Uma prática das mais abomináveis na política brasileira em qualquer administração pública é a troca de favores. Na eleição da Câmara de Vereadores de Bauru, mais uma vez ficou escancarado que alguns vereadores só votam ao lado dos interesses do município quando recebem favores, empregos como moeda de troca. Sakai e Carlinhos do PS não escondem de ninguém serem useiros e vezeiros da prática, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Uma vergonha que deve ser denunciada, não só de quem pede, mas de quem oferta tais benesses. Ambos são considerados lesivos e predadores, dilapidadores do patrimônio. E todos sabem, cedeu a esse jogo uma vez, fica praticamente impossível dele se desvencilhar. Vira uma bola de neve. Daí para frente a coisa tende a piorar, pois quem recebeu quer sempre mais e quem cedeu se vê obrigado a cada vez abrir mais as pernas. Prostituição política na acepção da palavra.
E os que se dizem de esquerda e diferentes do jogo político mesquinho, como atuam diante disso? Quando entram em campo fazendo uso das mesmas armas e se beneficiando com a mesma intensidade, não se diferem nem um pouco dos que criticaram a vida toda. Abro os jornais de hoje, 07/01, e lá está que vários assessores ligados ao PT, alguns que haviam sido afastados de suas funções no período eleitoral, estão voltando a atuar dentro do DAE. E o fazem sob pressão, ou seja, imposição partidária junto a quem de direito. Quem faz a pressão para recontratação? Vamos dar nome aos bois. Pior que tudo é verificar se possuem qualificação para ocuparem a função onde foram designados. Estão sendo ad-mitidos para ajudarem o DAE nesse momento ou fazerem política partidária e com remuneração pública?
No que as pessoas do PT, as que agem iguaizinhos a todos os outros, diferem dos que tanto criticam? Em nada, são iguaizinhos. Os vejo ainda piores, pois fazem uso de um discurso voltado para o social, de ação centrada nas camadas mais necessitadas, mas na prática já estão inseridas no sistema predatório, o pior possível, dilapidando órgãos públicos. Tudo farinha do mesmo saco. Não generalizo isso a nível nacional, mas onde existir precisa ser denunciado, pois continuam proferindo um discurso do qual já abandonaram da prática social faz tempo.
Órgãos como o DAE, Cohab, Emdurb e cargos municipais não de carreira deveriam ser ocupados por gente com qualificação, concursadas ou no mínimo que iriam de fato executar as tarefas a eles determinadas. Repudio isso a ocorrer dentro do DAE nesse momento (um dos mais aflitivos da autarquia, com gente internamente jogando a favor da privatização), como os novos contratados na Câmara, todos com ligação umbilical com a mesma igreja do pastor presidente. Enquanto prevalecer esse pensamento e prática, não avançaremos um milímetro sequer no caminho de administrações realmente saudáveis.
Não basta clamar por dias melhores, precisamos, nesses casos, exigir a aplicação da lei. Escancarar seus nomes e expor essa chaga diante dos olhos de todos. Se quero mudar o mundo, transformá-lo, não posso ter as mesmas ações dos que repudio.
Henrique Perazzi de Aquino - professor de história