Estão lutando pela minha sobrevivência, mas parece coisa difícil. Nasci quase sem querer num cantinho do jardim e as pessoas nem me percebiam. A dona do jardim já tinha os filhos grandes e sonhava ter netos, mas os descendentes demoravam e ela passava o tempo cuidando de mim e das minhas vizinhas: as samambaias, begônias, bailarinas, violetas e orquídeas. Dizem que cada argola do meu tronco marca um ano da minha vida e não se aperceberam o quanto eu cresci: 17, quase 18 anos...Nasci por acaso num pequeno jardim, perto de um muro que separa 2 casas. Na casa onde eu moro (da dona do jardim) vão refazer o muro que ficou abalado com a força da minha natureza ao longo dos meus 17 anos... Os paisagistas da cidade não se interessam por mim (compram suas mudas), os homens da prefeitura pouco querem saber da minha existência (...e olha que o prefeito se diz verde...)Agora estou com os meus dias contados, tendo minhas folhas embaladas pelos ventos, e choro de saudades do tempo que não vou viver pra ver minhas argolas aumentando ano após ano... Ao menos o herdeiro da dona do jardim já nasceu há quase 8 anos e cresce dia a dia e logo será um homem e vai se lembrar da minha história...
Ana Maria Barbosa Machado - Academia Bauruense de Letras