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2011 terá quatro grandes feriados

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

O ano que começa será marcado pelo grande número de feriados e emendas, especialmente no primeiro semestre, quando estão previstos três deles. O primeiro é o Carnaval, que em 2011 será festejado na terça-feira, 8 de março. No entanto, a comemoração que, segundo o ditado, marca o verdadeiro começo do ano para os brasileiros, costuma durar do sábado que antecede o feriado até a Quarta-feira de Cinzas.

Pouco mais de um mês após o Carnaval, serão feriados os dias 21, 22 e 24 de abril: a quinta-feira em memória da morte de Tiradentes, a Sexta-feira da Paixão e o domingo de Páscoa, respectivamente, ocasionando a paralisação do País por quatro ou até cinco dias consecutivos, já que muitos setores podem parar a partir da quarta-feira.

Já os feriados de Corpus Christi, no dia 23 de junho, e da Proclamação da República, em 15 de novembro, vão emendar uma sexta e uma segunda-feira a finais de semana.

Segundo Benedito Luiz da Silva, membro da diretoria da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), o grande número de feriados gera um prejuízo incalculável para a economia brasileira. "E não é apenas o comércio e a indústria que sofrem, pois o setor de serviços também é muito afetado. Podemos citar como exemplo a construção civil", aponta.

Acordos

Silva afirma que a situação é pior para os pequenos comerciantes, que por conta de acordos trabalhistas, não abrem as portas nos feriados. "Precisamos repensar os acordos entre empresários e funcionários em busca de uma proposta menos radical que não prejudique nenhuma das partes", avalia.

Para Benedito, a abertura do comércio de Bauru nos feriados é uma questão fundamental e estratégica para a cidade, pois atrairia consumidores de toda a região para o polo central.

"As grandes redes de lojas e supermercados ainda conseguem funcionar, mas os estabelecimentos menores sofrem com a evasão de recursos", observa.

Luiz Otaviano Machado, presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), é um pouco mais otimista e acredita no sucesso das vendas nos dias que antecedem e sucedem os feriados.

"Nós não deixamos de abrir as lojas nas emendas de feriados, mas os resultados poderiam ser ainda melhores caso Bauru contasse com mais atrativos turísticos", sugere.

Segundo Machado, podem ser encontradas soluções para as situações que, inicialmente, pareçam desfavoráveis ao comércio. "Temos aí o exemplo do sucesso das promoções da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que atraem os clientes ainda mais nas ocasiões de feriados", explica.


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Estado laico x feriados religiosos

Constitucionalmente, o Brasil é um Estado laico, ou seja, independente de igrejas e religiões. No entanto, o calendário oficial é repleto de feriados religiosos, especificamente católicos, como a Sexta-feira da Paixão e o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Segundo o antropólogo Cláudio Bertolli, isso acontece porque a Igreja ainda exerce um poder muito forte sobre os políticos. "O impacto social por entrar em confronto com os interesses da Igreja pode ser muito forte, como foi com a questão do aborto na última eleição presidencial", explica.

Bertolli afirma que os feriados no Brasil estão cada vez mais vazios de conteúdo. "Eles não são celebrados, são apenas oportunidades para descansar. Lembro de quando eu era criança, até as emissoras de rádio paravam de funcionar ou tocavam apenas música clássica na Sexta-feira Santa. Hoje isso não existe mais", lembra.


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Datas são originadas na tradição cristã-católica

O antropólogo Cláudio Bertolli afirma que o grande número de feriados no Brasil tem origem na tradição cristã-católica. Segundo ele, até a Idade Média, eram celebrados cerca de 80 feriados religiosos na Europa.

"As coisas começaram a mudar com a ascensão do Capitalismo, por volta dos séculos XVI e XVII, quando os feriados começaram a ser abolidos", explica.

Bertolli conta que o País herdou essa cultura de feriados, chegando a parar no dia 14 de julho, por conta da Revolução Francesa. "Nos Estados Unidos, por exemplo, trabalha-se normalmente no Dia do Trabalho. Aqui, ironicamente, descansa-se", aponta.

Com a contínua redução dos feriados, foram criadas as emendas com o objetivo de "recompensar" a sociedade pelos dias de descanso perdidos.

"A consequência disso é uma perda geral para o indivíduo e para a sociedade, mesmo que ela não perceba. Economicamente e socialmente, os efeitos são negativos, pois a produção e os serviços são paralisados. Nós ficamos bloqueados", afirma Bertolli.

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