Internacional

El Baradei chega ao Egito; protestos ainda continuam

Folhapress
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Cairo - Mohamed El Baradei, ex-chefe da agência nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas) e defensor de uma reforma no Egito, chegou ao Cairo ontem depois de ter dito que seria o momento de o ditador Hosni Mubarak deixar o poder. Figura com grande prestígio internacional, mas com pouco apoio popular no Egito, El Baradei, de 68 anos, chegou à capital egípcia vindo de Viena, na Áustria, onde mora, para se unir a uma crescente onda de protestos contra Mubarak, inspirados pelas manifestações que derrubaram o presidente da Tunísia. O prêmio Nobel da Paz e dirigente da oposição egípcia afirmou, em sua chegada ao Cairo, que a mudança política no Egito "é inevitável". "Acho que este é um momento fundamental para o futuro do Egito", disse ele aos jornalistas no aeroporto internacional do Cairo. "Quero garantir que nos dirigimos para um processo de mudança pacífico", insistiu o ex-diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). "A mudança é inevitável. Não dá para voltar atrás", insistiu El Baradei, que lidera há um ano uma campanha em favor de reformas políticas e eleitorais no Egito, governado desde 1981 pelo presidente Hosni Mubarak. "Tentamos de tudo durante um ano", afirmou ainda, lembrando que seu movimento político boicotou as eleições parlamentares de novembro. Ele acrescentou que o "povo se deu conta de que o regime não está ouvindo nada e tiveram que sair às ruas, e insistiu na necessidade de que os protestos "se desenvolvam pacificamente". "As manifestações pacíficas são um direito de cada egípcio e de cada ser humano. Desejaria que não tivéssemos que sair às ruas para pressionar o regime". El Baradei já foi muito criticado no Egito, inclusive entre seus seguidores, por suas longas ausências do país. Ele chegou ao Cairo três dias depois das grandes manifestações de protesto contra o regime de Mubarak. O ex-chefe nuclear foi recebido por cerca de 50 seguidores, assim como vários jornalistas. A princípio, ele tentou evitar dar declarações à imprensa mas, diante da pressão, aceitou falar em inglês e árabe.

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