Internacional

Lugo quer Lula para secretário da Unasul

Folhapress
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Georgetown - Segundo o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, “todos se voltarão” ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para suceder o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, morto há um mês, na Secretaria-Geral da Unasul (a União de Nações Sul-Americanas).

Lula viajou ontem para a cúpula da Unasul que começa amanhã em Georgetown (Guiana), a sua última no cargo.

Até ontem, os representantes reunidos na Guiana não haviam debatido o nome do novo secretário-geral. O tema está na pauta de hoje dos presidentes, mas é considerado secundário em relação à criação do dispositivo de segurança. A presidente eleita, Dilma Rousseff, cancelou presença.

Golpes de Estado

Os chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) devem fechar hoje os detalhes da cláusula democrática que permitirá sanções contra países do bloco que sofrerem tentativa de golpes de Estado.

A reunião de hoje, com presidentes, pode terminar sem que o nome do novo secretário-geral do grupo seja definido. O presidente Lula chegou ontem à noite ao país, acompanhado do chanceler Celso Amorim e do assessor internacional, Marco Aurélio Garcia.

Ontem, chanceleres reunidos em Georgetown, na Guiana, concordaram sobre a inclusão do fechamento de fronteiras, a suspensão do comércio e do tráfego aéreo entre as sanções a países que violarem os preceitos democráticos do grupo.

Brasil e Argentina foram os principais incentivadores das sanções. Segundo diplomatas, um dos principais motivadores foi o caso de Honduras, que sofreu um golpe em 2009. Até hoje os dois países não reconheceram o novo governo do país.

Entre as divergências ainda existentes, estava a posição de alguns países para deixar claro que transgressões permitiriam as sanções.

Peru e Chile eram os principais defensores do detalhamento. Outros países defendem que haja uma avaliação caso a caso. Todos concordam que a ação do grupo deve ocorrer apenas quando o país em questão pedir a intervenção da Unasul.

Apesar de a minuta ser baseada em textos da OEA, do Mercosul e do Grupo Andino, a cláusula da Unasul deve permitir ações imediatas.

A morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, que ocupava a secretaria-geral, deixou um “vazio’’ na entidade, dizem negociadores.

NG/GP/DILMA/UNASUL

Dilma troca Unasul por reuniões para formação do governo

Por Denise Chrispim Marin, enviada especial

Georgetown, 25 (AE) - A presidente-eleita do Brasil, Dilma Rousseff, decidiu não participar do jantar de abertura da reunião de cúpula da União de Nações Sul-americanas, na noite de hoje. A expectativa de sua vinda fora alimentada pela informação de sua assessoria de imprensa, na última quarta-feira, de que Dilma acompanharia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O momento era visto pela diplomacia brasileira como altamente adequado para sua apresentação, sem preferências, aos líderes da região.

Porém, a assessoria de Dilma voltou a descartar sua presença no encontro em Georgetown na noite da mesma quarta-feira, sob o argumento de que a presidente eleita estaria concentrada na formação do núcleo duro de seu governo. Hoje, várias delegações foram tomadas de surpresa. Diplomatas argentinos e uruguaios tentaram minimizar o impacto dessa ausência alegando que não faltará oportunidades para encontros formais, depois da posse, em 1º de janeiro.

Cauteloso, o chanceler boliviano, David Choquehuanca, afirmou que teria sido benéfica a presença de Dilma, mas que os presidentes têm suas agendas internas a cumprir e, muitas vezes, não a podem postergar. O presidente da Bolívia, Evo Morales, não estará na reunião de cúpula de amanhã porque operou um joelho e está em repouso.

Dilma Rousseff, em princípio, não deverá expor-se a viagens internacionais neste período anterior a sua posse, marcada para 1º de janeiro. A exceção prevista é a reunião de cúpula do Mercosul, em Foz de Iguaçu, em 17 de dezembro. Várias delegações apontaram ontem sua intenção de vê-la na Cúpula Iberoamericana, na semana que vem em Mar Del Plata (Argentina). Mas, nem mesmo o presidente Lula deverá comparecer a esse encontro.

A assessoria de imprensa já anunciou que ela tampouco visitará o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington. Obama a havia convidado no dia seguinte à sua eleição, quando telefonou para cumprimentá-la. A diplomacia americana reiterou sua intenção de promover esse encontro em outras ocasiões desde então. Segundo Choquehuanca, essa reação de Dilma foi “audaz”. “Nossos líderes têm de ser audazes. A falta de audácia de Obama provocou sua derrota na eleição (para o Congresso, em 2 de novembro) e o deixou debilitado”, afirmou o chanceler boliviano.

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