Washington - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou por telefone ontem com as autoridades de Pequim pouco depois do alerta chinês contra quaisquer ações militares em sua zona econômica exclusiva, em resposta à decisão dos Estados Unidos de enviar um porta-aviões para perto da ilha sul-coreana bombardeada na terça-feira, dia 23, pela Coreia do Norte.
O chanceler chinês Yang Jiechi também conversou com seu colega sul-coreano e com o embaixador da Coreia do Norte em Pequim para discutir a crise.
Yang pediu a Seul e Pyongyang moderação e que resolvam seus problemas mediante o diálogo, indicou a agência oficial Xinhua.
“A tarefa urgente agora é que a situação permaneça sob controle, e que não se repitam incidentes similares”, disse o chanceler, exortando as duas Coreias a manterem calma e contenção.
Exercícios militares
Estados Unidos e Coreia do Sul iniciarão amanhã manobras aeronavais conjuntas no Mar Amarelo. Essas manobras foram criticadas pela China - único aliado de Pyongyang - já que terão lugar na zona econômica exclusiva de Pequim.
Num claro recado a Washington, o comunicado emitido pela chancelaria chinesa diz ainda que todas as partes envolvidas na questão das Coreias devem trabalhar ativamente para a paz, facilitar as conversações e resguardar a estabilidade e a paz na península coreana.
A condução de exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos não é bem recebida pela China, que mais cedo nesta sexta-feira condenara tais manobras.
“Nós nos opomos a qualquer ato unilateral conduzido na zona econômica exclusiva da China sem aprovação”, disse o Ministério de Relações Exteriores chinês. A zona econômica exclusiva é uma zona naval de até 200 milhas náuticas (cerca de 370 km) a partir da costa de um país.
A Coreia do Norte também manifestou sua clara rejeição à presença militar norte-americana na região, dizendo que tais exercícios levam a península “à beira da guerra”.
“As manobras militares dos imperialistas americanos e de sua belicosa marionete sul-coreana são direcionadas contra a Coreia do Norte. A situação na península coreana está à beira da guerra em consequência do projeto imprudente destes delirantes do gatilho”, diz o comunicado difundido pela agência estatal KCNA.
Os EUA enviaram o porta-aviões USS George Washington ao mar Amarelo para exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, previstos para começar amanhã
Washington afirma que os exercícios já estavam planejados antes do ataques desta semana.
Os quatro dias de manobras são considerados uma demonstração de força que, além de enfurecer a Coreia do Norte, costuma incomodar também sua única aliada e vizinha, a China.
Os EUA pressionam a China a usar sua influência sobre Pyongyang para acalmar a tensão na península, mas Pequim não demonstrou interesse em uma mediação.
Coreia do Norte alerta
Ontem, a Coreia do Norte disse que os quatro dias de exercícios militares conjuntos de Estados Unidos e Coreia do Sul, previstos, colocam a península coreana “próxima da guerra”.
“A situação na península coreana está cada vez mais próxima da guerra devido aos temerários planos de elementos propensos a apertar o gatilho de realizar exercícios de guerra”, disse a agência de notícias estatal do país, a KCNA.
O governo de Pyongyang responsabiliza a Coreia do Sul, que realizava exercícios militares nas proximidades da ilha, pelo incidente da última terça-feira, afirmando que ordenará “uma segunda e mesmo terceira bateria de ataques, sem hesitação, se os favoráveis à guerra na Coreia do Sul fizerem novas provocações”.
Reforços
Respondendo às críticas de parlamentares da oposição e de sua própria base aliada, o governo sul-coreano decidiu ainda enviar mais tropas a cinco ilhas do mar Amarelo, incluindo Yenpyeong, e anunciou que deve alterar as regras militares de seu Exército.
Tradicionalmente as tropas sul-coreanas recebem instruções de resguardar as fronteiras mas tentar evitar a escalada de tensão no caso de provocações do Norte, buscando evitar a retomada dos confrontos encerrados em 1953. No entanto, após o recente ataque, o governo sinaliza que pode repensar o papel muito “passivo” frente ao vizinho.
Ainda na madrugada de ontem o Ministério da Defesa sul-coreano relatou explosões procedentes da Coreia do Norte em vários momentos entre 12h e 15h locais (entre 0h e 3h de Brasília), afirmou uma fonte ministerial.
“Acreditamos que a Coreia do Norte realizou um exercício de artilharia”, disse a autoridade.
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Novo ministro da Defesa
Seul - O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, nomeou ontem o ex-Chefe Adjunto do Estado Maior, Kim Kwan-jin, como o novo ministro da Defesa, em substituição a Kim Tae-young, que renunciou ontem ao cargo.
Com 40 anos de experiência nas Forças Armadas, o militar de 61 anos é visto como um excelente estrategista e foi escolhido por seu “conhecimento interno de políticas (de Defesa) e estratégia”, diz um comunicado emitido pela agência estatal Yonhap.
A Presidência sul-coreana disse ainda que Kim é adequado para o novo cargo, “num momento em que a responsabilidade do Ministério da Defesa é mais importante do que nunca para proteger as vidas e a propriedade do povo”.
A saída de seu antecessor ocorreu após duras críticas da oposição, que pediu a saída de Kim e demandou respostas “mais contundentes” frente às ameaças de Pyongyang. Membros do próprio partido de Lee e parlamentares da oposição acusaram o governo de ser demasiado fraco e responder tarde demais.
“Por que nós disparamos apenas 80 morteiros quando o Norte disparou 170?”, perguntou Sim Dae-Pyeong, presidente do opositor Partido do Povo. A oposição questionou ainda o motivo das tropas sul-coreanas terem demorada cerca de 15 minutos desde o primeiro ataque norte-coreano para reagir, quando as regras militares estabelecem uma resposta em, no máximo, cinco minutos.