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Prédio da antiga Casa Lusitana é tombado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min


O sobrado localizado na esquina do Calçadão da Batista de Carvalho com a Praça Rui Barbosa, onde no passado funcionou a antiga Casa Lusitana, foi tombado pelo patrimônio histórico e cultural de Bauru. Por força de decreto publicado no Diário Oficial do Município de ontem, está preservada a fachada do imóvel, o que inclui paredes, revestimentos e adereços, portas, janelas, letreiros e relógio.

Atualmente, no piso térreo do prédio funcionam lojas e, no superior, residências. Famosa nos tempos áureos do comércio central, a Casa Lusitana era um magazine onde se vendia desde uma caixa de fósforo a tecidos e porcelanas importados, lembra o jornalista e memorialista da história bauruense Luciano Dias Pires.

"O prédio foi construído nos anos 30 para abrigar a Casa Lusitana, que nasceu antes e funcionava na rua Araújo Leite. Depois o prédio foi ampliado. Na época, era uma referência no comércio de Bauru. Atendia clientes da cidade e região. Vendia para pagamento por mês e era um orgulho de Bauru", acrescenta.

"Era um ícone do comércio de Bauru. O processo de tombamento do prédio foi aberto tanto pelo valor histórico da Casa Lusitana quanto pela importância arquitetônica do prédio", acrescenta Sérgio Losnak, presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru.

Pelé, quando criança, chegou a trabalhar como entregador no magazine. Porém, com o acirramento da concorrência e a expansão dos supermercados, a Casa Lusitana acabou perdendo espaço no mercado. "Não tinha estacionamento, um dos fatores que levou ao fechamento da loja, há vários anos", comenta Luciano Dias Pires. O dono do prédio, Ary Nunes Garcia, que já é bastante idoso, ainda mora no imóvel, como desde à inauguração da loja no local, completa o memorialista.

Como patrimônio histórico, a fachada do prédio não pode ser alterada, o que inclui pintura e restauro, sem autorização do Codepac sob pena de multa de 1% a 20% sobre o valor do bem tombado, que é definido pelo conselho. Internamente, o prédio pode sofrer alterações desde de que o órgão seja consultado.

Losnak ressalta que, apesar do prédio já ter sofrido alterações, a volumetria da fachada ainda é um aspecto arquitetônico relevante. E também por integrar, na área central de Bauru, junto com Automóvel Club e outros imóveis, um conjunto de prédios antigos de valor histórico e arquitetônico.

O processo de tombamento do imóvel começou a tramitar no Codepac em 1993, mas em função de vários recursos apresentados pelo proprietário demorou a chegar ao fim, com a orientação para o tombamento. A decisão de tombar ou não o imóvel, no entanto, é tomada pelo prefeito. Bauru soma cerca de 50 imóveis que, por lei, têm de serem preservados.

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