Regional

O mato que incomoda a população

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O mato que incomoda a população urbana é o capim alto, enfatiza a pesquisadora da Unesp/Botucatu Lúcia Paleari. “Geralmente, o maior problema é o capim nos terrenos baldios da área urbana. Nesses espaços, a população que carece de educação deposita lixo e as prefeituras costumam aplicar herbicidas indiscriminadamente, até para economizar mão de obra. Um único homem com equipamentos sai para as ruas aplicando a substância sem se preocupar com os malefícios que a aplicação provoca no meio ambiente.”

As substâncias tóxicasm, usadas para matar o capim, matam também as plantas necessárias e toda a fauna de insetos, além de poluir rios. “Está poluindo as ruas da cidade para matar mato. Há a contaminação do solo, porque a chuva se encarrega de levar esse mata-mato para os rios, o que é um problema sério.”

Para a pesquisadora, o correto é fazer a capina, porém não a radical. “O ideal é capinar as áreas, deixando as plantas em tamanho aceitável. Não jogar lixo e nem mata-mato. Acredito que as prefeituras têm recorrido ao método mais fácil, aplicação de herbicidas que usa um número menor de trabalhadores.”

Na agricultura, o comportamento dos herbicidas ou mata-mato não é diferente. “Eles matam as pragas e os inimigos naturais delas, colocando-o a fauna de insetos em desiquilíbrio. Os parasitóides e predadores geralmente são menores do que a praga e muito sensíveis a essas substâncias.”

A pesquisadora diz que não só os insetos invisíveis ao olho nu são encontrados nos Cotons glandulosus. “Além das abelhas Jataís, outras mais comuns mas que produzem mel, se alimentam do néctar das plantas ruberais. O Croton glandulosus reúne uma entomafauna bastante diversificada.”

Insetos adultos de diferentes ordens, carnívoros (que se alimentam de outros animais) ou herbívoros fazem uso do néctar que as flores masculinas de Croton glandulosus produzem nas glândulas localizadas na base interna das flores ou de produtos de outras estruturas glandulares, que são abundantes em Croton glandulosus.

Ao pesquisar a vida dos insetos, as pesquisadoras depararam com revelações intrigantes como no caso da vespinha. “Nem sempre os indivíduos jovens de uma espécie consomem o mesmo tipo de alimento que os adultos. A vespinha adulta alimenta-se de néctar produzido por Croton glandulosus. Na fase de larva, ela consumiu semente de Croton glandulosus.”

O besourinho Apion sp quando larva se alimenta de semente dessa planta, mas na fase adulta, utiliza-se de néctar. “Diversos inimigos naturais de espécies que atacam plantações ou animais de criação, também podem utilizar alimentos diferentes dependendo da fase da vida, jovem ou adulto.” Para as pesquisadoras, esse fato, somado a tantos outros que se referem ao desenvolvimento, aos hábitos de vida dos insetos, nos revela a importância e a complexidade dos estudos voltados à biologia e ecologia dos inimigos naturais das espécies consideradas concorrentes do homem, quando se trata de produzir alimento, seja ela de origem vegetal ou animal.

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