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Setor de calçados reclama da perda de vantagem competitiva


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Ribeirão Preto - Dependência excessiva do mercado interno, dificuldade de exportação devido ao real valorizado e concorrência com importados. Foi esse o quadro do setor calçadista brasileiro no ano passado. Os polos mais tradicionais do país - Rio Grande do Sul e São Paulo - viram em 2010 as vendas ao exterior cair 15% e 6%, respectivamente. Tanto que, em Franca, principal polo paulista, 90% da produção - o maior percentual da história - foi destinada ao mercado interno no ano passado, segundo o Sindifranca (sindicato local do setor). A participação já foi de 50%, em 1993."Isso (depender do mercado interno) deixa o setor frágil", disse o presidente da entidade, José Carlos Brigagão. O diretor-executivo da Abicalçados (associação do setor), Heitor Klein, afirma ainda que a perda de mercado do calçado brasileiro no exterior provoca desindustrialização e a ida de empresas para países com melhores condições de produção. Segundo Klein, o risco de concentrar as vendas internamente é o de haver uma desaceleração no consumo doméstico. Na fábrica de calçados Opananken, de Franca, as vendas ao exterior em 2010 não passaram dos 10%. O gerente comercial Sebastião Donizete Siqueira disse que a empresa, que produz cerca de 250 mil pares por ano, tem capacidade para chegar a 50% de exportações, sem afetar a oferta ao mercado doméstico. Mas, para isso, o produto brasileiro precisa voltar a ser mais competitivo, com um câmbio mais favorável. "Nós temos um sapato elaborado, que é bem aceito no mercado externo, mas o câmbio é um fator negativo", disse.?Distorção? Nos dados nacionais, as exportações até cresceram no ano passado -12%, segundo a Abicalçados. Mas o crescimento deve-se às fábricas do Nordeste, que têm outro perfil: produtos populares de baixo custo. Segundo a entidade, 2010 fechou com alta de 23% na importação de pares de calçados e partes desmontadas, como cabedais (parte superior do sapato) e solados. A entrada de calçados desmontados no Brasil é vista pelo setor como forma de burlar a tarifa antidumping de US$ 13,83 por par imposta sobre os produtos da China.

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