Além de não apresentar alvará para vender veneno e medicamentos veterinários, uma casa de ração de Bauru armazenava os produtos sem o devido cuidado: veneno para matar rato e formiga estava acondicionado em caixas, ao lado de sacos de ração para animais. Foi o que descobriu a Polícia Civil em um dos vários estabelecimentos do ramo fiscalizados ontem, durante a Operação "Recomeçar", uma força-tarefa desenvolvida em toda a área do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4) (leia mais nesta página) e que apreendeu drogas, CDs, DVDs e caça-níqueis.
Os produtos tóxicos e os medicamentos veterinários foram apreendidos pela Delegacia de Crimes Ambientais. O delegado Dinair José da Silva, titular do 1.º Distrito Policial, onde funciona a Delegacia de Crimes Ambientais, explica que os produtos apreendidos só poderiam ser vendidos em estabelecimentos devidamente autorizados para a atividade.
"Casa de ração tem de se limitar a vender ração e produtos veterinários. Veneno e medicamentos, extrapola a competência. Teria de ser pet shop, drogaria, com a presença de veterinário", frisa. O delegado acrescenta que os venenos à venda na casa de ração são potentes e, como alguns estavam armazenados em caixas, sem a devida embalagem, em prateleira baixa, representava risco também às pessoas.
Silva alerta que a fiscalização será estendida a outras casas de ração diante de informações que tem sido comum a comercialização de veneno e produtos veterinários em estabelecimentos do ramo. O proprietário da casa de ração, localizada na quadra 4 da rua Nélson Bonachela Gimenes, no Jardim Petrópolis, cujo nome não foi divulgado pela polícia, responderá pelo artigo 278 do Código Penal.
O artigo prevê que fabricar, vender, expor à venda, ter em depósito para vender ou, de qualquer outra forma, entregar ao consumo coisa ou substância nociva à saúde, ainda que não destinada à alimentação ou a fim medicinal, é crime cuja pena é detenção de um a três anos e multa.
Ele responderá inquérito em liberdade. Ao delegado, o proprietário do estabelecimento chegou a sinalizar que haveria um veterinário responsável, que deverá ser chamado para prestar depoimento. O comerciante não apresentou alvará de funcionamento da casa de ração.
Três flagrantes de tráfico
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Seccional de Bauru, divulgou o balanço da operação "Recomeçar" na área abrangida pela unidade. Ao todo, foram realizados três flagrantes, todos em Bauru, dez pessoas foram detidas pelo cumprimento de mandados e ainda houve apreensão de oito máquinas caça-níqueis, 4.425 DVDs e 2.156 CDs.
O primeiro flagrante ocorreu na manhã de anteontem, na Vila Santista. A.L.B., 30 anos, foi detido em sua residência após investigações da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) com uma balança de precisão, 19 papelotes de crack e R$ 330,00.
O outro flagrante ocorreu por volta das 8h30 de ontem. Policiais do Garra e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prenderam R.J.S., 25 anos, em uma casa localizada no Núcleo Fortunato Rocha Lima. No local, foram encontradas 7,3 gramas de maconha, um comprimido azul, R$ 668,00, embalagens utilizadas na comercialização de entorpecentes e anotações que, segundo a polícia, são a contabilidade do tráfico.
O último flagrante da operação foi realizado duas horas mais tarde. Em uma casa localizada no Jardim Cruzeiro do Sul, a Dise prendeu M.L.J., 44 anos. Segundo os policiais, ao anunciar a revista, eles ouviram barulho de descarga e, quando verificaram na caixa de inspeção do esgoto, localizaram 38,6 gramas de maconha e 1,4 grama de cocaína. Além de tráfico de entorpecentes, o homem foi autuado por posse ilegal de arma restrita, uma vez que também foi encontrado no local um revólver Taurus calibre 357.
Nos mandados cumpridos que não registraram flagrante, seis foram em Bauru. Já em relação aos objetos apreendidos, todos os DVDs e CDs também foram localizados na cidade, assim como uma das máquinas caça-níqueis.