Se um processo terapêutico tradicional leva três meses para solucionar um problema psicológico, com a hipnose é possível chegar ao mesmo resultado em três sessões. A afirmação é da psicóloga Mônica Marques.
Segundo ela, o tratamento torna-se mais eficaz porque, no transe hipnótico, psicólogo e paciente estão focados o tempo todo na causa do problema. Não há dispersão. A mente fica inteiramente voltada à solução do trauma, transtorno, ansiedade ou qualquer outra “doença da mente”.
“A hipnose é uma ferramenta de trabalho dentro da psicologia”, explica Mônica, para concluir em seguida. “Eu não trabalho com hipnose, trabalho com pacientes em hipnose”, diferencia a psicóloga.
De acordo com Mônica, ainda existem pessoas que associam a hipnose com um meio de obter confissões sem que o hipnotizado se dê conta do que está dizendo ou fazendo. É a chamada “hipnose de palco”. Segundo ela, na verdade a hipnose não é nada disso.
“Ao contrário, o paciente fica consciente o tempo todo. No meu caso, eu quero que ele lembre o que se passou durante o transe, porque isso favorece a cura”, revela.
A psicóloga explica que atualmente as pessoas estão sem tempo e exigem providências rápidas. Na opinião dela, a psicologia precisa caminhar de forma a se adequar a essa realidade.
Além disso, se o tratamento é feito em um tempo mais curto, o custo para o paciente é menor. Ficando mais barato, consequentemente, fica acessível a um público que não tem o costume de frequentar clínicas de psicologia. Assim, a terapia perde um pouco a imagem, ainda consolidade na sociedade, de que se trata de algo elitista, ao alcance somente da classe mais abastada financeiramente. “A hipnose favorece nisso, porque diminui o tempo do tratamento psicológico, por causa do foco”, aponta.
Durante o transe hipnótico, Mônica explica que são passadas sugestões ao paciente com o intuito de atingir o que se procura. Ela cita como exemplo uma pessoa que sofre de diabetes. “Eu tenho de passar para ela, por meio das sugestões, que é preciso evitar o açúcar.”
No caso dos traumas cujas causas são de difícil identificação, a regressão é uma ferramenta muito útil. “Se eu tenho um paciente que sofre de pânico e ele não tem a menor ideia de como esse pânico se instalou, eu busco na infância dele a explicação para o que está ocorrendo”, diz.
Mônica conta que por meio da hipnose é possível melhorar a memorização e o controle da ansiedade - problemas comuns entre estudantes. Ela relata que a ansiedade tem sido um problema recorrente também em crianças.
Segundo ela, atualmente, as crianças têm consciência de praticamente tudo o que se passa à sua volta. Ao contrário do que ocorria antigamente, hoje elas participam das conversas dos adultos, portanto, ficam sabendo de seus problemas e isso gera ansiedade e frustração nelas, segundo a psicóloga.
Não poupar os filhos das frustrações é uma atitude que Mônica incentiva nos pais. Ao invés de poupar os filhos, ela defende a tese de que os pais devem ensinar seus filhos a lidar com elas. “Na vida existem muitas frustrações, temos de estar preparados para enfrentá-las.”
Uma frustração é capaz de deixar marcas profundas. Foi o que aconteceu com Solange (nome fictício a pedido da entrevistada), estudante de 29 anos. O fim de um relacionamento amoroso provocou um desgaste emocional de grandes proporções.
Isso a levou a procurar ajuda psicológica. Com a ajuda da hipnose, Mônica tenta resgatar a autoestima da estudante e parece estar conseguindo. “Eu não me valorizava perante as outras pessoas. Meu lado emocional estava bastante fragilizado”, conta Solange.
Com o tratamento, ela já sente que houve melhoras. “Hoje, não me sinto mais tão inferiorizada. A ponto de dizer não em situações que eu sempre dizia sim. Até minhas amigas estão se surpreendendo”, comemora.