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Executivas aprovam estilo de Dilma


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Brasília - Os modos de executiva da iniciativa privada da presidente Dilma Rousseff, demonstrados em três semanas no poder, não livraram o governo das disputas de cargos nem da crise no Enem, mas executivas de grandes empresas e especialistas em administração ouvidas pela reportagem aprovam a estreia da presidente e sua intenção de imprimir características da gestão privada no poder público. Todas admitem, porém, que não há como ignorar as demandas políticas. Qualidade, velocidade e ética são conceitos que Luiza Helena Trajano, superintendente do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo nacionais, gostaria de ver aplicados na administração federal. "As reuniões têm de ser objetivas, focadas em poucos assuntos. E é preciso cobrar as pendências que ficaram da reunião anterior, além de fixar prazo. Sem cronograma não há comprometimento", diz a empresária. "Acredito muito em gestão e organização. A presidente terá de conciliar com o jogo político, que é muito pesado. Ela pode fazer as coisas acontecerem com mais velocidade." Na primeira reunião ministerial, no dia 14, a presidente reconheceu a dificuldade de um diálogo objetivo quando 37 ministros aguardam a vez de falar. Formalizou a divisão do primeiro escalão em quatro grupos de gestão e deu prazo de 20 dias para cada pasta apresentar um plano de corte de gastos. Na véspera, outra experiência. Discutindo no Rio de Janeiro medidas contra enchentes, ela viu a conversa caminhar para medidas de longo prazo e interrompeu: "Neste momento, estou preocupada com o que as pessoas estão precisando. Retroescavadeiras? Helicópteros? Barracas?"Meritocracia
"Na iniciativa privada, você fixa metas e todos têm de se comprometer com o resultado. E os 37 ministros devem seguir esse modelo. Não pode a presidente imprimir um formato e cada ministro ter sua forma própria de gestão", diz Sônia Hess, presidente da Dudalina, maior fabricante de camisas masculinas do País. "O que há de mais moderno é a meritocracia. Nossa costureira sabe qual é a meta dela e tem participação nos resultados. No poder público, o servidor pode ter bônus por metas alcançadas", sugere Sônia. No caso da administração federal, a presidente da Lupo, líder do mercado nacional de meias, Liliana Aufiero, aponta medidas de austeridade como fundamentais. "Li que os ministros não vão poder pegar jatinhos da FAB para ir para casa no fim de semana. É uma medida necessária para acabar com a lambança. A conferir", diz a executiva. Nessa direção, Dilma anunciou há dias a criação de um Fórum de Gestão Competitiva, para o qual convidou o empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Além disso, tem estimulado a contratação de instituições especializadas em diagnóstico e orientação de melhorias gerenciais. E já definiu como primeira tarefa desse projeto mudar o funcionamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).Conceitos servem tanto para a gestão pública quanto para a privada
Brasília - O interesse da presidente Dilma Rousseff pelas tendências modernas da administração não chega ao ponto de ela adotar jargões como stakeholders (partes envolvidas) e método carrot or stick (cenoura ou vara). Nas horas vagas, Dilma prefere ler romances a biografias de superexecutivos de multinacionais. Mesmo assim, a presidente, no dia a dia do governo, está atenta a conceitos como comprometimento, foco e resultado. Uma das principais diferenças da gestão privada para a pública, apontada pelo diretor acadêmico das faculdades do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), Luiz Alberto Nascimento Campos Filho, é o fato de que um governante, em especial um presidente da República, "trabalha com muitos stakeholders", como são chamados todos os agentes afetados por um projeto."O presidente vai negociar com movimentos sociais, com ministros, governadores, prefeitos, organismos internacionais, outros países, uma enorme quantidade de variáveis. Até para montar uma equipe é difícil. Sem definição de objetivos é difícil fazer metas. Eu faria três objetivos claros e me concentraria neles", analisa Campos Filho. Diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a professora Maria Tereza Fleury afirma que o método de motivação conhecido como "cenoura ou vara", baseado em punições (ou ameaças) para mau desempenho e recompensas para bons resultados funcionam tanto na iniciativa privada quando na pública. "Existem muito mais exemplos no Brasil de aplicação de parâmetros de eficiência no poder público do que se imagina", afirma Maria Tereza. Para o professor Luiz Leal, gerente de projetos para grandes organizações da Fundação Dom Cabral, voltada para desenvolvimento de executivos, empresários e empresas, limitações como excesso de burocracia não são impedimentos para um bom planejamento."A última linha da iniciativa privada é o lucro financeiro, de olho no mercado e no cliente. O governo olha para a sociedade, o serviço ao cidadão e visa o lucro social. Mas as ferramentas são semelhantes e muitas vezes têm mais resultado no poder público do que na iniciativa privada", diz o professor. Segundo Leal, um dos primeiros passos para bons resultados na esfera pública é evitar a dispersão. "O potencial de perder a sintonia é muito grande", afirma. O professor considera ainda essencial o trio eficiência ("fazer bem feito"), eficácia ("fazer o que precisa ser feito") e efetividade ("o quanto a sociedade foi atendida"). "A primeira reação é apontar a falta de recursos e de pessoas", adverte o professor, "mas essas ferramentas podem contribuir muito fortemente para as melhorias".

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