Regional

Expansão da hidrovia reflete no aumento no volume de cargas

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 6 min

O membro do Comitê Técnico da Hidrovia Tietê-Paraná e diretor de Turismo de Barra Bonita, Ivan Franco Pinheiro Machado, afirma que a hidrovia cresce no volume de cargas 10% ao ano. Com a construção do alcoolduto entre Anhembi a Paulínia, para exportação, vai aumentar ainda mais o movimento de transporte pela hidrovia.

"O terminal deve coletar todo o álcool produzido pelas usinas ao longo do Tietê e chegará à refinaria de Paulínia por meio de dutos. No caminho inverso deve vir gasolina e diesel para abastecer o Interior do Estado. Esse projeto da Tanspetro já está em andamento".

A Secretaria Estadual dos Transportes tem projeto de aumentar em 200 km a navegabilidade pelo Tietê e abriu licitação para contratar uma empresa especializada que vai fazer os estudos - a abertura dos envelopes será no dia 19 de janeiro de 2011.

Os estudos deverão avaliar a viabilidade do aproveitamento do trecho de forma global, considerando o potencial hidroenergético, a extensão da Hidrovia Tietê-Paraná até a cidade de Salto e a contribuição que as obras hidráulicas poderão dar para o combate às cheias na sua região de influência.

Machado, também representante do Sindicato das Marinas do Estado de São Paulo (Sindmar), está há 10 anos como representante no comitê da hidrovia. O governo estadual deve gastar R$ 2,4 milhões para estudar profundamente a extensão da hidrovia.

Ao todo serão necessárias seis novas eclusas (procedimento que possibilita ao navio vencer desníveis) de 6 a 12 metros. "A princípio não serão para geração de energia, porém o estudo vai verificar se compensa instalar gerador para produzir energia", explica.

A hidrovia Tietê-Paraná tem 18 anos de atividades e uma peculiaridade diferente. O Tietê não corre para o mar, ele desagua no rio Paraná. "Isso dificulta chegar ao oceano Atlântico, o que poderia ser um grande canal de escoamento de exportação, como em qualquer lugar do mundo, onde os portos entram pelos rios. A situação nossa é diferente", pontua Machado.

O diretor ressalta que o projeto para a hidrovia contempla vários aspectos. Segundo Ivan Machado, hoje toda a produção transportada pela hidrovia é destinada à exportação, como é o caso do transporte de grãos e farelo de soja. Há ainda o transporte de cana-de-açúcar e areia, mais local e recentemente, o álcool (etanol) que deve incrementar o transporte de combustível na hidrovia.

Machado acredita que essas obras, em especial a barragem que ligaria Artemis a Piracicaba, podem fomentar o desenvolvimento do turismo em Barra Bonita.

"O transporte hidroviário hoje é uma realidade, mas precisa de novos investimentos. Se essas obras forem realizadas, Barra Bonita será privilegiada, pois quando se pensa em hidrovia nossa cidade sempre vai estar numa posição de destaque já que tem uma infraestrutura e um histórico para o turismo fluvial. Se pensarmos em nível regional, vamos ter uma malha viária maior para explorar não apenas no ponto de vista do turismo, como de cargas e indústrias em áreas próximas a Piracicaba, Rio Claro, São Carlos e outros centros. Além disso, é o primeiro passo para tornar factível a construção do anel hidroviário metropolitano na capital paulista", comenta.

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Hidrovia terá estudo
para ampliar 200 km


A expansão da hidrovia Tietê-Paraná em mais 200 quilômetros, a partir da cidade de Anhembi, vai possibilitar uma nova conexão hidrovia-ferrovia-rodovia em Salto. Com isso, a hidrovia que hoje possui 650 quilômetros no trecho paulista, chegará a 850 quilômetros navegáveis.

O projeto contempla a construção de até cinco barragens, de baixo impacto ambiental e capazes de gerar energia à região, com eclusas que permitirão a passagem das embarcações.

