Bairros

Bauru elabora plano contra chuvas

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Começou a ser traçado ontem em Bauru um plano de ação para situações de emergência, como em chuvas fortes e outros acidentes naturais.Em reunião convocada por Nico Mondelli, presidente da Emdurb, representantes de órgãos municipais, estaduais e entidades se comprometeram a apresentar, no próximo dia 28, quais ações vão integrar o plano.

Participaram do encontro membros da Emdurb, Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Departamento de Água e Esgoto (DAE) e das secretarias Municipais de Obras, Planejamento, Meio Ambiente e Bem-Estar Social.

Durante as colocações dos presentes, a falta de comunicação, de um plano de chamadas e de definição dos responsáveis a quem recorrer nos momentos de emergência foi apontada como o principal empecilho para a execução de ações concretas que possam minimizar os efeitos causados pelas fortes chuvas que têm atingido Bauru nos últimos tempos e, principalmente, evitar acidentes como o que tirou a vida de Rafael Franco Zontini, 24 anos, em novembro do ano passado.

Tentando reverter essa situação, a comissão que vai se reunir na próxima sexta-feira deve discutir as estratégias de atuação apresentadas por cada um dos órgãos com objetivo de traçar um plano de ações em conjunto, utilizando-se da alta tecnologia do IPMet, aliada à comunicação constante entre os membros do grupo formado.

Segundo o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4ºBPM/I) de Bauru, o encontro foi positivo e vai facilitar a execução de ações em situações de emergência.

A PM apresentou também a proposta de criar um Centro Integrado de Alerta a Desastres Naturais, como já existe na cidade de Cabrália Paulista. "Hoje, em Bauru, cada grupo possui um tipo de informação: o IPMet, a Emdurb, a PM. A ideia é criar uma central que agrupe tudo isso", conta Garcia.

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli acredita que o projeto seja viável, principalmente com o apoio dos serviços do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). "O nosso foco estará na prevenção para que todos saibam o que e como fazer no momento adequado. O grupo saberá quem deverá ser acionado para combater o problema antes, durante e após os eventos de risco", afirma.

Para Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, é importante que, como ocorre no DAE, servidores e maquinário das secretarias municipais estejam disponíveis aos finais de semana no esquema de plantão. "Essa estrutura ajudaria muito na execução dos trabalhos", destaca.

O tenente Eduardo Souza Costa, comandante do posto do Corpo de Bombeiros em Bauru, afirmou que as informações que chegam em casos de chuva são muito vagas. "A gente precisa saber quanto vai chover e quais serão os pontos da cidade mais afetados. Além disso, são importantes melhorias na estrutura para os trabalhos de socorro", explica ele, que solicitou a colocação de cabos de aço que cruzem os pontos dos locais com risco de inundação para serem utilizados nas ações de resgate de vítimas.

Segundo o meteorologista do IPMet, José Carlos Figueiredo, o órgão conta com um sistema avançado e tecnologia de ponta para identificar a aproximação de chuvas fortes. "O que nós precisamos é que essas informações cheguem de forma eficaz ao poder público para que a população tenha uma resposta mais rápida às suas demandas", afirma.

Solução depende de ações amplas

Na reunião realizada na tarde de ontem, também foi discutida a necessidade de atuação do poder público no combate aos alagamentos e às áreas de risco nas esferas municipal, estadual e federal. "No ano passado, o governo de São Paulo devolveu R$ 60 milhões aos cofres públicos por falta de projetos dos municípios para essa área", apontou Álvaro de Brito.

O coordenador da Defesa Civil também anunciou a elaboração do Mapa de Ameaças e Riscos de Bauru, que vai identificar os problemas e as soluções a curto, médio e longo prazo para todas as situações de risco na cidade. "Ele não vai ficar restrito à questão das chuvas. Vai analisar as queimadas, as rodovias, as ferrovias, o aeroporto. Vamos dar um passo importante, que está contando com o respaldo do poder público", contou.

Além disso, a Defesa Civil pretende lançar um site de serviços interativo, com informações à população, que também poderá colaborar . "Hoje nós passamos tudo o que chega até nós às emissoras de rádio locais. O Jornal da Cidade também atua em parceria conosco divulgando os cuidados que devem ser tomados em situações de risco. O objetivo é alcançar um número ainda maior de pessoas", explicou Brito.

Avisos

A Emdurb apresentou na reunião o modelo de novas placas de trânsito que serão colocadas nos tradicionais pontos de alagamento da cidade, aconselhando o motorista a evitar essas vias em casos de chuva intensa.

O órgão municipal está desenvolvendo sensores que vão acender dispositivos luminosos nessas placas a partir do contato com a água da chuva. "A Emdurb vai implantá-las nos locais indicados pela Defesa Civil com o objetivo de conscientizar os motoristas a evitar essas vias quando estiver chovendo forte. Até que o equipamento luminoso fique pronto, o que não deve demorar, serão colocadas apenas as placas", explica Nico Mondelli.

Previsão é de mais chuva

Neste mês, até ontem, já havia chovido em Bauru 375 milímetros, o que torna janeiro de 2011 o mais chuvoso dos últimos 11 anos. Até então, o janeiro com mais chuva acumulada havia sido o de 2003, com 366 milímetros, de acordo com estatística do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).

E a previsão para os próximos dias é de chuva. Hoje pela manhã o sol deve brilhar no céu, mas para a tarde a probabilidade de chover com trovoada é de 80%. Há, ainda, possibilidade de temporal. E para o final de semana a previsão não muda: há possibilidade de chuva tanto no sábado quanto no domingo de 80%.

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