Outro dia li nesta coluna um artigo com este título e, como professora, me senti no direito de respondê-la. Concordo com algumas coisas e discordo de outras, as quais resolvi escrever. Para se exercer uma profissão, seja ela qual for, o dom é imprescindível. Tanto isso é verdade que não existiriam mais professores neste Estado se não fosse pelo dom, pois a profissão já há muito deixou de ter o prestígio e a devida valorização de alguns anos atrás...(bons anos, aliás!!!)
Professor gosta de dar aula, sabe do valor de sua profissão, mas sabe também o quanto a própria sociedade o desprestigia, fica contra nos atos de reivindicação, não temos apoio daqueles que deveriam ser os primeiros a querer a melhoria do ensino e das condições de ensino neste país. Assim fica difícil termos força para alcançar o que quer que seja...
Não, não nos contentamos com abono porcaria (e injusto!), não gostaríamos de dar tantas aulas, que sobrecarrega o professor e não nos dá o retorno desejado, não só em relação a salário, mas a tempo para estudarmos, por exemplo; não gostaríamos que a educação fosse vista como despesa e não investimento; não queríamos que a escola tivesse outro propósito senão o de local de aprendizado; não gostaríamos de ser tratados com tanta falta de educação e desrespeito, não só por alunos e pais, mas também por aqueles que tem o dever de oferecer escola de qualidade(?) para todos.
Gostaríamos que as pessoas vissem a escola como local de acesso ao conhecimento e que o dever do professor é de instruir e conduzir os alunos a um desenvolvimento crítico e de crescimento intelectual. Se todos pensassem assim, o desrespeito não existiria. Não temos e não queremos ter outra função senão aquela a que nos propusemos exercer. Pois hoje a grandiosidade da profissão está naqueles que, apesar de estar tudo contra, ainda persistem na tarefa de ensinar.
Ângela Costa