Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, dedicou seu discurso durante a transmissão de cargo para negar a avaliação já corrente de que é o homem forte do governo. Ele renegou também o título de articulador político da presidente Dilma Rousseff (PT). "Essa interpretação, esclareço, que ela não é real", disse o ministro no início da tarde de ontem, em uma cerimônia de pouco mais de 20 minutos no Palácio do Planalto.
O novo ministro recebeu o cargo de Carlos Eduardo Esteves Lima, interino desde outubro de 2010, quando a ex-ministra Erenice Guerra pediu diante as denúncias de tráfico de influência envolvendo o nome dela. Esteves Lima permanece na Casa Civil como seu assessor especial.
Palocci assume a Casa Civil com menos atribuições que Dilma tinha quando comandava a pasta. Além da transferência para o Ministério do Planejamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do "Minha Casa, Minha Vida", a Secretaria de Administração, que coordena os serviços nos palácios, também deixa de ser responsabilidade da Casa Civil. Vai para a Secretaria Geral da Presidência, comandada pelo ministro Gilberto Carvalho.
Apesar de negar o título de "superministro", Palocci mandou recado para o colega Luiz Sérgio (PT-RJ), ministro responsável pela Assuntos Institucionais. "Caro Luiz Sérgio, conte sempre com meu apoio, mas a bola é toda sua", disse, afirmando que, na Casa Civil, não terá atribuição de discutir temas políticos centrais de outras pastas.
Primeira missão
A primeira missão dada pela presidente Dilma Rousseff a Antonio Palocci foi a de buscar a pacificação do PMDB. O partido vive um momento de forte estresse no relacionamento com o PT, que se apossou de cargos importantes antes dominados pelos peemedebistas, como a presidência dos Correios e a Secretaria de Atenção à Saúde, e agora pretende avançar sobre a Fundação Nacional da Saúde (Funasa).
São postos que dominam orçamentos gigantescos. A Atenção à Saúde, perto de R$ 45 bilhões; os Correios, R$ 12 bilhões; a Funasa, R$ 5 bilhões. Têm presença em todas as regiões do País, o que dá uma grande visibilidade ao partido que as controla. Dilma teme que o PMDB inicie algum movimento de retaliação aos petistas em votações importantes, como a da medida provisória que fixou o salário mínimo em R$ 540,00.
A situação é tão grave que o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o ministro da Justiça, Alexandre Padilha, tiveram um forte desentendimento, com acusações e xingamentos de parte a parte. Dilma convocou para a tarde de hoje uma reunião do Conselho Político, que é integrado pelos líderes e presidentes dos partidos da coligação do governo. Quer dar início às conversações de paz no encontro.
O vice-presidente Michel Temer vai participar da reunião do Conselho Político. Palocci disse à reportagem que espera contar com a ajuda dele. O vice continuará a ter controle sobre o PMDB, visto que não se afastará da presidência do partido. Vai apenas se licenciar. Enquanto isso, o partido será presidido interinamente pelo senador Valdir Raupp (RO).
Palocci afirmou ainda que vai conversar muito com os líderes peemedebistas na Câmara, Henrique Alves, e no Senado, Renan Calheiros (AL), na busca da retomada do diálogo. O ministro da Casa Civil informou ainda que já iniciou as conversações para o segundo escalão do governo, e que o PMDB terá seu espaço.
Num encontro com o ex-governador e ex-ministro Iris Rezende, candidato derrotado ao governo de Goiás na última eleição, Palocci ofereceu a ele um posto no segundo escalão. Iris disse que não quer nada, até porque sua idade não o anima mais a assumir um cargo destes. Mas pediu pelo deputado Marcelo Mello, que foi candidato a vice em sua chapa.
Palocci prometeu a Iris que encontraria um "bom" cargo para Mello. E já o localizou. Fez chegar ao PMDB de Goiás a informação de que o vice na chapa de Iris será contemplado com uma diretoria da Embratur.