Londres - O criador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, deve permanecer sob custódia da polícia britânica até 14 de dezembro, depois que o juiz de primeira instância do tribunal de Westminster, no centro de Londres (Reino Unido), rejeitou seu pedido de fiança.
O jornalista John Pilger, o cinegrafista Ken Loach e a socialite Jemima Khan ofereceram até 20 mil libras para pagar a fiança de Assange, segundo o jornal britânico “The Guardian”. Mas o juiz Howard Riddle rejeitou a proposta, alegando ter “motivos substanciais” para acreditar que Assange não compareceria às próximas audiências. O juiz alegou ainda, segundo o “Guardian”, que o caso é muito sério para que Assange seja libertado.
Segundo o jornal britânico, quando questionado sobre seu endereço, Assange tentou dar apenas uma caixa postal. Eventualmente, ele cedeu e deu um endereço na Austrália, seu país natal.
Assange chegou ontem ao tribunal e disse ao juiz que vai lutar contra sua extradição para Suécia - que emitiu uma ordem de prisão internacional contra ele por estupro e assédio sexual.Os juízes britânicos devem decidir se o mandado de prisão sueco levará à extradição do criador do site, que desde a semana passada divulgou mais de 250 mil documentos secretos do Departamento de Estado dos EUA. Assange nega todas as acusações e alega que o caso é apenas uma estratégia para desmerecer as revelações feitas por seu site.
Os advogados de Assange temem que a extradição à Suécia leve à sua extradição aos Estados Unidos, onde o WikiLeaks enfrenta investigação do Departamento de Justiça. A batalha legal, alertam, pode durar meses.
Assange foi questionado se consentiria com a extradição à Suécia. Limpando a garganta, Assange respondeu: “Eu entendo isso e não estou em consenso”.
O juiz da primeira instância deve definir a data de uma audiência sobre a extradição. Isso deve ocorrer dentro de 21 dias a partir de sua detenção, ontem.
Se um juiz aprovar, sua extradição será autorizada. Ele ainda poder recorrer contra a decisão em instâncias mais elevadas.
O jornal britânico “The Guardian” afirma que Assange buscou já na manhã de anteontem assistência consular à Alta Comissão australiana para tentar evitar a extradição. O canal britânico Sky afirma que membros da comissão estavam dentro da corte com Assange.
Ao chegar à corte, o advogado de Assange afirmou que seu cliente está “bem”. “Foi muito cordial. Comprovaram sua identidade. Estão satisfeitos que seja o verdadeiro Assange e estamos prontos para comparecer no tribunal”, disse Mark Stephens, cercado de jornalistas.
Assange, por sua vez, foi visto apenas pela janela do carro e não deu declarações.
Ele foi detido ao se apresentar à polícia de Londres, às 9h30 (7h30 em Brasília) de ontem, em cumprimento da segunda ordem de prisão das autoridades suecas por suspeita de estupro e assédio sexual.
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Para Assange, acusação é ‘perturbadora’
Londres - Em entrevista ao site brasileiro Opera Mundi, Julian Assange disse ser “perturbador” o que define como “articulação política’’ para prendê-lo.
A entrevista foi dada anteontem (véspera da prisão) à jornalista Natalia Viana, representante do WikiLeaks no Brasil.
Assange disse que a acusação de abuso sexual na Suécia é falsa, já que as próprias mulheres envolvidas disseram que houve “sexo consensual”.
O caso chegou até mesmo a ser arquivado, segundo ele, após a procuradoria-geral em Estocolmo, capital da Suécia, ler os depoimentos das duas envolvidas.
A reabertura da investigação ocorreu, ainda de acordo com a avaliação de Assange, exclusivamente por motivação política.
Somente nesta semana, devido ao congelamento dos recursos financeiros, Assange destacou que o site perdeu 100 mil.
No Paypal, site de pagamentos, usado como forma de arrecadação pelo WikiLeaks, o bloqueio foi de 70 mil.
Quanto ao fundo de defesa, dinheiro que estava em um banco da Suíça reservado para pagar os custos judiciais, a perda atingiu cerca de 31 mil.
O criador do WikiLeaks afirmou que é possível visualizar “os tentáculos da elite norte-americana corrupta”nas reações do Paypal e do Amazon, provedor que se recusou a continuar hospedando o site.
Quando perguntado sobre a diferença entre aquilo que o site faz e a espionagem, Assange respondeu que recebe material de fontes confiáveis e “os entrega ao público”.
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Suécia nega pressão política pela prisão
Estocolmo - Uma promotoria sueca negou ontem que o mandado de prisão contra o fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, tenha qualquer tipo de motivação política ou esteja ligado a seu trabalho de divulgar documentos secretos dos EUA.
“Quero deixar claro que não recebemos nenhum tipo de pressão, política ou de outro tipo”, disse Marianne Ny, diretora da promotoria sueca, em comunicado.
“Os promotores suecos são completamente independentes em suas tomadas de decisão”, disse ela.
O jornal “Aftonbladet” cita ela dizendo, em entrevista coletiva em Gothenburg, que não via nada que indicasse um complô. “A investigação criminal não tem nada a ver com o WikiLeaks. Tem a ver com ele pessoalmente”, disse ela.
Ao ser questionada se os EUA também procuram Assange, ela teria dito, segundo uma rádio sueca: “Nenhuma autoridade estrangeira pediu informações. Apenas jornalistas e pessoas buscaram informações”.
“Não divulguei um mandado de prisão europeu para que ele seja entregue aos EUA”, disse ela, segundo a agência de notícias TT.