A Secretaria Municipal de Saúde publicou na quinta-feira, no Diário Oficial de Bauru, o edital de convocação de entidades assistenciais que tenham interesse em aprimorar seus atendimentos e tornarem-se comunidades terapêuticas de regime residencial de 24 horas.
A medida foi tomada em decorrência das demandas imediatas de pacientes dependentes de substâncias psicoativas, entre elas as drogas e o álcool, incluindo adolescentes.
Os casos de dependentes químicos estampam as páginas do JC nas últimas semanas. Contudo, além do problema ser também social, Bauru possui apenas duas entidades capacitadas que possuem parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), o Esquadrão da Vida e a Comunidade Bom Pastor. Cada uma delas atende 25 usuários adultos, que passam por tratamento de, no mínimo, seis meses.
O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, ressalta que os convênios firmados com a Sebes serão transferidos para a Secretaria Municipal da Saúde. “A Sebes teve a necessidade de transferir esses convênios que se configuravam como comunidade terapêutica, para a Secretaria Municipal da Saúde.”
Essas entidades passarão a ser comunidades terapêuticas, entretanto, a Comunidade Bom Pastor já atua nesse regime. “Aqui o usuário entra, passa por uma avaliação e começa o tratamento. Recebe alimentação, abrigo, atendimento psicossocial, e não pode sair no período de tratamento, a não ser com uma autorização na fase final do acompanhamento. Se ele sair, não pode mais voltar”, explicou Andréa Coelho Prata, auxiliar administrativo da comunidade.
Monti frisa que o trabalho desempenhado atualmente funciona como uma parceria com a Sebes, que tem um trabalho integrado com os Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps/AD).
Ao passar essas entidades para a Saúde, nós pretendemos que essa integração entre o Caps/AD, que é o órgão público que atende essa demanda específica, se afine mais do que tem sido hoje”.
Adolescentes
Monti expressa a vontade de ter uma comunidade terapêutica voltada especialmente para os adolescentes, o que ainda não há em Bauru por falta de capacitação de profissionais. A demanda da cidade que é encaminhada para a internação segue para entidades conveniadas de outras cidades da região, o que também é mais caro para o município e conturbado, porque muitos adolescentes tentam fugir no meio do caminho.
“Nós gostaríamos muito de ter uma comunidade terapêutica voltada para o adolescente, o que nunca conseguimos em Bauru. Como o edital também vale para adolescente, se alguma entidade se candidatar será ótimo. Eles revelaram que não levaram a ideia adiante porque eles mesmos não conseguiram os profissionais necessários para trabalhar nessa área. Enfermeiros, psicólogos e outros profissionais têm no mercado. O que não tem é gente com algum grau de aproximação com a questão de drogas. Você tem que ter uma formação específica porque é uma demanda muito especial.”
De acordo com informações cedidas pela assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru os serviços deverão compreender uma das seguintes modalidades: comunidades terapêuticas masculina para maiores de 18 anos, feminina para maiores de 18 anos, masculina para adolescentes e feminina para adolescentes. Nada impede de uma das entidades que já trabalham em parceria com a Sebes se candidatar a atender outras demandas, contudo, os adolescentes devem ser atendidos em local distinto ao dos adultos.
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Atendimento completo
Além do atendimento dedicado ao usuário, a família também deverá participar dessa batalha a ser vencida contra o vício. O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, ressalta que nesse ponto a Sebes continuará fornecendo o apoio necessário.
“Tem que haver essa interação porque tem que haver um trabalho com a família, com a reinserção desses indivíduos na sociedade, coisas que são muito mais pertinentes à Sebes”.
Com a parceria firmada com a Secretaria Municipal da Saúde, essas entidades poderão até receber um financiamento do governo federal.
“Nós também estamos dando assistência técnica para tornar essas duas entidades aptas a receber um financiamento do governo federal. Se houver necessidade nós até temos a disposição de capacitar os profissionais dessas entidades”, acrescentou Monti.