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Enchente já esteve no caminho de Rafael

Por Tisa Moraes e Ricardo Santana | Com Elen Valereto
| Tempo de leitura: 5 min

Por uma triste coincidência, o jovem Rafael Franco Zontini, 24 anos - morto anteontem após ser levado pela enxurrada que inundou a avenida Nações Unidas, em Bauru – já havia sido vítima de uma enchente em São José do Rio Preto, em 2007. Durante uma chuva naquela cidade, ele seguia em um carro com a mãe pela avenida Alberto Andaló, no Centro, também conhecida por ser ponto crítico de inundações em dias de tempestade.

Da mesma forma como ocorreu em Bauru, o veículo foi tomado pela água, mas, daquela vez, houve tempo suficiente para que ambos escapassem ilesos, conforme relataram amigos. Três anos depois, Rafael viu toda a cena se repetir, mas, desta vez, ele estava sozinho e, embora tenha contado com a ajuda de inúmeros voluntários, não teve a mesma sorte.

O rapaz - que era formado em publicidade e propaganda, mas atuava como diretor de uma instituição de ensino em Bauru - foi arrastado pela correnteza por cerca de 400 metros e acabou morrendo depois de ficar preso sob um Corsa que estava quebrado em frente à Praça do Líbano. Depois de ser resgatado já sem vida, seu corpo permaneceu no local por mais de duas horas e, posteriormente, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.

De lá, na manhã de ontem, foi transportado para Votuporanga (290 quilômetros de Bauru), cidade onde nasceu e onde vivem sua mãe, a médica dermatologista Carmen Cristina Franco e o pai, o caminhoneiro José Eduardo Zontini. Cercado de emoção, o velório reuniu mais de 300 pessoas e impressionou pela quantidade de homenagens – mais de 30 coroas de flores foram oferecidas por amigos e parentes (leia mais abaixo).

“Ele realmente era muito querido na cidade. Quem o conhecia, não tinha o que falar dele, que era um cara do bem. Ele era brincalhão, extrovertido, gostava de sair. Mas sempre foi muito responsável, nunca esteve envolvido em brigas ou situações ilícitas. Ele não gostava de coisas erradas”, relembra o técnico em eletrônica Alessandro Marques Gonçalves, 26 anos, amigo de Rafael há mais de 15 anos.

O jovem namorava Marília Murakawa há sete anos, com quem possuía planos de se casar.

Morte prematura

Muito abalados com a perda do parente, familiares do rapaz preferiram não conceder entrevista à reportagem por telefone. Segundo Gonçalves, ele era filho único de pais separados e extremamente apegado à mãe, que se casou novamente com Antônio Alberto Casali.

O padrasto, que é diretor de marketing da Associação Comercial de Votuporanga, mantinha uma relação próxima com Rafael e, durante o velório, também demonstrou estar bastante chocado com a morte prematura do enteado, conforme relatou a imprensa local.

Formado em publicidade e propaganda pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, o jovem havia acabado de concluir pós-graduação também em publicidade e propaganda pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

Há seis meses, ele havia se mudado para Bauru, após se tornar diretor de uma instituição de ensino a distância, filial do Colégio Comercial de Votuporanga. O estabelecimento funcionava em uma sala alugada dentro do prédio da Casa do Garoto dos Padres Rogacionistas (leia mais abaixo).

Aos finais de semana, Rafael costumava voltar para Votuporanga para ficar com a mãe e a namorada, hábito que repetiu pela última vez antes de perder a vida na enxurrada que empilhou carros e destruiu parte do pavimento da avenida Nações Unidas, anteontem. Na terça-feira, dia do temporal, o padrasto o havia levado até São José do Rio Preto, de onde o jovem seguiu de ônibus para Bauru.

Ao deixar o Terminal Rodoviário em um táxi e ser surpreendido pela inundação, ele não conseguiu chegar à sua residência, onde morava sozinho, no Jardim Panorama.

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Despedida

O corpo de Rafael Franco Zontini chegou ao velório municipal de Votuporanga no final da manhã de ontem. Amigos e familiares lotaram o local com muitas coroas de flores para se despedir do jovem, que foi enterrado às 17h no Cemitério Parque Jardim das Flores.

A mãe dele, a dermatologista Carmen Cristina Franco, precisou ser medicada. “Ela estava muito abalada”, conta a tia do publicitário, Gislei Cavales Sanches.

“O Rafael era uma pessoa dedicada e estava empenhado com muitos objetivos para crescer profissionalmente com o Colégio (Comercial de Votuporanga, do qual era diretor). Estava muito animado com o trabalho”, acrescenta.

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Padre Rogacionista de Bauru celebra homenagem a vítima durante o velório

O padre João Inácio Rodrigues, diretor-presidente da Casa do Garoto dos Padres Rogacionistas em Bauru, celebrou a despedida – rito das exéquias – no velório do jovem Rafael Franco Zontini, 24 anos, durante a tarde de ontem em Votuporanga.

Rafael morreu afogado, anteontem, na enchente que destruiu um trecho da avenida Nações Unidas, no Centro de Bauru. Para o padre João, a presença de amigos, colegas de trabalho e familiares marcou o “adeus” a Rafael.

“Encontrei um velório repleto de pessoas de Votuporanga e de toda a região com um espírito cristão. Todos oraram e celebraram comigo na homenagem pelo descanso eterno de Rafael”, frisa.

O padre foi a Votuporanga acompanhando de um grupo de funcionários da Casa do Garoto e do Colégio Rogacionista de Bauru para se solidarizar com os familiares e amigos da vítima. Após o velório, Rafael foi sepultado no Cemitério Parque Jardim das Flores, às 17h.

Rafael locava salas da Casa do Garoto, onde mantinha a subsede em Bauru do Colégio Comercial de Votuporanga, instituição de ensino que promovia ensino a distância. Muito além da simples relação comercial, o pessoal da Casa do Garoto mantinha um contato de proximidade com Rafael. Padre João destaca que o jovem era sereno, mantinha uma atenção especial no trato com as pessoas e prezava a educação.

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