As fortes chuvas que atingiram Bauru na noite de anteontem e ontem deixaram as ruas de terra já esburacadas ainda mais intransitáveis. No Parque Santa Edwirges, as vias estão em precárias condições de tráfego depois dos 36,6 milímetros de chuva anteontem e mais 40,9 milímetros ontem até as 20h50. O acumulado de água da chuva nos primeiros oito dias de janeiro já supera a metade de tudo o que choveu no primeiro mês de 2010. Janeiro do ano passado acumulou um total de 213,4 milímetros contra 174 milímetros até ontem.
Pelas projeções do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, chuva é o que não irá faltar em Bauru até terça-feira. O instituto prevê chuvas rápidas e com possibilidade de trovoadas a qualquer hora do dia. Na quadra 1 da Alameda Licurgo, o que era buraco virou cratera após a tempestade de anteontem.
A moradora Margarida Pereira de Oliveira conta que um caminhão de transporte de móveis quase tombou, ontem, na quadra 1 da Licurgo. O automóvel de seus familiares, que moram em outra cidade, está preso na garagem porque não há como transitar na rua. Já Andressa Aparecida Pereira Goes Nunes, que reside na quadra 9 da alameda Alexandria há sete anos, comenta que, ontem, a situação foi a pior das últimas temporadas de chuva de verão. "Nem a pé dá para andar", desabafa", relatou.
As ruas de terra transversais à rua Bernardino de Campos, no Parque Viaduto, estão intrasitáveis. A lama acumula nas quadras finais da Bernardino. O coordendador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito comenta que os moradores estão com dificuldade de acesso às residências mesmo a pé. Ele projeta crateras de até 1,5 metro de profundidade. "É o retrato de várias ruas da cidade", alerta.
Uma erosão engoliu parte de um Gol ontem no Parque Paulista. O buraco é na rua Coronel Ivon César Pimentel, via de acesso ao bairro. Diego Rosseto Sales não sabia como sair com o automóvel da casa de sua mãe.
O morador Renato César de Souza diz que nunca viu situação semelhante nos 10 anos em que reside no Parque Paulista. "Estamos ilhados", diz em tom de pedido de socorro. Ele disse que, na madrugada de ontem, acordou para ajudar seu vizinho a resgatar o carro dele da cratera. A erosão avança pelos quarteirões 11, 12 e 13. Com a chuva da tarde de ontem, a erosão avançou na direção de um muro na quadra 13.
A residência de Maria José Lima Francisco foi invadida pelo esgoto que voltou da rede coletora da rua após o início das tempestade de ontem, por volta das 17h. "Meus móveis estão tudo dentro da água podre", reclama. Ela reside na quadra 5 da rua Professor Isaac Portal Roldan, no Jardim Ouro Verde.