Muito me surpreende vereadores da Câmara Municipal de Bauru serem contra o abono dos profissionais da educação da Prefeitura Municipal de Bauru. Apesar de nunca concordar com os jetons que os vereadores recebem a cada sessão extra ou a horas que passam nas sessões ordinárias, eles existem e estão na lei e os vereadores não têm que cumprir horário de serviço obrigatório durante todos os dias da semana na Câmara Municipal. A maioria tem seus empregos particulares e ou escritórios próprios e acho que ganham muito para não conhecer a legislação vigente existente no município, ou pelo menos não a leram como deveria, prova disso é o que ocorreu este ano na votação dos PCC?S da Prefeitura Municipal. Agora, creio que por puro desconhecimento da Lei do Fundeb, tecem comentários ilegítimos e contraditórios sobre os gastos com os profissionais da educação. Gostaria de lembrar aos vereadores que ocupam um "cargo" eleito pelo povo e munícipes trabalhadores a qual tenho respeito, que a Lei a qual se referem prevê gastos com diversos itens e com percentuais diferenciados e que é previsto gasto de 60% com remuneração salarial (abono salarial por mérito profissional) aos educadores do magistério. Além disso, a Lei se refere há outros deveres, como fiscalizar aonde esta verba está sendo empregada e de que forma, para que não ocorram desvios e muito menos o não cumprimento dos prazos exigidos por Lei. Ora, isso sim é de vossa alçada, deveriam estar revisando os direitos legais na compra de materiais escolares, uniformes, na construção das unidades novas para que seja licitada empresa idônea e não tenhamos que trabalhar a quase dois anos em casas adaptadas tirando o lazer e o parque das crianças e estressando a todos; nas reformas, obras e infraestrutura das escolas já existentes... Não quero aqui citar nº , parágrafos, incisos de leis, pois os senhores vereadores devem saber como fazer isso, como também devem ser justos com profissionais que doam mais de 30 anos de sua vida na Educação formando cidadãos do futuro. É triste ver que pessoas mal informadas caem em um comentário mal feito pelos senhores vereadores ou no desconhecimento legal da existência de destino de uma verba carimbada onde a sobra deve ser usada na complementação salarial destes profissionais. Nós, servidores municipais, tivemos uma luta grandiosa na votação dos PCC?S e na maioria das vezes os servidores nem se quer tinham conhecimento do que iriam perder ou ganhar, pois sempre deixam para alguns levarem nas costas o fardo de toda uma categoria. Seria justo que os senadores, deputados, presidentes, governadores, tivessem seus salários reduzidos e compatíveis com a maioria da população que ganha salário mínimo de 510,00 para entender como uma verba a mais no ano ajuda no orçamento de cada dia e por mérito do seu trabalho e não por desvio de verbas ou corrupção. Mas votaram aumento no Congresso, para eles pode... É lógico. Além do mais, os vereadores devem desconhecer que 80% dos profissionais estão doentes ou morrem com depressão, muitos ficam anos remoendo opressão e discriminação social, outros se suicidam, tudo por não terem apoio da sociedade, da falta de limites dos alunos, das administrações de plantão que não dão subsídios necessários para o profissional e nem valorização salarial digna. Os vereadores deveriam ser os primeiros a defender uma categoria sofrida como a dos profissionais da educação, que perderam ao longo dos anos sua dignidade e que se assim continuar no prazo de 5 anos não existirá mais professores e nem profissionais da área para atuar, formar pessoas críticas e responsáveis para mudar o sistema corrompido em que vivemos. É por isso, com grande tristeza e com sentimento de revolta que digo: a população deve pensar muito bem antes de votar, pensar bem em quem colocar na Prefeitura, Câmara Municipal e na Presidência do País para defender você, cidadão bauruense.
Eliane Koti - Professora da prefeitura e dirigente sindical/csp-conlutas
Eliane Koti - Professora da prefeitura e dirigente sindical/csp-conlutas