Nova York - Depois de trazer o caos aos transportes, afetando milhares de voos, rotas ferroviárias e rodovias, a intensa nevasca que atingiu a região nordeste dos EUA finalmente se dissipou rumo ao Canadá mas deixa um saldo de prejuízos e muitos transtornos ainda por serem resolvidos. A situação deve continuar caótica ao menos até o Ano Novo.
Nos aeroportos, os passageiros que perderam mais de 4.155 voos, segundo a rede de TV CNN, precisam agora remarcar suas passagens e as companhias aéreas devem levar dias para desafogar a fila de espera.
“Cerca de 4.500 voos não decolaram nos últimos dois dias e levará dois a três dias para administrar estas pessoas e voltar a um mínimo grau de normalidade”, disse o porta-voz da autoridade regional de transportes Steve Coleman.
Os três maiores terminais aéreos de Nova York foram fechados por volta do meio dia do último domingo e só reabriram na noite de ontem, para decolagens. Os pousos foram retomados ontem pela manhã.
De acordo com a porta-voz da agência federal de transportes, Sterling Payne, o governo já coordena com as companhias aéreas e aeroportos um esquema especial para aumentar o número de funcionários frente à gigantesca demanda reprimida de voos.
Dificuldades
Mais de 24 horas após o fim da neve e mesmo com a volta do sol, Nova York continuava ontem a enfrentar problemas: casas sem energia, ruas intransitáveis e lixo acumulado.
Na manhã de ontem, havia ao menos 8.000 residências em Nova York sem luz, número similar ao de Nova Jersey. O cenário era ainda mais grave em Massachusetts, em que 60 mil clientes estavam sem energia, interrompida pelos fortes ventos e pelas árvores caídas que cortaram as linhas de transmissão.
As ruas também eram um problema, já que a neve continuava acumulada em muitas regiões, especialmente fora de Manhattan. Um dos principais locais de reclamação era Astoria, no Queens, região que concentra boa parte dos brasileiros.
Moradores da região afirmam que os veículos da prefeitura não passaram por lá para retirar a neve.
“No começo, foi empolgante e bacana ver toda essa neve, já que sou do Texas, mas no segundo dia ficou bem frustrante. As calçadas estavam uma bagunça”, disse o turista Will Robinson, de 24 anos.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse anteontem que a administração está fazendo o possível para limpar as ruas da cidade.
Um dos motivos atribuídos para a demora é que há muitos carros abandonados nas ruas, que impedem a passagem dos veículos da prefeitura.
“Nós estamos tentando chegar a cada rua o mais rápido e da maneira mais segura possível’’, afirmou. “Vocês podem esperar mais 24 horas, mas, mesmo até lá, não tenho certeza de que teremos chegado a todas.’’
Com as ruas ainda com bastante neve, vários serviços estão sendo prejudicados. É possível encontrar muito lixo acumulado, até mesmo debaixo da neve, já que os caminhões não conseguem entrar em várias ruas para recolher.
Nova-iorquinos limpavam na terça-feira a neve com pás depois que uma das maiores nevascas da história atingiu a cidade.
As ruas normalmente movimentadas da cidade estavam praticamente vazias, muitas ainda cobertas por montes de neve, e o transporte público, gravemente afetado, retomava as operações regulares, depois que 50,8 centímetros de neve cobriram Nova York num período de 17 horas entre domingo e segunda-feira.
“No começo, foi empolgante e bacana ver toda essa neve, já que sou do Texas, mas no segundo dia ficou bem frustrante. As calçadas estavam uma bagunça”, disse o turista Will Robinson, de 24 anos.
O mercado financeiro operou normalmente, mas o volume de negócios da segunda-feira de 2 bilhões de ações na Bolsa de Nova York foi o mais fraco do ano.
Boston, Filadélfia e outras cidades da Costa do Atlântico também sofreram com nevascas e todos batalhavam para voltar ao normal depois de um feriado em que o lixo não foi recolhido, os escritórios ficaram fechados e os consumidores ficaram em casa. Este período normalmente é o mais movimentado do ano para o comércio.
Com 4.500 voos cancelados ou atrasados no domingo e segunda-feira só nos três aeroportos de Nova York, dezenas de milhares de passageiros ficaram “acampados” nos terminais. As companhias aéreas deverão precisar de mais um dia ou dois para dar conta de atender todos os passageiros das listas de espera.
Um avião da British Airways ficou por quase oito horas na pista do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, depois de aterrissar de um voo de Londres na terça-feira. A companhia aérea responsabilizou o congestionamento aéreo e a falta de pessoal de imigração e de alfândega.
“Depois de duas horas no controle de segurança, apenas quatro pessoas para mais de 500 passageiros, e a bagagem ainda está no avião! Mas é bom estar de volta”, o passageiro Matthew Bishop, chefe da redação de Nova York da revista The Economist, disse no Twitter.
Na Filadélfia, 305 passageiros ficaram retidos e passaram a noite de segunda-feira no aeroporto. No domingo, foram 1.215 passageiros, disse um porta-voz do aeroporto. Trens de subúrbio sofreram atrasos de até 30 minutos e ônibus estavam rodando pontualmente, disse um porta-voz do serviço de trânsito.
