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Rui Barbosa tem sua ?feira do rolo?

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A Praça Rui Barbosa, além de ser um marco histórico de Bauru e ponto de encontro, principalmente de aposentados que aproveitam as tardes sentados sob as belas árvores ali existentes conversando entre amigos, agora também tornou-se um ponto de troca de vários produtos. Alguns até a consideram uma "segunda feira do rolo", a famosa feira da rua Gustavo Maciel que acontece nas manhãs de domingo.

Para um aposentado, que preferiu ter a identidade preservada, o ponto escolhido por ele para montar sua "banca", sobre um dos bancos da praça, representa mais do que um local de escambo. Um lazer. "Aqui eu conserto relógios, troco pilhas, compro e vendo relógios usados que estejam em bom estado. Além de me distrair, eu consigo uma renda extra para acrescentar à aposentadoria", disse.

Relógios usados de marcas renomadas podem ser adquiridos, cada um, pelo valor mínimo de R$ 25,00 e o máximo de R$ 70,00. Quem quiser vender um relógio, ele também compra. O valor depende do estado de conservação. O aposentado ainda aproveita o momento em que está na praça para evangelizar o que aprende lendo a Bíblia Sagrada. "Como eu sou evangélico, aproveito para ensinar a algumas pessoas que passam por aqui o que eu aprendo na Bíblia", disse.

Mas a praça é também um lugar de jovens vendedores, como Michel Rocha, que possui emprego fixo como peixeiro e aproveita o espaço da praça para trocar, comprar e vender celulares usados. "Um celular sem câmera está na faixa de R$ 60,00. Um mais equipado e com capacidade de armazenar quatro chipes custa R$ 350,00. Estou aqui há quase dois meses e faço da oportunidade um lazer, conhecendo sempre pessoas novas. Aproveito para conseguir uma renda extra com as vendas", completou.

Diversidade


Quem passa pelo local gosta do movimento. Olha as mercadorias e negocia as trocas. Na praça Rui Barbosa é possível encontrar de tudo um pouco: artesanato, eletrônicos e até um bom lanche na hora que bate aquela fome. Para o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, o local já pode ser considerado uma "segunda feira do rolo", que acontece tradicionalmente aos domingos na rua Gustavo Maciel. A diferença para esses novos trocadores e vendedores de mercadorias é que eles estão por lá quase todos os dias.

"Eu notei o movimento dessas pessoas há mais ou menos 15 dias. Enquanto essa movimentação está pequena, não há problema. Mas isso, com certeza, irá aumentar e perderá um pouco do conceito que é o da praça como um lugar de lazer dos bauruenses. Eles deveriam ter um local específico para isso", opinou.

Já para o cabo da Polícia Militar (PM), Rogério Morales, que há 10 anos atua na Base Comunitária de Segurança Centro, responsável pelo patrulhamento e atendimento de ocorrências policiais na área central de Bauru, a atitude dessas pessoas não gera conflitos e problemas com a PM. "Nós não registramos problemas com esses vendedores. Eles ficam por ali vendendo e trocando seus produtos. Eu trabalho há 10 anos na área central de Bauru e não tenho visto empecilhos contra eles, principalmente com os aposentados", salientou.

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