De acesso mais difícil pela distância e profundidade - de 15 a 50 metros -, o espanhol Príncipe de Astúrias é a embarcação mais famosa e visada da ilha, justamente por ainda ter peças valiosas. Seu naufrágio, ocorrido em 1916, é considerado o maior do País por causa do elevado número de mortes - 477 oficialmente registradas, que podem chegar a mais de mil se contar os clandestinos.
Ex-mergulhador da Marinha de Guerra, Jeannis Platon, de 62 anos, foi um dos que mais exploraram o “Titanic brasileiro”. Grego naturalizado brasileiro, ele dirige a ONG Fundação Mar, que desenvolve projetos, dá cursos de mergulho e reúne mais de 500 peças de naufrágios retiradas por ele e os amigos e cerca de mil compradas de caiçaras e desmanches de navios.
O acervo está na sede da entidade, em São Sebastião, e no Museu dos Naufrágios, aberto em julho em Ilhabela.
De 1981 a 1991, Platon fez expedições autorizadas ao local de naufrágio do Astúrias. Nas mais de mil viagens a bordo do caça-minas Hipocampo, ele retirou objetos que vão de baixelas a uma das 12 estátuas de bronze que seriam instaladas em um monumento em Buenos Aires - hoje instalada no Museu Naval e Oceanográfico, no Rio.
Segundo ele, todo o material foi apresentado à Marinha, que definiu o que queria e do que abria mão.
O mergulhador, que se aposentou da atividade e divide o tempo entre a ONG e sua loja de suvenires, ainda sonha em voltar a explorar o Astúrias e buscar as outras estátuas.
Para isso, diz ter feito um projeto de pesquisa, para o qual aguarda autorização. Ele afirma conhecer a localização das peças e diz que as venderia caso consiga a autorização. “Se você gasta dinheiro para encontrar, tem de ser ressarcido”, ressalta.