Bairros

Rotina passa longe da monotonia

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min
Mulher-maravilha Dia 31 de novembro de 2010. Bauru estava sendo atingida por um forte temporal e a avenida Nações Unidas ficou alagada. No local, carros e pessoas eram arrastados pela força da enchente. Nesta hora, no 12º Grupamento de Bombeiros de Bauru, o telefone não parava de tocar. Tão logo o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom) recebeu primeira ligação, a sirene do quartel soou: era uma emergência. Naquele dia, a bordo da viatura de incêndio do corpo de bombeiros estava a soldado Viviane Laiz Batista, 26 anos. E com ela, além de uma equipe, a garra e a coragem."Foi a cena mais marcante da minha vida. Fiquei impressionada com o volume de água. Me lembro de que na altura da quadra 6 da Nações Unidas havia dois carros com gente dentro. Naquele momento não pensei em mais nada: aquelas pessoas dependiam de meus colegas e de mim para sobreviver. Dei o meu melhor", recorda Viviane. E foi justamente a possibilidade de salvar vidas que fez com que, há um ano, ela prestasse a prova para integrar o Corpo de Bombeiros e se tornar a única mulher, dentre 350 soldados do fogo que atuam na região, a integrar o setor operacional. Antes disso, Viviane trabalhou por seis anos como policial militar (PM)."Minha família vibrou muito com a conquista. Na PM as coisas são bem diferentes. Lá nosso dever é garantir a ordem, fazer cumprir a lei. Já no bombeiro, trabalhamos com vidas. A sensação de que você pode ajudar a salvar alguém é inexplicável", define. E quando questionada se tem dificuldades para executar as missões por conta da força física, Viviane é objetiva: "De forma alguma. No bombeiro somos uma equipe, um ajuda o outro."
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Super soldado do fogo Combater incêndios, enfrentar o perigo e salvar vidas sempre foi o sonho do soldado Willian Nocerino, 26 anos. Ele conquistou seu objetivo e entrou para o time dos soldados do fogo há cinco anos, quando passou no concurso público e, depois, foi aprovado no curso da Escola Superior de Bombeiros (ESB)."Desde criança eu sempre tive fixação por bombeiro. Sonhava em ser um deles um dia porque sempre achei uma profissão muito nobre. Quando pude, não tive dúvidas, prestei o concurso", explica. De acordo com ele, salvar crianças engasgadas e apagar incêndios são as tarefas que mais causam adrenalina. Isto porque é preciso conciliar a emoção do momento com as difíceis condições e, acima de tudo, priorizar a razão."Quando você vai apagar um incêndio, por exemplo, a adrenalina vai a mil. Porém, é necessário ter concentração: prestar atenção para pisar somente nos locais corretos, saber utilizar os equipamentos, enfim, aplicar a teoria à prática. Para acrescentar dificuldade à situação, lembre-se de que a roupa de incêndio pesa cerca de 30 quilos", frisa.
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Super agilidadeÉ em uma sala pequena, equipada apenas com mesa, cadeira, computador, telefone e microfone, que André Luiz dos Santos, 33 anos, passa 12 horas do seu dia. Bombeiro há 10 anos e atuando no Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom) de Bauru há 2 meses, é dele uma das vozes que se ouve dizer "bombeiros, emergência!" quando se disca 193."Aqui é assim: o telefone não para de tocar. Cada chamada é um caso novo, diferente. Por isso é preciso ser ágil e ter experiência em campo para saber triar o que é de competência dos bombeiros, detectar o que é trote, e orientar a pessoa ou a corporação da melhor maneira possível", explica André Luiz, que teve de interromper a entrevista diversas vezes para atender o telefone, que tocava insistente. Por dia, o Cobom recebe, em média, 400 ligações. Muitas, feitas por pessoas nervosas, em busca de ajuda urgente. Porém, apenas cerca de 30 delas se converte em ocorrências. Isto porque, além das chamadas em duplicidade, existem os trotes, que correspondem a 20% do total de registros. Nos dias de chuva, em que a cidade sofre com alagamentos, e nos finais de semana de verão intenso, em que aumenta o número de acidentes de trânsito e afogamentos, é quando André Luiz mais trabalha."É bastante complicado: você atende casos que vão desde incêndios a bebês engasgados. Penso que é mais difícil trabalhar no Cobom, onde você não vê o que está acontecendo, que no operacional. Mas, independente da função, ser bombeiro é uma questão de dom. Não é você quem escolhe a profissão, e, sim, ela que te escolhe", finaliza.

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