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Bauruenses já esperam novidades

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 7 min

Como uma feira realizada na cidade norte-americana de Las Vegas pode ter alguma influência em Bauru? A resposta para a questão é exatamente o próprio conteúdo dessa exposição: a tecnologia. Do mesmo modo que a revolução tecnológica moderna ? que possibilita informações viajando pelos "quatro cantos" do mundo em poucos segundos -, os aficionados pela modernidade enxergam nessa feira, a Consumer Electronic Show (CES), o local onde serão definidos os rumos das "engenhocas" que, em alguns meses, chegarão às cidades brasileiras.

Considerado o maior evento de eletrônica de entretenimento mundial, a CES, que começou na última quinta-feira e termina hoje, girou em torno do tema conectividade. Durante esses quatros dias, o público pôde conhecer novidades relacionadas a todo tipo da tecnologia moderna, desde os populares ? mas pouco acessíveis ? tablets até mesmo discussões sobre os rumos da inventividade do 3D.

Para o professor do Departamento de Computação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru Wilson Yonezawa, mesmo tão distante, hoje, as novidades se propagam com muito mais velocidade do que antigamente e, em breve, o que for discutido e apresentado na feita de Los Angeles deve estar chegando nas lojas das cidades brasileiras, inclusive em Bauru.

"Antes, uma novidade em termos eletrônicos que surgia no exterior demorava muito para ingressar no Brasil. Atualmente, isso leva menos tempo. É uma questão de meses apenas. É lógico que ainda há uma preferência aos mercados principais, como Estados Unidos, Europa e Ásia, porém, também se pensa em mandar essas novidades para os mercados emergentes, como o Brasil", aponta.

Em relação especificamente ao que está sendo discutido na feira de eletrônicos, o professor acredita que as principais novidades sejam em torno dos tablets, pois, é a "onda do momento". Atualmente, o tablet mais famoso ? e quase exclusivo ? é o iPad, da empresa Apple, que, por ter um evento exclusivo para demonstração de seus produtos, acaba não participando da feira de Las Vegas.

Entretanto, é justamente a ausência da empresa que é vista como um dos pontos mais positivos da feira. Todos consideraram uma ótima oportunidade para que concorrentes como HP, Samsung, LG, Sony, entre outros, apresentassem seus tablets, que, além de mostrarem novidades de aplicativos e funções, certamente irão provocar uma concorrência no mercado.

Para o professor Yonezawa, é um excelente momento para o mercado de tablets amadurecer, sendo que os novos aparelhos podem apontar diferentes utilidades daquelas já conhecidas e exploradas pelo iPad e ainda baratear os preços. "Toda concorrência é positiva. É a lei de mercado normal que age nos meios eletrônicos também. Certamente, o lançamento de outros tablets pode mostrar novas funcionalidades e ainda aumentar a dinâmica do mercado".


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Produtos acessíveis?

Porém, mesmo sob o impacto da famosa lei da oferta e procura, é possível que os tablets ? assim como as outras noviades apresentadas na feira - ainda não fiquem com preços muito acessíveis a grande maioria da população. Wilson Yonezawa explica que "há um limite para o produto ser barateado. É lógico que a concorrência provoca queda nos preços, entretanto, isso atinge um certo ponto que não pode ser ultrapassado. O custo da própria tecnologia envolvida não permite isso".

Ainda em relação aos valores de outros produtos apresentados na CES, ele aponta que a queda nos preços ocorre muito mais hoje do que antigamente, justamente pelo próprio dinamismo da produção de novas tecnologias. Para o professor, como há muitas novidades no ramo da eletrônica, os aparelhos acabam ficando mais baratos logo após serem lançados, pois, em poucas semanas, novidades são apresentadas.

"Cada vez surgem mais e mais produtos com novas funcionalidades e em intervalos de tempos cada vez menores. E isso não é só em relação aos tablets. É tudo que diz respeito aos eletrônicos", conclui.


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Consumidor acompanha feira para saber tendências e o que comprar

Uma das pessoas que, mesmo distante milhares de quilômetros do que ocorre na feira de eletrônicos de Las Vegas, acompanha atentamente as tendências e os produtos que são apresentados na feira é Guilherme Carvalho. O jovem de apenas 21 anos é desenvolvedor de games e enxerga no evento uma possibilidade de saber o que, em breve, estará nas vitrines das lojas.

"Eu costumo acompanhar as novidades do exterior e a dinâmica do comércio de Bauru. Sinto uma diferença pequena no tempo em que chegam na capital e no comércio da cidade. Antes, era algo muito mais demorado", afirma.

Em meio ao "amontoado" tecnológico ? entre outros aparelhos, ele tem um netbook, um smart phone e vários videogames -, Guilherme acompanha as atividades da CES para saber exatamente quais serão as suas próximas aquisições.

"Eu não tenho um tablet e, por enquanto, nem tenho vontade de ter um. Mas, estou acompanhando para ver se irão lançar um aparelho desse porte que me atraia. Para mim, um tablet ideal deve estar entre o que ele é hoje e um netbook. Assim, eu iria comprar um".

Além dos tablets, a feira também discute outras novidades, como sistemas de vídeo, computação, telecomunicações e videogames. Esta última área é a que mais chama a atenção de Guilherme. "Minha próxima aquisição será um Kinect (aparelho do console Xbox que detecta os movimentos e, para determinados jogos, dispensa o uso do controle convencional). Estou acompanhando a feira para saber qual o futuro do aparelho e como irá coexistir com os videogames já existentes".

Em relação ao Kinect, foi oficializado na CES um projeto revelando que, em breve, o aparelho será utilizado também em computadores.


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?É a fashion week da tecnologia?

A grandiosidade do evento é tamanha que o presidente da Associação Centro-Oeste Paulista das Agências Digitais (Acopadi), Paulo Milreu, afirma que, comparado com a moda, a feira de eletrônicos "é a fashion week do mundo da tecnologia".

Ele, que também é sócio de uma agência digital, explica que várias empresas vão buscar alternativas e novidades nesse evento. "Eu acompanho todo ano. Percebemos que muitos fabricantes vão lá, mostram um projeto e acabam não desenvolvendo. Porém, tem muitos que tornam isso realidade e, por isso, temos que ficar de olho nessas tendências".

Milreu confirma que, com certeza, o maior foco de discussões e apresentações da feira de eletrônicos foram os tablets. Para ele, a oportunidade é boa para as empresas exibirem seus concorrentes, mas, como um fã da Apple, acredita que não será fácil abrir tanto o mercado.

"A Apple vai realizar um evento próprio daqui 20 dias. Lá, está previsto o lançamento do iPad 2. Acho que é nesse ponto que haverá uma grande melhoria nos tablets. Por isso, acredito que a empresa continuará liderando o mercado", prevê Milreu, que já possui um dos modelos pioneiros do iPad.

Para ele, outro ponto importante é a questão 3D, a qual considera um dos seus próximos "sonhos de consumo" da era tecnológica. "Além de TV em terceira dimensão, estão lançando filmadoras 3D. É algo que eu acompanho e quero saber mais. Tenho um interesse grande pois é algo que quero ter em minha casa".

Paulo Milreu complementa que, mesmo tão distante, a feira é importante para a cidade, principalmente, para quem gosta ou trabalha na área de tecnologia. "Tem muita coisa que é lançada que enxergávamos como o futuro, mas, com essa feira, descobrimos que, na verdade, é o presente", conclui, animado.


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Indústria de eletrônicos revela otimismo

O mercado de eletrônica de consumo vive um bom momento, já tendo superado a crise de 2009 e se preparando para crescer. Essa é a visão apresentada pela Consumer Electronic Association, que organiza a Consumer Electronic Show (CES).

Segundo Steve Koenig, diretor de análise da indústria da CEA, o setor teve em 2010 um crescimento de 13% ante 2009, atingindo vendas de US$ 873 bilhões no mundo. Os números indicam recuperação ante às perdas sofridas em 2009, quando o mercado global de eletrônica de consumo teve queda de 9% na receita.

Para a organização, a retomada foi em parte devida à demanda reprimida por produtos eletrônicos (por causa das vendas menores em 2008) e em parte provocada pela atração exercida nos consumidores por produtos inovadores, especialmente celulares inteligentes e tablets. Esse processo deve continuar neste ano, acredita Koenig, citando pesquisas que preveem um crescimento de 10% em 2011.

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