Washington - O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que a comunidade internacional deve cumprir suas promessas de ajuda ao Haiti, um ano após o terremoto que devastou o país e matou mais de 220 mil pessoas. Ele disse ainda que os EUA continuam a ser um aliado da nação haitiana. Na nota oficial, Obama diz ainda que continua a se "inspirar nos haitianos", que sofreram perdas "inimagináveis com fé e coragem". O presidente dos EUA escreveu ainda que não houve progresso suficiente na ajuda à recuperação do Haiti, e que ainda há muitas pessoas vivendo em tendas, e muito lixo nas ruas. O Haiti iniciou ontem dois dias de homenagens em memória das mais de 220 mil pessoas que morreram no devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010. As cerimônias começaram com a visita de altos funcionários a uma vala comum na periferia da capital Porto Príncipe, onde repousam inúmeras vítimas do tremor. Também foi colocada a primeira pedra de um futuro conjunto habitacional no centro da Capital, onde milhares continuam a viver em acampamentos improvisados. Hoje, será realizada uma missa ao ar livre onde ficava a catedral destruída pelo terremoto, cujos escombros ainda não foram retirados. Às 16h53 (horário local), no exato momento em que se registrou o terremoto, os haitianos farão um minuto de silêncio. Um ano depois do terremoto - que além dos mortos deixou 2,3 milhões de desabrigados - a "prioridade absoluta" das agências humanitárias da ONU em 2011 será acelerar a recuperação do país. "É preciso dar um golpe de aceleração nos esforços de recuperação. Esta será a prioridade absoluta em 2011", explicou a porta-voz do escritório de coordenação dos assuntos humanitários da ONU, Elisabeth Byrs. O processo deve durar "meses e inclusive anos", dada a magnitude do trabalho no campo, admitiu Byrs, em particular a reparação ainda pendente de 180 mil casas destruídas, a limpeza de toneladas de escombros e o restabelecimento dos serviços básicos para as centenas de milhares de pessoas que ainda aguardam para ser realojadas. Um dos principais problemas para o realojamento das pessoas que vivem nos campos de desabrigados é a falta de terra disponível nas áreas urbanas e os conflitos em torno da propriedade. As agências humanitárias voltaram a defender esta ontem o balanço da gestão de um desastre sem precedentes que aniquilou as estruturas de um Estado que perdeu no terremoto de 12 de janeiro de 2010, 30% de seus funcionários. A própria ONU lamentou a morte de 200 de seus funcionários no desmoronamento da casa onde se encontrava sua missão no Haiti. Porto Príncipe ainda dá a impressão de ser um grande acampamento de refugiados, segundo a Anistia Internacional (AI). As pessoas vivem em condições precárias e as mulheres enfrentam uma ameaça pior, o risco de serem estupradas, segundo o organismo. Passado o terremoto e quando se sentia relativamente a salvo da temporada de furacões, o Haiti pensou que podia se dedicar à campanha de sucessão do presidente René Preval, mas surgiu um novo desastre: a cólera. Erradicada há mais de um século na ilha, a doença que ataca os pobres reapareceu em outubro no centro do país e rapidamente se propagou para a capital. Até o momento, mais de 3.300 pessoas morreram. Fadela Chaib, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, informou que a cólera matou 3.651 pessoas e infectou 171.304. Um ano depois do terremoto, o Programa Mundial de Alimentos (PAM) ainda fornece comida a 2 milhões de pessoas, a metade do número que era registrado durante os primeiros meses após a catástrofe. Com relação a dois aspectos essenciais, a água potável e o saneamento, o Unicef alertou que a situação continua sendo catastrófica, dado que só uma de cada duas pessoas tem acesso à água potável e 89% dos habitantes das zonas rurais não têm acesso a latrinas. Já sobre o US$ 1,5 bilhão prometido para enfrentar a catástrofe, os representantes das organizações humanitárias afirmaram que até o momento só foram recebidos 72%.
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