Washington - O Brasil tem uma paranoia com a Amazônia, desconfia das ONGs e vê estrangeiros atuando na floresta como ameaça à soberania nacional, diz o relatório da Embaixada dos Estados Unidos sobre a Nova Estratégia de Defesa Brasileira, de 2009. O documento foi vazado ontem pelo site WikiLeaks.
“Enquanto o documento salienta que a região enfrenta crescentes desafios à sua segurança, de fronteiras sem controles a instabilidade potencial nos países vizinhos, também cede à tradicional paranoia brasileira sobre a atuação de ONGs e outras entidades estrangeiras, popularmente percebidas como potenciais ameaças à soberania do Brasil”, diz o documento, de agosto de 2009.
O texto faz comentários sobre vários aspectos da nova Estratégia de Defesa Brasileira, desenvolvida pelo ex-ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.
O relatório também desconfia da eficiência do plano. O projeto fala em substituir o serviço militar por um serviço civil, onde os cidadãos seriam convocados apenas em caso de ameaça ao país.
Os diplomatas americanos dizem que “a estratégia não dá, no entanto, nenhuma informação sobre em qual tipo de emergência nacional seria requerida a mobilização de milhões de jovens brasileiros mal treinados”.
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Relação Lula-Sarkozy é ‘festa do amor’
Brasília - A diplomacia americana viu com preocupação a estreita relação entre Brasil e França sob as gestões Lula e Nicolas Sarkozy, classificando-a de “festa do amor”. Quase literalmente: a popularidade por aqui da primeira-dama francesa, Carla Bruni, seria usada segundo os americanos por Sarkozy para melhorar a relação.
Isso tudo, mais críticas à motivação política do Brasil na concorrência pela escolha dos novos caças da FAB, está descrito em mais um telegrama diplomático vazado pelo site WikiLeaks. No caso, um informe feito pela Embaixada dos EUA em Paris em 17 de novembro do ano passado, pintando um quadro em que os americanos se mostram incomodados pela crescente aproximação dos dois países nos anos Lula-Sarkozy.
Ao falar de Carla Bruni, o informe diz que houve decepção no Brasil pela ausência da musa na visita ao Brasil de Sarkozy durante o 7 de Setembro. “Carla Bruni não participou da visita mais recente do presidente francês a Brasília, para a decepção do público brasileiro, o qual aprecia bastante o fato de que o primeiro-casal da França geralmente passa férias no país, de acordo com a Embaixada brasileira no país.”
“Comentário:”, continua a nota, “Nós julgamos que Sarkozy tira toda a vantagem da popularidade individual de Carla Bruni, e da popularidade deles como casal, para promover os interesses nacionais franceses no Brasil.” Ao comentar a compra dos caças, “motivada politicamente” e na qual um competidor americano (o F-18) sai perdendo, o despacho informa que o governo Lula inclinou-se a comprar os 36 novos caças da França.