Nacional

PM prenderá lojista que abusar no preço


| Tempo de leitura: 8 min
São Paulo - O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, disse ontem que mandou prender todos os comerciantes que forem flagrados cobrando preços abusivos por alimentos, água e velas em Nova Friburgo, na região serrana do Rio. As informações são da Agência Brasil. Segundo o comandante, ordem semelhante será repassada aos policiais de todas as outras cidades atingidas pelas chuvas na região."Ninguém pode explorar a dor dos outros, se aproveitar da agonia da população para vender, por exemplo, um pacote de velas (que custa em torno de R$ 1,50) por R$ 10. Quem a gente encontrar fazendo isso será preso e levado diretamente ao Ministério Público", disse o comandante. Segundo o subchefe administrativo da Polícia Civil, delegado Fernando Albuquerque, por enquanto os policiais estão dando prioridade à identificação dos corpos e à manutenção da segurança da cidade. No entanto, em um segundo momento, haverá a investigação de crimes contra o consumidor, cujas penas são de dois a cinco anos de prisão, sem fiança. Em alguns locais, segundo moradores, há galões de água que custam R$ 6 sendo vendidos por até R$ 40. De acordo com o delegado regional da serra fluminense, Renato Chernicharo, a situação de segurança da cidade é tranquila. Sete equipes de delegacias da capital estão reforçando o efetivo da Polícia Civil. "De forma geral, a situação está tranquila. Os registros de crime estão até baixos. Só houve mesmo aqueles boatos em Teresópolis e Nova Friburgo", disse. Segundo Chernicharo, a delegacia de Nova Friburgo foi afetada pelas chuvas. Por isso, os policiais improvisaram uma delegacia em outro local. Os presos, no entanto, continuam na carceragem da delegacia.
Doações entulhadas A falta de organização estava fazendo, até a manhã de ontem, com que as doações para as vítimas das chuvas em Teresópolis permanecessem entulhadas a céu aberto e mal protegidas da chuva persistente. Enquanto isso, diversas aeronaves, em especial as cinco do Exército e outras comandadas pela Força Nacional, estavam paradas, no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate. Local de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o campo se transformou em depósito de garrafas de água, comida, material de higiene e roupas que estão sendo doados para as vítimas da catástrofe. Para justificar a inoperância dos helicópteros do Exército ontem, as autoridades militares argumentavam que as péssimas condições meteorológicas impossibilitavam os voos. Mas os helicópteros da Polícia Civil - o Caveirão, modelo Bell Huey II, e o menor Esquilo - assim como o Esquilo do Corpo de Bombeiros voaram à vontade, ignorando a chuva que caiu durante a manhã. Comandado pelo experiente piloto Adonis Oliveira, da tropa de elite da Polícia Civil, o Caveirão fez dois voos levando mantimentos para pessoas isoladas nas localidades de Santa Rita e Santana, transportando médico, enfermeiros e remédios e resgatando idosos. No início da tarde, partiu para mais uma missão: carregado de comida, água mineral, remédios e óleo diesel para fazer funcionar geradores, foi em direção a localidade de Cruzeiro, passando por Santa Rita, onde a médica Julia Gama, que desde quinta-feira ajuda a socorrer os moradores, embarcaria para ver as necessidades do outro povoado. Foi no Caveirão que os policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio (Core) resgataram em Santa Rita a dona de casa Nadir de Melo, de 74 anos. Ela estava desabrigada depois que a sua casa, "em cima da laje da minha filha", foi interditada por ameaçar ruir. "Tá tudo direitinho, só falam que tem perigo porque está desbarrancando embaixo", explicou, contrariada por ter sido retirada de casa.
____________________
Falsos voluntáriosTeresópolis - Falsos voluntários tentaram roubar doações feitas às vítimas da chuva em Teresópolis, um dia após a tragédia que matou mais de 600 pessoas no Estado. Homens e mulheres que haviam feito um cadastro para ajudar os desabrigados foram flagrados por funcionários do governo tentando levar uma grande quantidade de garrafas d?água e sacolas de roupa do Ginásio Pedro Rage Jahara (Pedrão), onde está parte das famílias vitimadas pelo desastre. Segundo o governo do Estado, a segurança no abrigo foi reforçada por policiais militares e agentes responsáveis pela Operação Lei Seca, deslocados para a região serrana. Desde os incidentes, os voluntários só podem retirar mantimentos do ginásio se apresentarem um documento assinado por um dos responsáveis pelo abrigo. No papel, deverá constar ainda uma lista dos objetos que serão levados às vítimas. Os casos de tentativa de extravio foram considerados isolados. Centenas de voluntários trabalham no município de Teresópolis para atender a população atingida, auxiliar o reconhecimento de corpos e realizar a triagem de donativos. O volume de mantimentos enviados à cidade foi tão grande que os desabrigados que ocupavam o Ginásio Pedrão deverão ser transferidos para outros 14 locais nos próximos dias. Igrejas, um galpão e uma pousada serão usados para receber as famílias que não têm onde morar."Como concentramos aqui as doações recebidas pelo município, o local deixou de ser confortável para a população, pois o material chega durante todo o dia e à noite. Nos demais abrigos, haverá uma estrutura melhor para atender as famílias", explicou Rita Valadão, da Secretaria Municipal de Assistência Social.