O aproveitamento dos barramentos das eclusas viabilizará a construção de cinco pequenas centrais hidrelétricas (PCH), que, podem produzir energia elétrica considerada renovável, e também vão ao encontro da Política Estadual de Mudanças Climáticas por evitar a emissão de gases de efeito estufa.

A expansão entre Anhembi-Salto beneficiará o transporte de cargas como soja, milho, álcool e cana. Em 2009 foram transportadas 5 milhões de toneladas de cargas e a previsão é fechar 2010 com cerca de 5,5 milhões de toneladas. A estimativa é de que a extensão da hidrovia possa quadruplicar a movimentação de cargas e chegar a 20 milhões de toneladas ao ano. Operam atualmente na hidrovia, na navegação comercial, uma frota de 151 barcaças e 40 empurradores, pertencentes a seis empresas.

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Prefeito aposta em base do alcoolduto no município


O alcoolduto de Anhembi está em fase de licenciamento ambiental, mas o prefeito de Botucatu, João Cury (PSDB), está confiante de que o município não seja só a passagem dos dutos e ganhe também uma base.

Desde 2009, ele está em contato com a Uniduto, Cury acredita que a base, os tanques de armazenagem do etanol, sejam instalados próximo ao pé da serra, a chamada Cuesta. Assim há possibilidade também de agregar valor com arrecadação de impostos e geração de empregos.

O projeto inicialmente da Uniduto, formado por produtores de etanol, não tinha ainda a participação da Petrobras, o que gerou dúvidas se seria viabilizado economicamente, mas com a entrada da Petrobras como parceira, Cury acredita que o investimento sai.

O município já teve audiência pública para discutir o relatório de impacto ambiental. "Estamos acompanhando o processo, a empresa se mostrou interessada em seguir todas as normas ambientais. Isso é bom para evitar problemas de poluição e danos ecológicos", afirma.

A Uniduto desenvolveu um minucioso estudo que envolve 22 consultorias e mais de 100 especialistas das áreas de engenharia, geologia, economia, sociologia, geografia, comunicação social, dentre outras.

O alcoolduto está orçado em R$ 2 bilhões. "Sei que há questão de mercado, porém em termos estratégicos Botucatu tem condições de abrigar a base devido a posição logística de possuir entrocamento ferroviário, rodoviário e a hidrovia", diz. Botucatu tem a linha tronco da ferrovia que liga ao porto Santos, ao Paraná e até o Mato Grosso do Sul. Assim que sair a licença ambiental, a obra está prevista para abril do ano que vem. As operações devem começar na safra 2011/2012. Ao todo são 570 km de dutos, com quatro centros receptores e dois de distribuição para o mercado interno, em Paulínia.

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Alargamento de
pontes é primordial


O investimento na ampliação de vãos de pontes é importante para eliminar os "gargalos". De 17 pontes, que cruzam a hidrovia Tietê-Paraná, oito tiveram os vãos ampliados. Estas obras reduziram em até duas horas o tempo de viagem e geram uma economia de 20% nos custos de transporte.

Devido a dificuldade para cruzar essas pontes no ano passado uma empresa entrou em confronto com a Marinha devido as multas aplicadas por não obedecer às operações de desmembramentos das chatas para não provocar abalroamento nos pilares.

O Departamento Hidroviário vai destinar cerca de R$ 300 milhões para alargar os vãos das pontes que cortam o canal de navegação ao longo dos 650 quilômetros da hidrovia no trecho paulista.

A maioria possui vão inferior a 50 metros, o que torna a navegação dos comboios excessivamente lenta. Uma ponte problemática fica em Barra Bonita.

A Tietê-Paraná tem um transporte unidirecional no sentido oeste-leste e muito fraco no sentido oposto. O principal problema brasileiro ainda é a cultura muito focada no modal rodoviário. Os projetos não levam em consideração a hidrovia, sistema mais barato e menos poluente.


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