Internacional

Putin e Lula criticam prisão de Assange

Folhapress
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Moscou - O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem que a prisão do fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, mostra que o Ocidente tem seus próprios problemas com a democracia.

Assange foi preso após se entregar à polícia britânica na manhã de terça-feira. Ele é procurado na Suécia sob suspeita de crimes sexuais contra duas moças, mas nega as acusações e alega que o caso é apenas uma estratégia do Pentágono para desmerecer as revelações feitas por seu site.

Putin questionou, se o Ocidente é democrático, então “porque o senhor Assange está escondido na prisão? Isso é democracia?”.

“Vocês acham que o serviço diplomático dos EUA é uma fonte de informação transparente? Vocês realmente acham?”, disse Putin, visivelmente de bom humor.

Assange se apresentou à polícia britânica na terça-feira. Ele teve um pedido de fiança negado, e deve permanecer sob custódia até 14 de dezembro, enquanto as autoridades britânicas decidem se o extraditam ou não para a Suécia.

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que deveria haver protesto contra a prisão de Julian Assange. Afirmou que o erro não é dele que divulgou, mas dos diplomatas que fizeram os documentos.

“O que acho estranho é que o rapaz que estava desembaraçando a diplomacia foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a liberdade de expressão. Não tem nada contra a liberdade de expressão de um rapaz que estava colocando a nu um trabalho menor que alguns embaixadores fizeram”, disse, durante balanço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), no Palácio do Planalto.

O presidente criticou a busca mundial feita por Assange. “Ele desnuda a diplomacia, que parecia inatingível e a mais certa do mundo, e começa uma busca. Não sei se colocaram cartaz como no tempo do faroeste, procura-se vivo ou morto, e prenderam o rapaz. Não vi um voto de protesto”, disse.

Lula pediu aos assessores que comecem a fazer manifestação no Blog do Planalto. “Se ele leu é porque alguém escreveu. O culpado não é quem divulgou, mas quem escreveu a bobagem. Então, que fique aqui meu protesto”, afirmou o presidente.

Novos ataques

A ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos Sarah Palin, que vem declarando críticas contra o site WikiLeaks e o seu fundador, Julian Assange, teve o seu principal site “sarahpac.com” atacado por hackers.

Também ontem, hackers provocaram o fechamento durante várias horas do site do governo da Suécia. Segundo o jornal “Aftonbladet”, o portal oficial “regeringen.se” ficou fora do ar durante várias horas,

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Holanda prende jovem por ciberataques

Haia -Promotores da Holanda disseram ontem que um jovem de 16 anos foi preso por suspeita de envolvimento com os ataques de hackers a sites financeiros que cancelaram seus serviços ao site de vazamentos WikiLeaks.

Em comunicado, eles afirmam que o jovem participou dos ataques contra os sites da operadora de cartões de crédito MasterCard e o popular site de pagamento online Paypal, entre outros. Ele foi preso em Haia e seu nome não foi revelado.

Não se sabe exatamente qual a extensão da participação do jovem nos ataques, reivindicados por um grupo de cerca de 1.500 hackers autointitulado Anônimo.

O grupo anunciou nos últimos dias a Operation PayBack (Operação Vingança, em tradução livre), uma série de ataques contra sites de empresas que cancelaram os serviços prestados ao WikiLeaks desde o início do vazamento de 250 mil documentos diplomáticos americanos.

Entre as vítimas, estão os sites da Mastercard, da Visa, que suspenderam contas de doações ao site, além do banco suíço PostFinance, que fechou a conta do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e o governo sueco.

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ONU eleva tom contra cerco a WikiLeaks

Washington - A ONU elevou ontem o tom da polêmica sobre o cerco ao WikiLeaks, com a alta comissária para direitos humanos classificando a pressão contra empresas ligadas ao site como tentativa de censura.

Para a comissária, Navi Pillay, o conjunto de ações para cortar laços do WikiLeaks com prestadoras de serviços - entre outros, Amazon, Visa, MasterCard e PayPal- pode ser interpretado como tentativa de impedir o site de publicar, o que viola o direito à liberdade de expressão.

Pillay não nomeou supostos responsáveis pela pressão, mas acredita-se que ela provenha do governo dos EUA.

O WikiLeaks divulga gradualmente desde o dia 28 mais de 250 mil despachos sigilosos de diplomatas americanos.

Segundo fontes diplomáticas, Washington já conversa informalmente com autoridades suecas sobre a possibilidade de transferir Assange para custódia americana.

A ideia é julgá-lo nos EUA por crimes ligados a espionagem, mas há muita incerteza sobre como o processo seria feito - nenhuma lei americana atual se aplica ao caso.

Enquanto isso não ocorre, críticos resolveram tentar calar o site de outras maneiras.

A Amazon parou de hospedar o site, e Visa e MasterCard impediram transferências a ele com seus cartões.

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