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Fim de férias: onde deixar as crianças?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 8 min


Final de férias para muita gente. Além das preocupações do cotidiano profissional que voltam de mãos dadas com as tradicionais contas a pagar no começo do ano, quem tem filhos tem um motivo a mais para coçar a cabeça: com quem deixar as crianças com o retorno ao trabalho e o início do ano escolar?

Optar com quem ou onde deixar a criança é tarefa estressante na maioria das vezes. Entre as opções berçário (creche ou escolinha), babá e companhia familiar (geralmente a avó), existem prós e contras que devem ser muito bem analisados, a fim de evitar ainda mais dor de cabeça, que pode refletir diretamente na criança.

Até mesmo os especialistas em educação e psicologia não elegem a escolha ideal, cabendo aos pais colocar na mesa os benefícios e os revezes de cada escolha.

A escolinha ou berçário desponta favoravelmente no quesito educacional. Com maior garantia de desenvolvimento intelectual por meio de atividades lúdico/pedagógicas, além de proporcionar maior sociabilização pelo convívio com outras crianças, muitas instituições dispõem de profissionais em período integral e também são boas opções nas férias escolares, com programas específicos.

A procura por esses serviços tem aumentado, ainda mais em função que nem todos os pais conseguem descanso do trabalho simultâneo ao recesso escolar. Nesse caso, as atividades reservadas aos meses de dezembro e janeiro são estritamente lúdico/recreativas.

A presença de crianças matriculadas, entre 2 e 5 anos, no período de férias escolares, é de 50%, enumera Elisandra Tavares Gouveia, coordenadora de uma escola de educação infantil em Bauru. Segundo ela, outro fator que tem elevado a procura pelos cursos de férias (em julho, a presença de crianças matriculadas chega a 70%, afirma) é a alta confiabilidade dos pais.

"São semanas reservadas à parte recreativa, mas sem deixar de lado o pedagógico", enfatiza, detalhando que crianças cujos pais não tiraram férias no período participam de iniciativas ligadas ao meio ambiente, além de se divertirem com teatros de fantoches, cineminha e passeios diversos.

Nas férias de julho, acentua, a frequência de crianças no berçário chega a 70%. "Também há muita procura por pais cujos filhos estão matriculados em outras escolas, que não dispõem do curso de férias", atribui.

Contudo, em virtude da própria aglomeração de crianças, creches ou berçários podem implicar, mesmo que de forma indireta, no surgimento de algumas doenças oportunistas, como gripes ? há pais que dizem ser praticamente inevitável que crianças fiquem resfriadas pouco depois de matriculadas -, ou até mesmo outros problemas mais sérios.

"Geralmente a criança que vai para a escolinha está exposta às doenças como gastroenterite aguda, viroses, diarreia, vômitos, quadros infecciosos gripais, infecções de vias aéreas superiores, como a faringite, amigdalite e até pneumonia", elenca o médico pediatra Hélder Rodrigues Ferreira.

As instituições infantis, por outro lado, garantem que seus profissionais são devidamente capacitados, com minucioso cuidado para checar a carteirinha de vacinação das crianças matriculadas. Entretanto, as doenças oportunas, ressalva o pediatra, podem surgir independentemente ao zelo das creches.

"É preciso verificar se a criança está bem vacinada. Quando a carteira de vacinação não está nos conformes, há possibilidade de uma doença passar para uma classe inteira", exemplifica o especialista, citando também casos em que a criança não foi imunizada pela rede pública de saúde, seja pela não disponibilização gratuita de determinadas vacinas ou impossibilidade de imunização em virtude da idade.

"Vacinas como a da hepatite A, por exemplo, não são fornecidas nos postos de saúde", exemplifica o médico. "Meningite também há tipo em que a criança não é vacinada. Se pega também muito doenças infecciosas como a varicela (a popular catapora), também sem fornecimento gratuito. A criança, uma vez contagiada, passa para as outras", acrescenta, ao citar ainda o rota vírus, que provoca vômito, diarreia, febre e rapidamente desidrata a criança.

O médico reforça que muitas vezes o contágio independe da estrutura do berçário e capacidade dos profissionais envolvidos. A simples aglomeração já é um fator de risco. No entanto, os pais têm papel crucial em evitar o alastramento de doenças entre os pequenos.

"Berçários e creches são locais com muitas crianças. Tem mãe que cuida, religiosamente, mas tem mãe que não. O filho acorda de manhã com 39, 40 graus. Ela dá um banho, um remédio de febre e, como ela tem que trabalhar, leva a criança para a creche", exemplifica. "Deu dipirona e acha que a criança vai melhorar. Os pais não devem levar a criança ao berçário ou creche quando estiverem doentes. É preciso encaminhar ao pediatra, para avaliação", recomenda.

