Regional

Mãe e filho morrem na Bauru-Ipaussu

Por Vitor Oshiro | Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Piratininga - Mais uma vez as estradas da região foram palco de uma tragédia. Dessa vez, mãe e filho morreram após colidirem com um caminhão no trevo de Piratininga (13 quilômetros de Bauru). Apenas Rosemary Miya Ishi, 34 anos, e seu filho, Bruno Matheus Eiji Ishi, de 9 anos, moradores de Bauru, estavam no carro, que foi atingido por um caminhão.

O acidente ocorreu no final da manhã de ontem, 150 metros à frente do quilômetro 246 da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó, a SP-255, que liga Bauru a Ipaussu. O automóvel Fiesta, placas EPH 8048, de Bauru, conduzido por Rosemary, acessou o trevo para entrar em Piratininga quando foi atingido lateralmente pelo caminhão placas EJY 8048, de Matão. De acordo com informações do Policiamento Rodoviário, no local existe placa de parada obrigatória no sentido em que estava o Fiesta.

O socorro foi acionado, porém, os dois morreram no local. O Policiamento Rodoviário informou que os dois ocupantes do veículo utilizavam o cinto de segurança na hora do acidente e que ambos estariam nos bancos dianteiros do veículo. Porém, familiares das vítimas afirmaram que Bruno estava sentado no banco traseiro, no mesmo lado do motorista (leia mais no texto abaixo).

O motorista do caminhão, Luis Donisete Rossi, 49 anos, ficou muito abalado. Tremendo, ele afirmou à reportagem que o veículo cruzou a rodovia sem parar e, assim, não foi possível frear a tempo. “Ela atravessou a rodovia de uma vez. Parecia até que estava com a cabeça abaixada. Não tive como fazer nada”, conta.

Na pista era possível ver a grande marca da freada provocada pelo caminhão. A colisão foi tão forte que o veículo foi arrastado por aproximadamente 40 metros pelo caminhão.

Pouco tempo após o acidente, Orlando Eizi Ishi, marido e pai das vítimas, chegou ao local. Assim que se deparou com a gravidade da situação, se desesperou. Junto com outro homem, ele foi conduzido em estado de choque para a Delegacia de Piratininga.

Questionada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Cart - concessionária da rodovia - explicou que todos os pontos onde há cruzamento em nível, como o local do acidente de ontem, são considerados de risco.

Duplicação

A duplicação dos 63,7 km da rodovia Bauru-Ipaussu está entre as exigências do governo do Estado na privatização do corredor Raposo Tavares para a Cart, empresa vencedora da disputa. Mas, de acordo com reportagem publicada no Jornal da Cidade em fevereiro, a obra não estava nos planos imediatos da concessionária.

O prazo é de cinco anos para iniciar a duplicação, com a promessa de conclusão até o sétimo ano da concessão a partir do ano da outorga - 2008, conforme contrato com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). O tempo entre o início e término da obra está vinculado à espera por aumento no volume de tráfego.

A Cart mantém uma praça de pedágio na rodovia, no município de Piratininga, altura do quilômetro 251, a cinco quilômetros do local do acidente.

Em março, após obter uma autorização da agência, a concessionária informou que iria adiantar a duplicação, primeiramente entre o cruzamento da SP-225 (trevo da Eny) e a saída da avenida José Vicente Aiello, defronte ao condomínio Lago Sul. De acordo com a Cart, a obra não foi iniciada porque a empresa não obteve a licença ambiental para executar a duplicação desse trecho.

A duplicação entre Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo deverá ser concluída em 2015, segundo a Cart informou através de sua assessoria de imprensa. Dados de 2006 do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) apontavam que o trecho de pista simples de 63,7 km tinha média de 3.874 veículos por dia contra 9.851 do trecho duplicado entre Santa Cruz do Rio Pardo e o trevo da rodovia Castello Branco.

A rodovia

A SP-225 se divide em dois trechos. Um deles corresponde à Bauru-Ipaussu, de pista simples e que, por esse motivo, provoca maior exposição dos motoristas ao risco de acidentes mais graves, como colisões frontais.

Concedida há dois anos à Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), deverá ser duplicada até 2015 se o cronograma inicial de obras for obedecido.

O outro trecho, já duplicado, liga Bauru a Jaú e responde pelo maior número de acidentes da SP-225. Porém, os acidentes com vítimas graves, de acordo com o Policiamento Rodoviário em reportagem publicada pelo JC em outubro, se concentram na porção não duplicada da rodovia.

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Festa de aniversário seria ontem

O dia era para ser de festa para toda a família, especialmente para o menino Bruno Matheus Eiji Ishi. Ontem seria o dia da festa de seu aniversário de 10 anos. Parentes de Bauru e de diversas outras cidades estavam reunidos em uma chácara em Agudos, onde seria realizada a festa.

A pedido de Bruno, os pais anteciparam a comemoração. O aniversário é apenas no dia 22 deste mês, mas desta vez, o garoto queria a presença de seus amigos da escola. Como o aniversário é próximo ao Natal, muitos desses amigos estariam viajando e não poderiam comparecer à festa. Por isso, foi sugerida a antecipação da comemoração este ano.

Ontem, Bruno quis ir com a mãe, Rosemary Miya Ishi, 34 anos, buscar o bolo de sua festa em Piratininga. Segundo Mitiko Tokuhara, tia de Rosemary, o menino estava muito contente com a festa.

“Ele estava contando os dias de tanta expectativa”, conta ela. A alegria durou até o trevo de Piratininga. A colisão na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-255) não permitiu que ele celebrasse seu décimo aniversário ao lado da família e dos amigos.

Bruno era aluno do ensino fundamental do Preve Objetivo. Rosemary era funcionária da Relojoaria Exótica. De acordo com Mitiko, a família havia retornado do Japão há cerca de um ano. Bruno era filho único de Rosemary e de Orlando Eizi Ishi. A família morava no Jardim Terra Branca. O velório de mãe e filho ocorre no Terra Branca e o sepultamento será hoje, às 11h, no Cemitério Jardim dos Lírios, em Bauru.

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