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Narcóticos Anônimos lutam para obter sala

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Diferentemente do que foi divulgado na edição de ontem do JC (Neuróticos Anônimos lutam por sala para reuniões), o grupo de apoio a Narcóticos Anônimos (N.A.), que funciona há 16 anos em Bauru, é quem está reivindicando à administração municipal um espaço para a realização de suas reuniões. Atualmente, os dois grupos existentes na cidade fazem seus encontros em salas alugadas e pagas por doações feitas por seus membros.

O N.A. é um grupo de apoio no qual seus integrantes compartilham experiências e dão testemunho de suas lutas pessoais, visando resolver problemas comuns e, assim, se recuperarem da dependência química. A participação nos encontros é gratuita e aberta aos interessados.

O membro do grupo que procurou o JC para tornar pública a reivindicação da sala relata que está há cinco anos no N.A. e desde então não usa drogas. “Eu usava álcool, maconha, cocaína. E estou há 5 anos e 13 dias limpo. Quando entrei no grupo, estava desempregado, minha mulher havia me deixado e meu filho não queria mais saber de mim. Hoje estou trabalhando, reatei meu casamento e meu filho está em recuperação no N.A. junto comigo”, relatou.

Como o N.A. é de utilidade pública e atende a dependentes químicos, inclusive do crack (problema já considerado epidemia), os membros entendem que o ideal seria ter uma sede própria custeada pelo poder público. Um dos membros do grupo, que em respeito às regras do NA teve seu nome preservado, sugere que este espaço seja o imóvel 12-83 da rua Antônio Alves, que está fechado.

Ele relata que protocolou solicitação neste sentido na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) em fevereiro deste ano e obteve resposta verbal de que o prédio está fechado para reforma. Mas ponderando que o N.A. pode esperar a prefeitura reformá-lo, aproveita as discussões em torno do avanço do crack na cidade e a dificuldade para tratar os dependentes da droga para apontar que o grupo de apoio é uma alternativa.

Atualmente, de acordo com ele, boa parte dos participantes das reuniões do N.A. na cidade é dependente de crack. E, por isso, reforça a necessidade do N.A. ter um espaço com sala para reuniões, banheiro e copa. Citando seu exemplo, ele afirma que seguindo a filosofia dos 12 passos pregados pelo N.A., que orienta a pessoa como agir, um dependente de crack pode viver sem a droga mesmo sem tomar nenhuma medicação.

“Seguindo os 12 passos, com fé, força e esperança, é possível”, diz o membro que atualmente já tem afilhados, como são chamados os membros mais recentes e para quem são espelho. “Depois que você compreende a doença, segundo os 12 passos, consegue estacioná-la. Se espelha no companheiro recuperado e diz: Se ele consegue, eu também consigo. É assim que funciona. O N.A. não é para quem precisa, é para quem quer”, completa.

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico irá instalar no prédio 12-83 da rua Antônio Alves o Centro Municipal de Atendimento ao Trabalhador.

Para isso o espaço passará por reforma para se adequar à nova finalidade. A Sebes se coloca à disposição da entidade para novos esclarecimentos, além de colocar a estrutura do prédio da avenida Alfredo Maia à disposição da instituição. A secretaria pretende convidar a entidade para uma reunião no início do ano para verificar no que pode auxiliá-los.

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