Creche vence a ?queda de braço?

Não foi um nocaute, mas as instituições como creches, escolinhas e berçários, colocados os prós e os contras entre especialistas do ramo educacional e da psicologia, vencem por pontos a luta para se consolidar como o melhor caminho para as crianças durante o trabalho dos pais.

Apesar de algumas carências, como a maioria ainda não ter desenvolvido um método ideal para o desenvolvimento intelectual das crianças, aponta Lígia Márcia Martins, graduada em psicologia e doutora em educação, elas ainda se sobressaem.

"Não tenho dúvidas, ela é a melhor alternativa, desde que nela as crianças pequenas recebam, de fato e de direito, a atenção educacional requerida ao seu pleno desenvolvimento", pontua a acadêmica, autora de livros e artigos na área de psicologia da educação.

Independentemente à escolha, os pais, atenta a especialista, devem estar preparados para deixar seus filhos sob a batuta educacional de terceiros e vai além: "Nenhuma das possibilidades será positiva para pais culpados ou inseguros, em especial mães", alerta.

Ela diferencia o fato do simples cuidar, atender as demandas naturais e espontâneas da criança com o provimento do desenvolvimento infantil. "Nessa distinção, adianto que a escola de educação infantil, potencialmente, é o espaço privilegiado não apenas para cuidar, mas, sobretudo, enriquecer desenvolvimento", julga.

Entretanto, a decisão final mesmo depende da equação entre sentimento, racionalidade e, obviamente, poderio financeiro dos pais. Para a pedagoga Ana Maria Daiben, o berçário também leva vantagem pelo convívio entre as crianças, propiciando maior sociabilização.

"Não descarto totalmente o ambiente familiar, mas a instituição educacional é o melhor lugar pela oportunidade de convívio", observa. "É um grande complemento ao universo social, mas nem sempre podemos dizer que o melhor é este ou aquele", pondera.

Quem optou pela escolinha, o fez justamente pela oportunidade dos filhos conviverem com outras crianças e, assim, além de se acostumarem a uma rotina desde cedo, começarem a aprender a estabelecer vínculos sociais. No entanto, o carinho, conforto e sabores da casa da vó, não são desprezados.

"Meu filho fica meio período na escolinha e meio período com a minha mãe", conta a carteira Daniela Ferreira de Abreu, mãe de Pedro Nicolas, de 6 anos.

"Além da escolinha ser melhor, foi a única alternativa que tive. A criança quando vai à escolinha aprende o significado de dividir, muito importante hoje em dia, com o ser humano cada vez mais egoísta", acrescenta Patrícia Aparecida Pinheiro, mãe do pequeno Fábio Henrique, de 2 anos.


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Procura por babá exige cautela

O casal Guilherme e Andreia (que solicitaram preservação dos sobrenomes) está a procura de uma babá para as filhas de 8 e 3 anos. Para o pai das crianças, o melhor lugar para elas estarem no período em que não vão à escola é em casa. Entretanto, o casal tem muita cautela na escolha e ainda não definiu quem vai cuidar das meninas enquanto trabalha.

"Colocar alguém dentro de casa não é fácil", admite Guilherme. "Não se trata nem de preocupação com bem material, que a gente recupera. Mas são minhas filhas, o maior bem que eu tenho. Realmente estou pensando muito antes de tomar qualquer decisão", detalha.

Por enquanto, a tarefa de levar e trazer da escola, bem como dar suporte às meninas, cabe aos avós paternos. "Eles gostam de ficar com os netos, mas não é uma obrigação deles. Queremos um profissional completo, que possa atendê-los nos mais diversos sentidos e ao mesmo tempo nos dê total segurança. Mas está difícil", acentua.

Candidatas, apesar da triagem, não faltam. Célia Regina Lorena Bredariol, de 51 anos, é uma delas. Babá há quatro anos, ela usa toda a experiência adquirida na criação das filhas, hoje já casadas, para se credenciar ao cargo.

Segundo ela, com o passar do tempo, o vínculo sentimental com as crianças é inevitável, porém, algumas questões devem ser mantidas estritamente no campo profissional. "É possível separar a vida particular do trabalho. Claro que há uma afetividade com a criança, mas com os pais dá para estabelecer essas diferenças perfeitamente", considera.

A triagem é tão seletiva que empresas de recrutamento pessoal se especializam no treinamento e encaminhamento profissional de cuidadoras de crianças. Em Bauru, a empresa Rhome Assessoria e Seleção é uma das empresas que se preparam para essa nova tendência e planeja um curso específico de capacitação nessa área.

"Ensinaremos postura no ambiente de trabalho, vestuário, entre outros itens, como cuidados básicos que a criança necessita, desde a higiene até zelo por roupas, cozinha, entre outros", enumera Almerindo de Palma, sócio da agência.

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