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Pacientes ?abandonam' PS Bela Vista

Por Vitor Oshiro | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 6 min

O caos da saúde pública em Bauru acabou gerando uma situação, no mínimo, curiosa nos últimos dias. Enquanto o Pronto-Socorro Central (PSC) vive o cenário de filas e pacientes desesperados com a demora de atendimento, o Pronto-Socorro Bela Vista está praticamente vazio. O fato é que, pelas várias vezes em que esta última unidade ficou sem médicos (leia mais nessa página), a população passou a evitar o local e ir buscar atendimento direto na unidade central. Assim, enquanto aqueles que "arriscam" ir ao Bela Vista encontram um atendimento ágil, o PSC sofre ainda mais com a lotação.

Durante a manhã e a tarde de ontem, a reportagem visitou o PS Bela Vista e confirmou a questão. Nos dois períodos, o número de pacientes que aguardava atendimento era de aproximadamente dez pessoas e, ao contrário do que se escuta sempre, a satisfação na velocidade do atendimento era geral.

"Eu cheguei e não demorou nem meia hora para me atenderem. Estou estranhando o movimento. Já vim outras vezes aqui e nunca foi assim. Antes, demorava cerca de uma hora e meia. Hoje, foi rapidinho", afirma Sandra Cruz de Cabral Ribeiro, 30 anos, que foi ao hospital por causa de uma crise de bronquite.

E a satisfação foi constatada com praticamente todos os pacientes que estavam no local. Com um médico escalado para o atendimento, a média de espera era de apenas cerca de meia hora.

Entretanto, Inocência Maria Gonçalves Degand, membro do Conselho Gestor da Unidade do Bela Vista, não estava tão contente com a situação. Segundo ela, a média diária, que sempre foi de 350 atendimentos, caiu para cerca de 100.

"Além do pessoal estar deixando de vir aqui devido ao medo de não encontrar médicos, fomos informados que essa unidade vai fechar como PS. A unidade vai trabalhar apenas com casos mais simples. As ocorrências graves vão ter de ir para o PSC direto", alerta.

De acordo com ela, a diminuição do fluxo é justamente consequência dessa medida que, supostamente, passou a vigorar a partir dessa semana. "Até mesmo algumas alas foram modificadas. Tem um local com apenas quatro camas, que é somente para casos extremos. O resto é tudo cadeira para medicar e liberar o paciente. Ficamos sabendo que a orientação não é utilizar mais a unidade como PS", conclui Inocência Degand.

Secretário nega fechamento

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, nega que haja fundamento nos boatos de que o Pronto-Socorro Bela Vista vai fechar, de que alas já estariam sendo desmontadas e que apenas a Unidade Básica de Saúde permaneceria funcionando no prédio. Ele garante que a unidade continuará com atendimento de urgência e emergência 24 horas por dia.

"O que está ocorrendo é que estamos enfrentando dificuldade para escalar médicos para o PS Bela Vista, principalmente para o período diurno. Durante o dia, muitos médicos têm outros empregos e menos disponibilidade de tempo. Lamento profundamente o que está ocorrendo", disse, ressaltando que novo concurso está sendo preparado em nova tentativa de contratar médicos.

O PS Bela Vista funciona com dois médicos, mas nos últimos dias têm sido frequentes turnos com apenas um e até de suspensão do atendimento pela ausência de profissional. De acordo com Monti, a orientação que ele deu ao Departamento de Urgência e Emergência em função da dificuldade de escalar médicos para todos os turnos no PS Bela Vista é que apenas pacientes com quadro de saúde menos graves sejam mantidos na unidade.

"Um paciente com crise de hipertensão ou que esteja tomando soro, em observação, pode ficar no Bela Vista", disse. Já os casos mais complexos devem ser, de imediato, transferidos para o Pronto-Socorro Central. Com a irregularidade no atendimento no PS Bela Vista, o já lotado PS Central tem recebido ainda mais pacientes. E a espera, por consequência, é mais longa. Há casos que passam de cinco horas para o primeiro atendimento.

Para Monti, o maior problema do PS Central tem sido a quantidade de pacientes acomodados em macas à espera de internação hospitalar. "Nesta semana, a média diária tem sido de 20 pacientes", frisa. A cada turno, o PS Central deve contar com cinco ou seis médicos.

O secretário de Saúde espera que no próximo mês a situação seja um pouco melhor. "Temos médicos retornando de férias. Acredito que o pior já está passando", disse.


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Hoje e amanhã não haverá médico das 7h até as 19h

Não é à toa que a demanda de pacientes no Pronto-Socorro Bela Vista despencou. Hoje e amanhã, não haverá atendimento de casos de urgência e emergência na unidade das 7h às 19h. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde informa que devido à dificuldade de cobertura das escalas face às licenças médicas e férias dos profissionais e a impossibilidade de substituição, o atendimento do PS Bela Vista será transferido para o PS Central.

Em ambos os dias, a partir das 19h, o atendimento será retomado normalmente, informa a coordenação do serviço. A Secretaria de Saúde esclarece ainda que a Unidade Básica de Saúde, localizada no mesmo endereço do PS Bela Vista, a responsável pelos atendimentos de rotina, tem mantido as atividade normais durante todos os dias de transferência do atendimento de urgência, sem interrupção das consultas para os pacientes agendados.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, informou também que acionou e sugeriu aos Conselho de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Bauru, Conselho Municipal de Saúde e Conselho Gestor de Saúde das unidades de pronto-atendimento para que componham uma comissão com representantes de cada um deles, com o objetivo de mostrar com total transparência as atuais condições de atendimento do setor.

A Secretaria de Saúde reconhece a dificuldade de atendimento à demanda dos atendimentos de urgência e, face a essa situação, desde 2009, com o objetivo de suprir a necessidade, seis concursos foram realizados para contratação de médicos.

Salário

Dos dez médicos aprovados no último concurso da Prefeitura de Bauru e que não assumiram o cargo, dois deles disseram ao Jornal da Cidade que o motivo é o salário pago. Outra agravante é o local de trabalho: o pronto-socorro. Se fosse para atuar na unidade básica de saúde, os dois médicos aceitariam o emprego. O Pronto-Socorro Bela Vista, que tem fechado com frequência, por falta de médico lota ainda mais o Pronto-Socorro Central.

O concurso em que dez médicos desistiram de tomar posse já foi feito com as regras aprovadas no Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores de Saúde, que prevê reajuste salarial e incorporações de abonos, gratificações e vantagens. O salário para médico é de R$ 3.360,00 para 20 horas diárias, mas isto é insuficiente na opinião dos médicos entrevistados.

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