Moscou - Um tribunal de Moscou considerou ontem um ex-magnata do petróleo ligado à oposição russa culpado de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, num processo suspeito de ter motivações políticas.
A sentença contra Mikhail Khodorkovski, 47 anos, que já cumpre pena desde 2005 por suposta evasão fiscal, ainda não foi proferida porque serão necessários vários dias para a leitura do veredicto.
Mas a condenação a mais anos de prisão é dada como certa. A defesa recorrerá.
A Promotoria pediu pena de seis anos por abusos supostamente cometidos quando Khodorkovski dirigia a megaempresa petrolífera Yukos, entre 1998 e 2004.
O empresário e seu principal sócio, Platon Lebedev, são acusados de ter desviado para fins pessoais o equivalente a US$ 27 bilhões em barris da Yukos e de ter usado empresas de fachada para lavar o dinheiro. Khodorkovski arrematou a Yukos em 1995 em um leilão de empresas da era soviética e a transformou num dos maiores e mais rentáveis grupos privados do país.
A exemplo de outros megaempresários russos atuantes nos anos 90, ele carrega a reputação de ter usado práticas ilegais nos negócios.
Mas, ao contrário de muitos dos homens mais ricos da Rússia, que se beneficiaram de uma relativa indulgência das autoridades ao manter distância da política, Khodorkovski desafiou abertamente o poder, em especial o então presidente Vladimir Putin (2000-2008), hoje poderoso primeiro-ministro.
Após financiar partidos oposicionistas e denunciar casos de corrupção no governo, ele foi preso em 2003. Putin então desmantelou a Yukos e a colocou novamente sob controle do Estado.
Partidários de Khodorkovski dizem que os processos são uma vingança de Putin, que estaria pressionando a Justiça de olho no pleito presidencial de 2012.
O caso gerou críticas. Para EUA e Alemanha, o caso afeta a reputação da Rússia.