Começaram a funcionar ontem os cinco leitos destinados a dependentes químicos no Hospital Manoel de Abreu. Os pacientes internados serão encaminhados pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps/AD) para o tratamento de desintoxicação, que deve durar de cinco a 15 dias.
Luciana de Oliveira Martins, enfermeira do Caps/AD, que responde temporariamente pela Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Bauru, informou que, ainda ontem, o primeiro paciente já fora encaminhado para a internação no hospital
Segundo ela, não é possível prever se haverá fila de espera para internação nos cinco leitos do hospital reservados para a desintoxicação de dependentes químicos. "Poderemos fazer essa avaliação daqui a 30 dias, quando o atendimento completar um mês de existência", afirma.
Luciana explicou que os atendimentos no Caps AD vão continuar sendo realizados normalmente e as internações serão solicitadas de acordo com critérios técnicos que vão julgar a pertinência ou não da internação hospitalar. "Na unidade de referência, nós já trabalhamos com desintoxicação. A internação é o último caso, quando o médico diagnostica a necessidade", pontuou.
A enfermeira comemorou a inauguração dos novos leitos. "É uma grande vitória. Essa era a nossa principal dificuldade, pois não tínhamos para onde encaminhar pacientes que necessitavam de internação em situações de urgência", afirmou.
Centro especializado
As cinco vagas para o atendimento emergencial em desintoxicação no Manoel de Abreu foram negociadas com a direção da Famesp, fundação que gerencia o hospital.
]No entanto, a Divisão Regional de Saúde (DRS-6) tem o projeto de instalar 65 leitos no local, oferecendo atenção completa contra a dependência química, com internação, desintoxicação e tratamento, na tentativa de reinserir os pacientes à sociedade. A maior demanda em Bauru está ligada ao vício no crack, considerado epidemia em várias cidades do Brasil.
Para garantir o funcionamento de um centro especializado no Manoel de Abreu, será necessário o investimento de R$ 2,9 milhões. Na semana passada, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, diretora do DRS-6, apresentou o projeto à Secretaria do Estado de Saúde, mas, segundo a assessoria de imprensa do órgão, ainda não existem novidades a respeito.
Um projeto semelhante, que prevê 35 leitos em Botucatu com investimentos de R$ 1,2 milhão, conseguiu aprovação orçamentária ainda no ano passado, pois já disponibilizava de instalações no Centro de Atendimento Integral à Saúde (CAIS) Cantídio de Moura Campos.