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Você ama ou idolatra?

Regina Damiati
| Tempo de leitura: 3 min

Desde quando amar é fazer tudo que o outro quer? Quem disse que amar é concordar com tudo? Como consegue um ser humano adulto delegar responsabilidades e decisões nas mãos de crianças de 4, 5 anos? Meu Deus, como fazê-las perceber que essas crianças precisam de pais e não de amigos ou adoradores?! Precisam ultimamente muito mais de limite do que carinho... elas estão suplicando por li-mi-te!!! Elas necessitam de limite, é necessário que descubram até onde podem ir, mas os pais estão eliminando a cerca e chamam isso de amor! Isso não é amor, porque o amor dói, machuca educar, tem que ter muito amor para assistir o filho crescer, porque crescer é difícil, só através do esforço que se aprende a viver. Não se feche para o óbvio. O que chamam de amor eu chamo de comodismo, realização das suas frustrações em inocentes, é preguiça de ler e se informar, é se iludir numa alegria utópica, em sorrisos curtos que trarão uma infindável dor no futuro. É idolatria. O sofrimento é tão necessário quanto a água, é inevitável! Quando vão perceber isso? Se não vem em doses leves, virá acumulado na adolescência, acredite. Não falo do sofrimento violento, não falo do sofrer - penar. Eu falo do sofrer que ensina a se levantar, a respeitar o próximo, do olhar para o outro, do aprender a compartilhar, dividir.

Outro dia no salão assisti uma criança de 4 anos chamar a mãe de nomes feios, que por sua vez achou normal, lindo. Eu senti muita pena daquela menininha. Ela será superficial, antipática, insuportável. Provavelmente usará drogas ou tentará se matar quando descobrir que o mundo não gira em torno de si, como a mãe lhe ensinou. Na melhor das hipóteses, será uma frustrada ou frustrará a todos em sua volta. Às vezes assisto mães tentando encobrir os erros dos seus filhos, tratando-os como incapacitados, intocáveis, como falsos deuses. E o pior é que se sentem as melhores por isso. Mal sabem que quando estão entre pessoas lúcidas, bem informadas, íntegras e dispostas só causam pena. Tenho um exemplo próximo de uma pessoa que foi idolatrada quando criança e hoje não consegue enxergar o outro. Destruiu a própria família, se auto-mutilou, culpa a mãe por tudo, não consegue pensar na felicidade dos próprios filhos. Não aprendeu a se doar. É admiravelmente inteligente, mas não sabe o que é amar de verdade. Eu sinto muita pena.

Pais que estão ensinando seus filhos a olhar somente para o próprio umbigo, respondam: o mundo aceitará alguém assim? Acredita realmente que poupando seu adorado (a) vai transformá-lo numa pessoa feliz?!

Seu filho não quer ser um falso deus, ele quer ser alguém! Precisamos urgentemente praticar a humildade. Deixem a idolatria para os fracos e frustrados. O amor é bem melhor porque ele gera frutos, causa o bem e gera felicidade. Você que diz que ama (cônjuge, mãe, filho, amigo, namorado etc): será mesmo?

A autora, Regina Damiati, é colaboradora de Opinião

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