Há mais de uma década participando do mundo empresarial, seja como colaborador ou lecionando, pude constatar algumas pequenas razões que mostram o porquê pagamos tão alto por determinados produtos e serviços. Somadas a alta carga tributária que onera os produtos e serviços e ao desconhecimento de políticas de formação de preços estão as famigeradas verbas disso e daquilo. Explico: não raro, para vender seus produtos em determinado local, o fornecedor precisa pagar e, diga-se de passagem, pagar caro para conseguir um espaço. Quem paga a conta? Adivinhe! É você mesmo, consumidor, pois para que o bem chegue até suas mãos ele já passou pelo processo de industrialização, ou seja, teve custo. Passou pelas mãos do governo, mais caro ficou. E, por fim, passou pela tal verba pedida aos fornecedores, enfim, mais custo, mais dinheiro que sai do seu bolso para adquirir determinado produto.
Não bastassem todas essas operações agora temos mais uma para deixar os produtos ainda mais caros: está se tornando corriqueira no universo das empresas a famosa verba de final de ano pedida aos fornecedores para a confraternização de funcionários. Explicando: sou diretor ou dono de determinada empresa e no final do ano peço aos meus fornecedores ajuda financeira para fazer a confraternização de meus funcionários, como se o fornecedor, alguém que estabeleço uma relação comercial, fosse responsável por patrocinar a festa de meus próprios colaboradores.
Ora, é algo incompreensível, porquanto a empresa deve por iniciativa própria reconhecer o empenho e os esforços dos seus colaboradores e promover as tão oportunas e benéficas confraternizações.
E em face desse petitório desmedido a conta explode, novamente, nas mãos do consumidor. Sim, é ele quem acaba indiretamente patrocinando essas festas.
Façamos uma conta básica: se eu tenho 10 clientes que considero excelentes e estes 10 pedem uma ajuda no valor de R$.500,00 e eu para agradá-los e, quem sabe não perdê-los, resolvo colaborar, ao final terei retirado de meu caixa um valor de R$.5.000,00.
A pergunta que fica é: quem paga esta conta? A resposta é óbvia: novamente o consumidor que receberá em alguns meses, quase sempre sem justificativa, um aumento no preço do produto.
A raiz de tudo isso está em um conceito equivocado sobre a relação fornecedor - consumidor. Esta relação é de troca, ou seja, ofereço um produto ou serviço e alguém paga por ele por que está precisando. No entanto freqüentemente o cliente considera estar fazendo um favor para o fornecedor em adquirir seus produtos. E quem não se garante, não oferece produtos e serviços de qualidade invariavelmente tenta “fidelizar” o cliente com as famosas verbas de final de ano.
Portanto, empresas que oferecem ao mercado produtos e serviços de alto nível não ficarão, jamais, reféns das verbas de confraternização ou outras verbas. Elas atuam com excelência e poderão, por isso, oferecer bens de qualidade a preço justo ao consumidor. Pura questão de consciência!
O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião