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Geeks fazem a ?Revolução dos Nerds?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

Estereotipada pelo comportamento tímido adornado com óculos fundo de garrafa, calculadora no bolso da camisa xadrez e cabelos "lambidos" para trás, a turma dos "Nerds", até alguns anos, era alvo de chacotas ou deixada para escanteio.

Na cinema americano, principalmente, os membros do "clube da matemática" sofria nas mãos dos populares e atléticos estudantes das fraternidades universitárias e eram obrigados a abrir as próprias irmandades ("A Vingança dos Nerds", EUA, 1984).

Clássicos da sessão da tarde na década de 1980, as comédias, entretanto, retratavam um nerd com muito pouco a ver com a nova roupagem desta turma, cuja única semelhança com os antepassados é a devoção por gadgets (geringonça, em inglês) e softwares.

Antes da revolução protagonizada pela Internet, apenas quem era muito chegado às novidades eletrônicas e de informática dedicava horas do dia em frente a pesados monitores esverdeados ou às voltas em obter a pontuação máxima no Pac Man, o avô dos games de hoje em dia.

De nerd para geek - termo descolado para os atuais aficionados por tecnologia - , a turma abandonou as canetas, calculadoras e solidão das bibliotecas para agora desfilar com seus i-pods, smartphones e notebooks em todos os cantos. Não há mais estereótipos que os designem.

"A evolução tecnológica tornou todo mundo geek. Claro que os verdadeiros se aprofundam, mas algum tipo de aparelho, celular por exemplo, se tornou de uso obrigatório", acredita o desenvolvedor de sistemas Eduardo Quagliato, de 19 anos.

Ele conta ter contato com o mundo da informática desde a infância e, atualmente, dispensa cerca de 14h por dia em frente ao monitor. Seu principal incentivo para mergulhar de cabeça nesse universo foi um hoje mezozóico PC do pai. "Era um 386 multitarefas da Intel. Sempre fui fuçado e a cada dia aprendia algo novo, por conta própria" orgulha-se.

Se a curiosidade é um requisito para ser geek, Arilson do Carmo, de 22 anos, reúne atributos suficientes para entrar no clube.

Fanático por games, o jovem vai para sua quarta Campus Party, evento mundial de tecnologia realizado em São Paulo, a partir da semana que vem (leia mais nesta página), especialmente para conferir as novidades nos jogos eletrônicos.

Sua história de amor com os games começou ainda com o bom e velho Atari, o qual ele mesmo consertou para se divertir com os rudimentares movimentos do Pac Man ou nos pegas memoráveis do Enduro. "Havia um problema no capacitor da fonte que eu mesmo arrumei para começar a jogar", recorda ele, que, no evento em São Paulo, vai jogar um campeonato de Fifa Soccer, tradicional game de futebol.

Para ele, os nerds de hoje são muito mais populares. Alguns deles têm o bolso cheio não apenas pela calculadora. Quem não gostaria de ser um nerd de conta bancária recheada como Mark Zuxckerberg, o norte-americano de 26 anos fundador do Facebook, ou então como o multimilionário Bill Gates? "Hoje os nerds fazem sucesso", comemora Arilson.


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Festa científica

Com a expectativa de reunir mais de 6,5 mil participantes, a Campus Party Brasil deste ano, que será realizada entre 17 e 23 de janeiro, já vendeu todas as entradas. O evento, que reúne adeptos da ciência em geral, é um grande atrativo para diversos segmentos tecnológicos, como a informática, a robótica, eletrônica, astronomia, entre muitos, fazendo da iniciativa a verdadeira "Disneylândia" dos adeptos.

O leque de atividades é extenso e requer disposição dos participantes. Muitos deles acampam no próprio recinto do evento, que, neste ano, deixa o Parque do Ibirapuera, onde tradicionalmente era realizado até 2010, para o Centro de Exposição Imigrantes, também na Capital do Estado.

Ansioso pelo evento, Arílson do Carmo conta que não vai sequer acampar, como fez das outras vezes. Ao invés de montar barraca, vai dormir em frente ao computador mesmo, sem qualquer cerimônia. "A gente espera por isso o ano inteiro. Vou dormir na frente da máquina mesmo, nos pufes que têm por lá", simplifica.

Eduardo Quagliato, por sua vez, continuará acampado, assim como os dezenas de bauruenses que seguirão em caravana para o evento. "Acampando a gente dorme menos e aproveita melhor o evento", diferencia.

Uma caravana é organizada pela agência de estratégias digitais Smartis, de Bauru. Pouco mais de 30 geeks de Bauru vão para o evento, contabiliza Gustavo Ferreira Bento, sócio da empresa. A procura pela festa científica comprova que ser nerd está na crista da onda.


? Serviço

Confira a programação completa da Campus Party no site: http://www.campus-party.com.br/2011/agenda-geral.html


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Menina também entra

E não são apenas "os" geeks que tomam conta do pedaço virtual e real. As garotas também invadem a praia tecnológica antes restrita aos marmanjos e, literalmente, caem na rede.

Estudante de jornalismo, Tamirys Seno Barbosa, de 21 anos, edita, desde o ano passado, o blog "Garotas Geeks" (www.garotasgeeks.com), dedicado às meninas fãs de tecnologia e variedades como filmes, séries, games e retrôs para quem foi criança nos anos 90.

Contudo, assegura Tamirys, a página também agrada os garotos. "Nossa intenção não foi fazer tudo cor de rosa, com um perfil mais neutro", diferencia a universitária, geek assumida. "Queria abordar o mundo nerd, mas também com uma pitada de nostalgia, games. Aliás, meninas gostam de videogame. Sempre preferi esse tipo de brincadeira", diverte-se.

Apesar de não se intitular nerd, Vivian Xavier de Moraes Freitas é outra prova de que o mundo geek não é o clube do bolinha. Integrante do grupo de Bauru que vai à Campus Party, ela direciona o interesse no mundo virtual para as redes sociais (Facebook, Twitter, Orkut) e a respectiva relação com o mercado. "Trabalho com mídia digital e sou viciada em Internet", admite. "Posso ter uma parte (de geek)", assume aos poucos.

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