Atualmente com uma média aproximada superior a 30 partos por mês, o hospital Prontocor de Bauru incentiva pais a adotarem o parto ativo por meio da conscientização. Por isso, realiza o curso de "Pais Gestantes".
A iniciativa engloba desde os momentos em que a mulher entra em trabalho de parto até quesitos como humanização, convivência, cuidados com o recém-nascido, além de fatos e mitos sobre o momento do nascimento, entre outros.
A iniciativa, acompanhada por assistente social, enfermeira obstetriz e neonatal, nutricionista, psicóloga e médicos especialistas, visa abrir os olhos de muitos futuros pais para os inúmeros benefícios de um nascimento participativo, que reflete diretamente na saúde e estado de espírito do bebê, por toda a vida. "O bebê também se esforça, participa do nascimento. Isso é natural. Daí muitas interferências, inclusive no aspecto emocional, no futuro", argumenta Ana Maria dos Santos Pinho, gerente de enfermagem, ao enfatizar também a importância de se aguardar ao máximo o momento do nascimento.
Segundo ela, o tempo ideal é pouco superior a 40 semanas. Foi o período em que a jovem mãe Aiele Cristina Gomes Brás, de 25 anos, esperou pela chegada do bebê. "A gente normalmente fica nervosa nesses momentos. Mas essa maneira de ter o filho foi a melhor escolha. É bacana, estou por dentro de tudo", salientou, ela, acompanhada pelo marido Willian Elias Barbosa, horas antes do parto.
Por questões de pressão arterial, o procedimento teve que ocorrer de forma cirúrgica. "Às vezes acontece e é inevitável. O importante é que a cirurgia ocorra somente em casos necessários", ressalva Ana Maria, orgulhosa pelos 4,4 quilos do bebezão, segundo a enfermeira, o maior que já veio ao mundo pelas mãos da equipe do Prontocor.
Willian Elias Barbosa, de 29 anos, e Ailen Cristina Gomes Brás, de 25, também optou pelo parto ativo para o nascimento de Kevin, segundo filho do casal. Após o curso, eles disseram estar mais tranquilos para o procedimento natural, o melhor tanto para mãe quanto bebê, opinam.
"Cesariana só em último caso. Nosso filho nasceu domingo e, na segunda-feira, já estava em casa", aprova o pai. "Ele (Kevin) nasceu e em dois minutos estava comigo", comemora a mãe.
Nascimento pode exigir intervenção
Não deve-se confundir parto normal, ou natural, simplesmente pela inexistência de procedimentos cirúrgicos. Em muitos casos, salienta Ana Maria dos Santos Pinho, gerente de enfermagem do hospital Prontocor, parto vaginal não implica, necessariamente, em parto normal.
"Se a equipe não agir de forma humanizada, preparada para isso, fica muito difícil porque não há o relaxamento necessário da mãe. Aí não é parto normal, é simplesmente um parto vaginal e há diferença", atesta. "Chega uma fase em que o corpo vai poder expulsar. Porém, a mulher não está relaxada o suficiente, provocando a intervenção instrumental para retirar o bebê", explica.
De acordo com ela, o termo parto ativo deriva, justamente, do total poder de decisão da mãe. Somente após levados em conta todos os sentimentos da parturiente é que a equipe define todas as técnicas e respectivos procedimentos.
"Todas as técnicas oferecidas têm a ver com o que ela sente. Aí definimos o que oferecer para que ela tenha o bebê da forma com que optou. Se ela está melhor em cócoras, pode ficar sobre um tapete e parir como as indígenas faziam. Se quer na cama de parto, temos o equipamento, o único de Bauru. Também temos a banheira", enumera.
Na água morna, especifica a gerente, a mãe também dá à luz de cócoras. "O bebê nasce dentro da água. Ele sai da mãe, onde estava em meio ao fluido amniótico, e vai para a água, de onde é retirado pelo pediatra ou alguém da equipe de enfermagem", detalha. Segundo ela, não há contra indicações, exceto, adverte, se o bebê estiver sentado ou alterações vasculares e cardíacas na gestante.