Com uma devoção imensurável pela natureza e apaixonado pelo estilo de vida simplista, Waldomiro Rett completa 90 anos hoje, dia 2 de dezembro. Ele começou a envolver-se com o meio ambiente aos poucos e segue a ecologia como religião, utilizando ações de preservação ambiental como “cultos terapêuticos”, que lhe proporcionam vitalidade e energia. Como não poderia ser diferente, Waldomiro deve ficar em meio à natureza durante o dia de hoje, trabalhando no dia de seu aniversário.
Conhecido por ter se especializado no extermínio de formigas, dom que utiliza para salvar árvores e toda a vegetação de um ambiente, Waldomiro contou que aprendeu a amar a natureza com seu pai. “A gente morava em uma pequena propriedade rural e meu pai sempre falou da importância do meio ambiente e o quanto devemos respeitar as plantas, árvores, frutas, flores e tudo mais”, disse ao confirmar que carrega tais ensinamentos até hoje.
Em sua avaliação, o “caçador de formigas” afirma que os jovens da atualidade estão bem informados sobre os cuidados que são necessários para preservar o meio ambiente, lembrando que era algo bastante diferenciado preocupar-se com a natureza quando ele era garoto. “Hoje vocês tem tudo ao alcance das mãos, as informações estão aí para todos. Mas, ainda acho que as pessoas podem melhorar. Falta muito para começarmos todos a agir da maneira ideal”.
Uma “religião”
Como aprendeu desde pequeno a lidar e entender o meio ambiente, sempre com o auxílio do pai, Waldomiro criou uma relação de religiosidade com o meio ambiente. Segundo ele, as ideias de Charles Darwin são as principais causas que o levaram a adotar o ambientalismo como religião. Um dos exemplos citados por ele refere-se à teoria da seleção natural como um dos motivos de estar tão cheio de vida aos 90 anos.
“Ele (Darwin) disse que os indivíduos são selecionados pelo ambiente, o que traria o surgimento de pessoas mais aptas para viver em comunhão com o meio. Depois de ler alguns livros de filosofia entendi que esta é a minha religião: a natureza. Passo o dia cuidando de árvores, jardins, praças e isso me mantém jovem e cheio de disposição”, explicou.
Este “devoto da natureza” revelou que foi recentemente a um médico geriatra e se certificou estar com a saúde em excelente estado. “O médico disse que eu não tenho nada e até brincou que minha saúde está melhor que a dele”, contou, sem deixar de se divertir ao destacar a qualidade de vida que possui em seu dia a dia.
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Ganância, a inimiga
Waldomiro Rett colocou a ganância como principal inimiga da qualidade de vida. Ele analisou que uma pessoa muito preocupada em ganhar dinheiro a qualquer custo não consegue desfrutar das belezas do dia a dia. “E também não consegue cuidar dele mesmo, descansar ou fazer o bem para os outros, algo extremamente gratificante e que motiva ainda mais as pessoas com o passar dos anos”, defendeu.
Ao falar sobre os malefícios da ganância, o “caçador de formigas” garantiu que sua vida está bem melhor hoje do que era antigamente, mas seu jeito de levar a vida continua o mesmo. “Antes eu não tinha sapato, bola ou qualquer brinquedo. Hoje tenho uma casa, um carro e, melhor de tudo, trabalho com o que mais gosto sem cobrar nada”, afirmou.
O “devoto da natureza” frisou que os trabalhos que realiza em diversas cidades são gratuitos. Hoje, no dia de seu aniversário de 90 anos, Waldomiro sairá de sua casa, em Pederneiras, viaja até Bauru, mata uma colônia de saúvas na Vila Dutra e depois irá até Agudos, onde deve verificar como está a plantação de frutas na entrada da cidade. “Faço isso com o maior prazer do mundo e este é o motivo pelo qual nunca precisei ser internado até hoje”, concluiu Waldomiro.
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Motorista aos 90
Waldomiro é casado há 64 anos com Lourdes Franco Rett, com quem teve dois filhos, José Roberto e Maria de Jesus. “E tenho três netas e uma bisneta”, completou o aniversariante de hoje.
Um dos xodós do “caçador de formigas” é seu veículo. Há cerca de 40 anos ele tem um Fusca vermelho que dirige até hoje. “Sempre viajo com ele e não penso em parar de dirigir”, garantiu.
Waldomiro ficou conhecido após eliminar as formigas na mata onde foi instalada a colônia de férias da Ferrovia Paulista SA (Fepasa), na Praia Grande. “Aprendi que bastava matar a rainha para acabar com as formigas. Depois de Praia Grande, comecei a ser chamado para serviços em todo o Estado e também em algumas cidades fora de São Paulo”, contou.
Com 90 anos, que são comemorados hoje, Waldomiro dirige seu carro, trabalha todos os dias e nunca foi internado, “reflexos de uma vida dedicada à natureza e cheia de pensamentos sobre como transformar o meio ambiente em algo melhor para todos”, finalizou.