Bauru, sobre determinados aspectos, é uma cidade especial. Porém, há uma nuvem de descaso e ignorância que paira sobre quaisquer ações artísticas locais, que tornam quase tudo que se cria inútil ou temporário demais. A Lei Municipal de Estímulo à Cultura é uma conquista. Porém, o que se vê é que apenas parte dos artistas locais inscreve projetos e, automaticamente, ao serem contemplados viram motivo de dúvidas sobre a legitimidade e transparência nas escolhas. Considero, sim, muito importante tentarmos encontrar caminhos a escoar a Cultura em nossa cidade. Mas é preciso respeitar o fato de que nem quem está envolvido diretamente com o assunto tem atitude para manter o que acredita. Em 2004, a área da música independente estava no ostracismo por aqui. Em conversas com músicos locais, me comprometi a “chacoalhar” a cena e durante 4 anos fiz todo o possível e o impossível para que nossa realidade mudasse. De fato, algumas boas coisas aconteceram, mas o número de pessoas que estavam ligadas diretamente aos acontecimentos, que tentaram sabotar os eventos, foi assustador. Além do descaso da iniciativa privada em apoiar projetos e a morosidade da administração local em honrar os valores devidos. A população de modo geral não apoia nada. O lance pra eles é “coisa de graça”, se tem segurança e qualidade e é preciso participar financeiramente (o mínimo que seja) já não funciona. A cidade tem muita qualidade artística, deve continuar questionando espaços. O caminhão-palco é extremamente útil, mas um caminhão de verdade, não aquela sucata com som de quermesse que a secretaria possuía. Vamos lá, Bauru, água mole em pedra dura tanto bate até que fura!!! (Gilvá F.S. Junior-músico)
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