A garota de 15 anos que se acidentou com um Gol no bairro Alto Paraíso na noite de quarta-feira, assumiu o volante de um veículo pela primeira vez aos 11 anos. Estimulada pelo padrasto, ela aprendeu a dirigir em estradas rurais próximas a uma propriedade da família. Por conta da "experiência" de quatro anos, destaca que só colidiu com outro carro, anteontem, porque chovia e o chão escorregadio não permitiu que os freios do Gol funcionassem como o devido.
"Já dirigi várias vezes. Foi a primeira vez dentro da cidade, mas eu sei dirigir bem. Não foi erro meu", defende ela. A mãe, uma dona de casa de 50 anos, acrescenta ainda que os filhos mais velhos, de 27 e 29 anos, também foram ensinados a guiar precocemente. "Mas sempre tivemos o cuidado de nunca deixar dirigir na cidade. O problema é que a mais nova é teimosa, difícil de escutar a gente", comenta.
Moradora da Vila Nipônica, a jovem estudante do 1º ano do ensino médio conta que, na última quarta-feira, saiu de casa após o trabalho - onde desempenha a função de auxiliar administrativa - e foi a uma lan house próxima. Lá, encontrou uma amiga, de 25 anos, proprietária do Gol, que a levou junto com outra adolescente de 14 anos até uma praça.
Pouco tempo depois, a amiga teria decidido voltar a pé até a lan house e deixou o carro com as garotas. Como começou a chover, a auxiliar administrativa assumiu o volante do Gol e percorreu cerca de 20 quadras sentido Vila Falcão-Parque Viaduto, para retornar à lan house.
Ao atingir o cruzamento da rua Ory Pinheiro Brisola com a rua Antônio do Espírito Santo, ela teria tentado frear devido à sinalização de parada obrigatória, mas não conseguiu e se chocou contra o Corsa Classic Life conduzido por Cristiane Borges Martins Caramel, 38 anos, que seguia pela rua Antônio do Espírito Santo, sentido Alto Paraíso-Vila Souto. Por sorte, nenhum dos ocupantes dos dois veículos se feriu.
Como a garota não possui permissão para dirigir, um termo de responsabilidade foi expedido e a mãe se comprometeu a apresentar a adolescente ao representante do Ministério Público. O Conselho Tutelar não chegou a ser acionado porque, conforme a presidente interina do Conselho Tutelar Valdeleine Richelma Silvieiro Félix, a PM entendeu que não houve necessidade.
"Como se trata de uma infração às leis de trânsito, o Conselho não precisa estar necessariamente presente, tanto é que no órgão chegam pouquíssimos casos desta natureza. Provavelmente, os pais foram localizados rapidamente para que a menina fosse encaminhada ao Plantão Policial", aponta.
Na avaliação da mãe da garota, a ocorrência, no entanto, não passou de uma fatalidade. "Graças a Deus, não aconteceu nada grave com ninguém. Se eu soubesse que ela ia pegar o carro, não teria deixado sair. Fiquei muito preocupada quando soube do acidente e, agora, nem no sítio ela vai andar mais", observa a dona de casa, ao lado da filha.
A jovem, de poucas palavras, se comprometeu a cumprir a ordem. Ela trabalha há cinco meses e é uma aluna "razoável", segundo a mãe, mas nunca repetiu de ano. "Ela é muito ativa e aprende rápido, quando quer aprender. Depois deste susto, espero que ela tome consciência de que não deve mais fazer coisas erradas", considera.