Nacional

Situação fica cada vez mais dramática

Por Folhapress | AE
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Rio - A medida que as equipes de resgate avançam por áreas devastadas pelas chuvas, a tragédia na região serrana do Rio ganha contornos ainda mais dramáticos. As prefeituras contabilizam 482 mortos em quatro municípios - Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro e Itaipava (distrito de Petrópolis). As cidades mais afetadas pela chuva, que começou a cair na noite de terça-feira, são Nova Friburgo e Teresópolis, com 214 e 210 mortes confirmadas, respectivamente, de acordo com autoridades locais. Petrópolis teve 40 mortes, e a Prefeitura de Sumidouro informou que ao menos 18 pessoas também morreram no município. O número de desabrigados e desalojados passa de 13.500 na região. Os números ainda podem crescer drasticamente nos próximos dias. Há cidades completamente isoladas. São José do Vale do Rio Preto, próximo a Teresópolis, está ilhada. Telefones não funcionam e a estrada de acesso está interrompida por quedas de barreira. Pelo menos 60 casas foram arrastadas pelas águas do Rio Preto, que corta a cidade. Ainda não há nem estimativas do número de mortos na cidade que ficou conhecida graças a uma música de Tom Jobim. Foi lá, às margens do Rio Preto, onde passava longas temporadas, que Tom compôs "Águas de março". A casa do filho de Tom, Paulo Jobim, foi atingida pela enxurrada. Mas não havia ninguém lá na hora da tragédia. Outras cidades atingidas, onde há milhares de desalojados, foram Bom Jardim, Areal e Sapucaia. A presidente Dilma Rousseff visitou Nova Friburgo ontem acompanhada por seis ministros e pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Dilma anunciou "ações firmes". "É de fato um momento muito dramático, as cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas e o risco é muito grande", disse Dilma, completando que será necessário um esforço muito grande em breve para a reconstrução das áreas atingidas. As Forças Armadas também mandaram reforços. Mais de 20 caminhões com tropas do Exército e da Marinha chegaram a Nova Friburgo para ajudar na reconstrução. Até ontem, a cidade continuava sem luz e sem água. Há uma crise de desabastecimento na cidade. Levas de moradores começaram a deixar suas casas. As equipes de resgate encontraram os corpos de dois bombeiros que foram soterrados quando tentavam retirar vítimas dos escombros. A reconstrução das áreas atingidas será longa e exigirá recursos milionário. Só em Teresópolis, o prefeito José Mário Sedlacek calcula que serão necessários pelo menos R$ 560 milhões.
Dificuldades Os Bombeiros afirmam que uma das maiores dificuldades encontradas pelas equipes de regaste na região serrana do Rio é a falta de comunicação, já que os telefones e a Internet estão com problemas. O coronel Mauro Domingues André, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, que respondeu perguntas de internautas por uma câmera ao vivo via Twitter, no final da manhã de ontem, disse que as equipes de socorro não podem ficar sem contato e que espera a normalização dos sistemas de telefonia para as próximas 24 horas. A maioria dos internautas queria saber notícias sobre áreas isoladas, onde estão parentes ou amigos. O coronel dos Bombeiros orientou que a população procure radioamadores, que estão colaborando nos trabalhos de resgate. Informações sobre a rede de radioamadores podem ser obtidas pelo site www.defesacivil.gov.br. Outra dificuldade enfrentada pelas equipes de resgate é em relação aos acessos em algumas partes das cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. "Temos problemas relacionados à geologia. Alguns terrenos são inconstantes e arenosos. Tem muita lama e escombros. É difícil trabalhar e temos que tomar cuidado para evitar novos deslizamentos. Já perdemos três bombeiros nesses trabalhos", afirmou coronel Domingues. Os bombeiros orientam a população do Estado para que evitem ir para as cidades atingidas e também passar pelas estradas da região serrana. As pessoas em casas com risco de desabamento devem sair e procurar abrigos. "A meteorologia mostra que teremos mais chuvas até o final de semana. Estamos em estado de alerta", ressaltou.

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