo? Anteriormente já tive carros de outras marcas, acho que de quase todas, e nunca tive problema dessa espécie. Com toda essa tecnologia atual, será que ainda temos que conviver com quebra-galho?”
Bela pergunta! Realmente você matou a charada, pois o que causa o mau cheiro são as bactérias que se formam no sistema devido à umidade acumulada pelo processo. Após certo tempo de uso, o cheiro aparece e fica mais forte com o tempo, por isso que se recomenda a limpeza e higienização do sistema com frequencia. Trocar os filtros não resolve, apenas melhora o fluxo de ar, pois filtro sujo estrangula. A umidade acumulada sobre as serpentinas e radiadores internos é que causa o mau cheiro e a higienização deve ser feita aplicando-se produtos corretos de limpeza e não só perfuminhos baratos. Deixar o ar quente ligado pode amenizar o problema antes que o cheiro surja, pois seca a umidade. Mas se a colônia de bactérias já se instalou, não é ar quente que as removerá. Uma boa oficina especializada em ar condicionado desmontará o conjunto e procederá a uma limpeza completa, acabando com o problema.