Bairros

Sibipiruna: a missão

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min
A última terça-feira, dia 11 de janeiro, foi um dia atípico para os bombeiros do 12º Grupamento de Bombeiros de Bauru. Isto porque, exceto as poucas ocorrências registradas nos horários de pico - como as primeiras horas da manhã, o período do almoço e o final da tarde ,- o plantão estava tranquilo. Como de costume, os dez bombeiros do batalhão operacional escalados para trabalhar no dia chegaram ao quartel às 7h30. Tomaram café, vistoriaram as viaturas e os equipamentos que poderiam ser utilizados e passaram parte da manhã realizando atividades de preparo físico. Depois do almoço, sob o comando do sargento João Quirino dos Santos, 47 anos, realizaram um treinamento de nós em cordas. Por volta das 16h, quando a equipe do JC nos Bairros já havia chegado no local, o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom) registrou uma chamada para poda de uma árvore da espécie sibipiruna, localizada nas dependências do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP)."Como a tarde está tranquila de atendimentos urgentes e a chuva deu uma trégua, podemos atender esta ocorrência", anunciou o sargento, convocando, pelo microfone, dois soldados para acompanhá-lo ao local. A princípio, a missão parecia simples. Afinal, que complicação pode haver na poda de uma árvore? Ledo engano. Isto porque, além do fato da sibipiruna estar comprometida por cupins, ela tinha cerca de 17 metros de altura."Já isolamos o local. Agora, primeiro vamos ter de cortar parte da árvore do lado, para que, quando podarmos a sibipiruna, os galhos não enrosquem. Além disso temos de serrar os galhos de forma estratégica, para que não caiam sobre as construções que, neste caso, estão muito próximas", explicou o sargento Quirino, enquanto fazia uma cadeirinha de rapel dando nós em uma corda. O primeiro a se arriscar nas alturas foi o soldado Nocerino. Na sequência, o trabalho ficou por conta do sargento. "Até o final do tronco da sibipiruna a escada alcança. Depois, é preciso força e estratégia para subir no braço. O principal é garantir minha proteção aqui em cima, por isso a primeira medida é certificar que o galho aguenta meu peso e me amarrar com a corda em um dos braços da planta", explicou. Sob o olhar apreensivo de cerca de dez pessoas que se aglomeraram no entorno para acompanhar a operação, o sargento escalou uma altura de 15 metros e ficou bem próximo ao topo da copa."Meu Deus do céu! Esse homem vai cair daí!", exclamou, desesperada, uma das funcionárias do Centrinho, externando a apreensão dos demais presentes no local. Com uma motosserra, elevada às alturas também por intermédio de uma corda com nós, ele fez o corte dos galhos mais altos. E, como o tempo começou a dar os primeiros sinais de que estava indisposto a colaborar, o comandante optou por encerrar o trabalho."É melhor finalizarmos as atividades por hoje. Já são 17h30 e daqui a pouco desce água. Amanhã terminamos", determinou o sargento que, com tranquilidade, utilizou, mais uma vez, sua fiel escudeira, a corda, para descer os 15 metros escalados. Já no chão - para a tranquilidade de quem acompanhava a operação ? contou que nunca sonhou em ser bombeiro, mas que, por força do destino, já está há 24 anos na profissão."É assim... quando você entra não consegue mais sair. Vicia. Tudo o que você viu aqui é fruto da minha experiência. Sei o quanto saber dar nós é importante para a profissão. Com o tempo também aprendi até onde posso ir e a melhor maneira de fazer as coisas. Ser bombeiro é minha vida", afirmou.

Comentários

Comentários