Em Boston, dezenas de milhares de cidadãos ficaram sem energia depois de 46 centímetros de neve, a décima pior nevasca da cidade desde que o Serviço Nacional do Tempo começou a registrar números, em 1892. A cidade iniciou sua operação de emergência de neve na segunda-feira e o transporte público estava operando praticamente sem problemas na terça-feira.
REAÇÃO DA PREFEITURA É CRITICADA
Os mais de 50 centímetros de neve que caíram no Central Park marcaram a sexta maior nevasca de Nova York desde que são feitos registros, disse um porta-voz do Serviço Nacional do Tempo. Até 81 centímetros de neve caíram em Nova Jersey. Os ventos atingiram 105 quilômetros por hora.
O recorde de neve para Nova York é de 67,1 centímetros, em 11 e 12 de fevereiro de 2006.
Como era de se esperar, nova-iorquinos reclamaram dos serviços da prefeitura, com a frota de 2.000 caminhões de limpeza de neve enfrentando os quase dez mil quilômetros de ruas da cidade.
Com ambulâncias e ônibus atolados na neve e muitos bairros nos distritos fora da ilha de Manhattan sem serviços de limpeza de neve, choveram acusações de que a prefeitura não se preparou para uma nevasca que foi prevista há dias.
“Se sua rua foi limpa, a resposta foi adequada. Se sua rua não foi limpa, não foi adequada. Gritar e reclamar sobre isso não ajuda”, disse o prefeito Michael Bloomberg em entrevista coletiva.
A praça Times Square estava praticamente toda limpa em preparação para a celebração do Ano Novo, na noite de sexta-feira.
O trânsito fluía normalmente sobre uma fina camada de neve derretida, depois que o chamado “cruzamento do mundo” ter ficado quase sem carros na segunda-feira, com montanhas de neve.
(Reportagem adicional de Bernd Debusmann Jr. e Edith Honan, em Nova York; de Ros Krasny, em Boston; de Jon Hurdle, na Filadélfia; e de Kyle Peterson, em Chicago)
2010-12-28 20:07:39 GMT+00:00
Em grandes metrópoles como Nova York, Boston, Filadélfia, Chicago, Charlotte e a capital Washington, a previsão é de que as temperaturas não subam de zero ao menos por mais uma semana, o que deve dificultar o derretimento ou remoção da espessa camada de neve - mais de 60 cm em muitos locais - que cobre as cidades.
“Esta tempestade foi uma das mais desafiadoras que tivemos nos últimos anos”, disse o gerente geral do aeroporto La Guardia, em Nova York, Thomas Bosco.
Segundo a CNN, cerca de 400 passageiros tiveram que passar a noite dentro de um trem do metrô de Nova York, informou o porta-voz Charles Seaton.
Aeroportos
A Agência de Aviação Civil dos EUA (FAA, na sigla em inglês) ordenou a reabertura dos aeroportos JFK, La Guardia e Newark ainda na noite de ontem, para decolagens. Os pousos seriam retomados somente na manhã de hoje.
Os três maiores aeroportos da cidade retomaram parcialmente suas atividades após um dia de muito trabalho para remover a neve das pistas, que acabou adiando a reabertura.
Meteorologistas indicam que a tempestade que trouxe uma das piores nevascas dos últimos anos à região nordeste dos EUA já se move em direção ao Canadá, embora o acúmulo de neve deixado em diversos Estados deva levar dias para derreter ou ser removido.
As temperaturas nesta parte do país não devem subir muito além de zero por no mínimo mais uma semana, o que também dificulta a remoção da neve.
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Neve ainda afeta voos no Brasil
Nova York - As condições meteorológicas continuaram a afetar os voos entre Brasil e Nova York ontem. Desde o fechamento dos três maiores terminais aéreos de Nova York até a tarde de ontem, foram cancelados pelo menos 14 voos que fariam o percurso.
Destes, sete voos da TAM, quatro da American Airlines, um da Continental Airlines e dois da Delta Airlines.
Apesar de os voos estarem aos poucos sendo retomados, a Continental, a TAM e a Delta Airlines - companhias aéreas que fazem a rota- tiveram quatro voos que partiriam do Brasil aos EUA cancelados ontem.
De acordo com a Continental, seu voo que partiria de Guarulhos ontem para o aeroporto de Newark foi cancelado porque um voo que estava atrasado saiu no lugar do que deveria partir.
A assessoria da Delta não informou quantos voos entre Brasil e EUA foram cancelados. Segundo a Infraero, hoje foram dois da companhia. Todas as outras partidas para os EUA estavam previstas.
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Teleférico cai
Maine - Um cadeira caiu do cabo do teleférico no resort de esqui Sugarloaf Mountain, no Maine, ontem, ferindo oito pessoas, disse o resort em nota. O resort, na segunda montanha mais alta do Maine, tinha ventos de até 63 quilômetros por hora e temperaturas de menos 11 graus Celsius.