Brasília - Após uma sucessão marcada pelo embate interno no PP, Márcio Fortes transmitiu na tarde de ontem o cargo de ministro das Cidades ao colega de partido, o deputado federal Mário Negromonte (PP-BA). E justificou as poucas palavras de seu discurso de despedida dizendo que "ninguém quer ouvir quem sai".
Fortes tentou se manter no cargo, mas foi constantemente bombardeado nos bastidores pela ala majoritária da bancada do PP na Câmara. Sob o argumento de que ele não tinha boa relação com os deputados federais, esse grupo fez chegar a Dilma Rousseff que a sua manutenção não contemplaria a legenda.
Em seu discurso de despedida, o agora ex-ministro disse que seu cargo foi muito "cobiçado" e que não precisaria fazer balanço nenhum, já que isso seria de conhecimento de todos.
Após a solenidade, disse encarar de forma natural a falta de apoio que teve na legenda. "Nunca pedi respaldo a ninguém, meu respaldo é o meu trabalho", afirmou, acrescentando que não é só no PP que há lobby para emplacar deputados "em lugar de um quadro técnico.
Fortes disse ainda ter três convites da iniciativa privada e um da "área governamental", mas não deu detalhes.
Em seu discurso de posse, Mário Negromonte demonstrou emoção em alguns momentos - quando citou os eleitores da Bahia - e agradeceu em primeiro lugar "o apoio da bancada". Ele prometeu adotar como prioridade "número 1" a gestão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) relacionadas à Copa do Mundo de 2014.
Negromonte disse não ter interpretado a rápida solenidade como sinal de constrangimento.