____________________
Muitas crianças em hospital ainda não sabem que perderam os paisTeresópolis - Médicos e psicólogos de Teresópolis tentam ajudar crianças que perderam os pais no temporal que atingiu a região serrana do Rio. As enxurradas e deslizamentos de terra mataram pelo menos um dos pais de 18 dos 20 menores de idade que estão internados no Hospital das Clínicas do município. Alguns deles têm ferimentos graves e a maioria não sabe que perdeu parte de suas famílias no maior desastre natural do País. Ao lado de outros parentes, como tios e avós, uma equipe de psicólogos trabalha para reconfortar as crianças e adolescentes. A Justiça já começou a fazer um levantamento de menores de idade que perderam os pais, com o objetivo de repassar sua guarda a parentes próximos que sobreviveram."É uma situação terrível, pois muitas crianças e adolescentes estão com traumas, fraturas e escoriações, mas sobreviveram enquanto seus pais não tiveram a mesma sorte", explicou Rosane Rodrigues Costa, diretora do Hospital das Clínicas. Ainda não há casos registrados em Teresópolis de crianças e adolescentes que perderam toda a família, ficando sem parentes próximos que se tornem responsáveis por eles. Segundo o juiz da 2ª Vara de Família, José Ricardo Ferreira de Aguiar, os menores de idade cujos pais morreram na tragédia poderão ficar temporariamente com familiares como tios e avós."A situação será regularizada aos poucos. Se nenhum parente se dispuser a ficar com elas, essas crianças serão remanejadas de acordo com o cadastro nacional de adoção", afirmou o magistrado. Um anúncio feito equivocadamente pela prefeitura durante o fim de semana, convocando pessoas interessadas em adotar crianças que ficaram órfãs durante a tragédia, fez com que dezenas de casais procurassem a Vara da Infância e da Juventude. Nos hospitais, crianças e adolescentes que perderam parentes são acompanhados de perto por uma equipe especializada. Muitos tiveram lesões sérias, porque não tiveram força suficiente contra os deslizamentos e enxurradas. Em estado grave, um menino de 11 anos foi levado na quarta-feira, dia 12, à sala de emergência depois de ser arrastado por quatro quilômetros pela enxurrada. Sua mãe morreu quando a casa em que a família morava foi destruída por um deslizamento de terra no bairro da Posse. O pai sobreviveu."Temos que fazer um trabalho com os parentes para saber como lidar com essa informação. A primeira orientação é não mentir, caso a criança pergunte pelos pais. Caso decidam dar a notícia ao menor, é importante saber como a família lidava com o assunto ?morte? antes da tragédia", explicou a psicóloga . Katia Dumard, que atua no Hospital das Clínicas. Um dos objetivos do trabalho desses especialistas é fazer com que as crianças e adolescentes se comuniquem, usando jogos e atividades de desenho como ferramentas. Muitos deles evitam falar sobre a tragédia e só conseguem explicar o que aconteceu pela escrita."Um menino de 14 anos, que perdeu um dos pais, escreveu um texto em que ele relata tudo o que aconteceu: conta que ouviu estrondos e que a água carregou a casa dele. Um ponto positivo é que ele diz que se considera um vitorioso, porque conseguiu sobreviver, enquanto muitos morreram", contou a psicóloga.
____________________
Situação de emergência atinge 81 municípios de Minas GeraisBelo Horizonte - Chegou a 81 o número de municípios mineiros que decretaram situação de emergência desde o início do período de chuvas, em outubro. Após Alagoa, o vizinho Baependi (a 380 km de Belo Horizonte), também no sul do Minas, decretou a medida. De acordo com a Defesa Civil do Estado, deslizamentos de encostas e pontos de inundação desalojaram cerca de 40 pessoas e desabrigaram 14, em Baependi. Duas casas foram destruídas e 15 estão danificadas. Devido às chuvas no sul do Estado, anteontem, três equipes da Defesa Civil foram enviadas à região para dar apoios aos municípios mais afetados. O grupo, com base na cidade de São Lourenço, tem cerca de 35 homens, e conta com o apoio de um helicóptero. Além de Alagoa, os focos das ações são principalmente em Aiuruoca, Carvalhos e Itamonte. De acordo com um boletim dos bombeiros emitido na tarde de hoje, as chuvas em toda a região diminuíram no domingo, mas cerca de 1.500 pessoas ainda encontram-se isoladas em comunidades rurais.Desaparecido Na região metropolitana de Belo Horizonte, bombeiros procuram o corpo de Luiz Mateus de Oliveira, 25 anos. De acordo com a corporação, na tarde de anteontem, ele e um amigo se encontravam próximos a uma galeria pluvial quando o volume de água aumentou bruscamente e Oliveira foi levado para o ribeirão Arrudas. O acidente ocorreu numa área da divisa entre Belo Horizonte e Sabará, próxima à estação de tratamento de esgoto do Arrudas. Se confirmada, esta será a 17ª morte no Estado em decorrência das chuvas desta temporada. De acordo com os bombeiros, o amigo do rapaz conseguiu se salvar.

Comentários

Comentários