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PLR engorda conta dos trabalhadores


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São Paulo - No ano em que a economia brasileira deve crescer acima de 7%, boa parte dos trabalhadores vai embolsar uma bolada em participação nos lucros e resultados (PLR) das empresas, que supera o valor pago em 2009 ou no período pré-crise. Não há números consolidados, mas órgãos sindicais dão ideia da importância do instrumento. Só os bancários receberão R$ 3,578 bilhões até março de 2011 em PLR.

A massa de recurso recebeu injeção de R$ 190 milhões extras ante os R$ 3,388 bilhões pagos em 2009, segundo o Dieese. Do total, R$ 1,329 bilhão está em circulação desde novembro, quando os 470 mil bancários do País receberam parte da PLR. “É um dinheiro extra muito bem vindo e que garantiu a realização de um projeto familiar”, diz o escriturário do Banco do Brasil Gabriel Moraes dos Santos, de 36 anos. No mês passado, Santos recebeu R$ 3 mil da PLR do BB e vai receber cerca de R$ 3,9 mil em abril, somando R$ 6,9 mil. Ele mora com a mulher, três filhos e a avó na casa da sua mãe. O dinheiro vai completar a entrada de um apartamento próprio.

Além de rechear o bolso do trabalhador, a PLR movimenta a economia. No ABC paulista, os metalúrgicos conquistaram, ao todo, R$ 390 milhões em PLR, segundo o Dieese. Acordos foram fechados em 201 empresas que empregam 70% da categoria, com 102 mil trabalhadores.

O valor representa salto de 11% em relação ao pago em 2008. A comparação não foi feita com 2009 porque foi atípico em razão da crise econômica, que atingiu de forma diferente os acordos, diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em alguns casos, o trabalhador recebe mais de quatro vezes o salário. Flávio Augusto Terra, de 31 anos, montador da Volkswagen em Taubaté (SP), ganha entre R$ 2 mil e R $ 2,5 mil ao mês. Junto com os 5,2 mil funcionários da fábrica embolsará R$ 10 mil em PLR. Desse total, R$ 4,3 mil foram pagos no primeiro semestre e o restante será pago este mês. “Comprei um apartamento e esse dinheiro vai para o pagamento de prestações”, diz Terra.

Os 10 mil trabalhadores da Nestlé em São Paulo vão receber PLR correspondente a 95% do salário efetivo somados a um valor fixo de R$ 3,3 mil. O piso de admissão na companhia é de R$ 980. “Foi a melhor PLR do setor”, diz Ovídio Garcia Fernandes, da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação do Estado de São Paulo.No polo petroquímico de Cubatão, os 5 mil trabalhadores de empresas como Carbocloro, Copebrás, Dow Química e Bunge recebem salário médio mensal de R$ 5 mil. “A média de PLR fica em torno de R$ 15 mil, mas chega a R$ 20 ou R$ 30 mil no caso de salários mais altos”, diz Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista. O valor deste ano será definido em janeiro.

Complemento salarial

A conquista de parcelas cada vez maiores nos lucros e resultados (PLR) é hoje um dos principais itens da pauta das negociações entre empresas e sindicatos, ao lado do aumento real de salários. “A PLR virou item obrigatório de negociação”, diz o professor Helio Zylberstajn, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Segundo ele, quanto mais se espalha, a PLR se torna cada vez menos participação e mais complemento salarial. “É uma remuneração barata para as empresas, na qual não incide encargo e que nem adquire o caráter de habitualidade”, afirma o professor. “Por isso, ela cresce tanto.”

Mas não significa que a participação do trabalhador esteja vinculada a resultados, ressalta Zylberstajn. “Ela acaba sendo um bônus, quase um 14.º salário. Tanto é que muitas vezes a PLR é negociada nas convenções coletivas.”

A lei, no entanto, permite à empresa decidir o valor que será repartido entre funcionários. A negociação é feita entre trabalhadores e companhia, com o aval de sindicatos, o que favorece as categorias mais organizadas. “A filosofia da PLR é das mais sadias em termos de relações do trabalho”, diz o professor José Pastore, da FEA-USP.

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